Galerista à frente da Herança Cultural, Pablo Casas usa a formação em Design para selecionar os maiores talentos do mobiliário contemporâneo

A paixão pelo mobiliário brasileiro acompanha o galerista paulistano Pablo Casas, 37 anos, desde cedo. Quando era criança, a mãe, Maria Alice Casas, fundou a loja Herança Cultural, que traz no portfólio alguns dos maiores designers do século 20. “Tenho memórias muito vivas da convivência com peças de Sergio Rodrigues, Oscar Niemeyer e Zanine Caldas”, conta.

Sobrinho do arquiteto Arthur Casas, ele seguiu o caminho natural da família: cursou Design Gráfico e de Produto na FAAP e, por muito tempo, trabalhou com criação de mobiliário. “Nunca desenhei maravilhosamente bem, mas sou um bom pensador. Na faculdade, aprendi que o conceito de um produto é tão ou mais importante que seu resultado estético”, diz. Já no primeiro ano do curso, fundou seu primeiro estúdio, um espaço de 7 metros quadrados no subsolo da loja da mãe. Era ali – e nas oficinas da FAAP – que colocava em prática suas primeiras lições. “Fiz marcenaria, serralheria, cerâmica, gesso… Ter tido acesso a todas essas ferramentas na FAAP me fez largar na frente na hora de criar”, acredita.

Apesar de bem-sucedida, a carreira desenhando mobiliário teve de abrir espaço para outra de suas paixões: a curadoria de novos designers brasileiros. Há quatro anos, Pablo assumiu o comando da Herança Cultural, que fica no bairro Alto da Lapa, e lhe deu ares de galeria. Ao mobiliário modernista dos anos 50 e 70, somaram-se séries limitadas de alguns dos designers mais interessantes da nova safra – caso de Rodrigo Ohtake, Guilherme Wentz e Inês Schertel. “Representar esses talentos contemporâneos é algo que amo fazer e tem ocupado todo o meu tempo”, diz ele, que anda pensando em voltar a desenhar. “Foi só falar da FAAP que me deu vontade de botar a mão na massa outra vez”, anima-se, antes de elencar os objetos que facilitam sua rotina.

01_Computador

“Cuidar da presença digital da loja é essencial. Faço o tratamento das imagens do portfólio e cuido do conteúdo do site.”

02_Celular

“É a extensão da loja e o grande responsável por eu não parar de trabalhar. Respondo os pedidos via Instagram, envio orçamentos, atendo arquitetos.”

03_Livros

“Muito do design contemporâneo é inspirado no trabalho de Joaquim Tenreiro, Jorge Zalszupin e Sergio Rodrigues. Gosto de ter livros desses grandes nomes para mostrar aos clientes que nada é absolutamente novo – a mágica está na reinvenção.” 

04_ Cadeira Commander

“Essa cadeira dos anos 60, assinada pelo arquiteto e designer Jorge Zalszupin, é minha preferida para trabalhar. O motivo é simples: poucas peças são tão confortáveis.”

05_Mesa

“Gosto de misturar peças clássicas e atuais. Desenhada pelo meu tio, o arquiteto Arthur Casas, é, pra mim, um dos desenhos mais lindos do design contemporâneo.”