Com os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, no horizonte, o velejador Jorge Zarif divide sua rotina entre os treinos e a Faculdade de Administração

Já faz tempo que Jorge Zarif leva a vida dividida em ciclos de quatro anos. Velejador da classe Finn, sempre que acaba uma edição dos Jogos Olímpicos, na manhã seguinte ele já começa a preparação para a próxima competição. “Agora Tóquio-2020 é meu objetivo. Vou estar com 27 anos e acho que será minha última participação nos Jogos Olímpicos”, prevê o atleta, que, em Londres, era o mais jovem da delegação de vela brasileira, com apenas 19 anos.

Foi justamente por saber que os esportistas de alto nível têm carreira curta que Jorginho planejou cedo seu futuro. “Decidi fazer faculdade de Administração, porque é um curso que abre muitas possibilidades, e uma das minhas vontades é empreender com algo relacionado ao esporte”, conta o paulistano, que leva a vela no seu DNA, já que seu avô e seu pai também competiam – seu pai, Jorge Zarif Neto, representou o Brasil em dois Jogos Olímpicos (1984 e 1988).

Aos 24 anos e no 7º semestre do curso, Jorginho divide sua rotina entre as aulas e os treinos. “É difícil conciliar as duas coisas, mas a faculdade dá todo o suporte para os alunos que são atletas”, diz. “Hoje sei que a melhor coisa que eu fiz foi ter escolhido a FAAP, porque o curso foca em empreendedorismo e em marketing – temos seis ou sete matérias sobre o tema. As outras escolas pararam no tempo, aqui a grade muda constantemente, o que é ótimo”, avalia.

Jorginho leva na bagagem a 4ª colocação, na sua classe, na Rio 2016, e os mundiais Júnior e Adulto de 2013. Nesse mesmo ano, ele também foi eleito o melhor atleta, em prêmio concedido pelo Comitê Olímpico Brasileiro, superando nomes como Arthur Zanetti e Cesar Cielo. Ele diz ter se aproveitado de outra característica forte da Fundação para conquistar a marca. “O prêmio era por votação do público. Fizemos uma divulgação enorme na faculdade e contei com a ajuda dos votos dos meus colegas. Um network e tanto”, brinca.

Mesa de trabalho

01_Vela
“É feita de linhas de kevlar, o mesmo material dos coletes à prova de bala, e um filme plástico.”

02_Óculos
“As lentes polarizadas são boas para a leitura do campo de regata. Com elas, posso ver onde há mais vento, de acordo com o contraste nas ondas.”

03_Colete
“Obrigatório na minha classe, por causa do perigo de a retranca bater na cabeça e eu desmaiar. O barco também pode virar e é difícil nadar com roupa e bota.”

04_Relógio
“O Polar monitora os batimentos cardíacos para criar uma dieta regrada de acordo com as calorias gastas em cada treino. Em dias de vento forte, gasto 4 mil calorias em quatro horas.”

05_Windex
“Equipamento antigo, mas essencial. Dá a referência do vento aparente e podemos ajustar a vela para ir mais rápido.”

06_Barco
“De fibra de carbono e de vidro, é construído sob medida para cada velejador. Só o casco pesa 116 quilos.”