FAAP celebra o primeiro ciclo do Global Classroom, curso de extensão que coloca alunos, professores e especialistas do Brasil, Estados Unidos, da África do Sul e França frente à frente para debater assuntos da atualidade, em um programa inédito no mundo

O relógio marca meio-dia e os alunos começam a entrar no auditório 2 da FAAP. Acomodam-se nas cadeiras enquanto no palco estão Fernanda Magnotta, coordenadora do curso de Relações Internacionais, e Carlos Gustavo Poggio Teixeira, professor da Faculdade de Economia da FAAP. Atrás deles, um telão exibe imagens de três outras salas repletas de alunos, falando diferentes idiomas. Poucos minutos depois, Fernanda pergunta no microfone, em inglês: “Akron, podemos começar? Sim, estamos prontos”.

Ali se dava início a mais uma atividade do curso de extensão The Global Classroom: Política Internacional Contemporânea, num formato inovador. Durante uma videoconferência, universidades de quatro países ficariam interligadas, permitindo o intercâmbio e a troca de experiências entre alunos, professores e convidados de quatro instituições: a FAAP, representando o Brasil, a Universidade de Akron, dos Estados Unidos, a Universidade 
de Pretoria, da África do Sul, e a Universidade de Le Mans, da França. “Uma aula reunindo pessoas de várias partes do mundo nunca havia sido feita antes, é inédito”, afirma a professora Fernanda. “O projeto surgiu da ideia do professor Gerard Austin, da Universidade de Akron, após a experiência que tivemos em 2016 de acompanhar os bastidores das eleições americanas [Fernanda Magnotta e outros participantes, a convite da Embaixada dos EUA, em parceria com a Universidade de Akron, se uniram à equipe batizada de Observadores Internacionais, para acompanhar os bastidores da fase final da eleição presidencial]. “Ali, o professor Gerard percebeu que daria para juntar universitários de diversos continentes para uma aula em comum”, diz Fernanda (veja box pág. 85). Segundo ela, o projeto foi criado com o objetivo de discutir temas da política internacional a partir de diferentes perspectivas, tradições e complexidades políticas, sociais, culturais e econômicas dos países integrantes do programa.

A professora Fernanda Magnotta, coordenadora do curso de Relações Internacionais e responsável pelo programa na FAAP

As aulas do projeto-piloto – ministradas em inglês – começaram no dia 6 de fevereiro e se encerraram no dia 8 de maio. Nos encontros, cerca de 120 alunos (40 deles faapianos) se reuniram todas às terças-feiras por duas horas e meia e debateram os assuntos que ganharam destaque na semana em seus respectivos países, como a queda do presidente Jacob Zuma na África do Sul, o governo Trump e as eleições presidenciais no Brasil. Ao final do programa, os alunos receberam um certificado assinado pelas quatro instituições. “O mais interessante foi perceber a visão que os outros universitários têm sobre os problemas atuais em seus países. Foi muito legal ver nossos colegas americanos discorrendo sobre a polêmica presidência de Trump, ou ainda ouvir as explicações africanas de como funciona o sistema parlamentar na África do Sul e sobre a queda do presidente Zuma”, diz David Zagury, 24 anos, do 7o semestre de Relações Internacionais da FAAP. “Não há uma análise mais precisa e sem filtro do que essa”, resume. A aluna francesa Hanane Zouaghi, 22, da Universidade de Le Mans, concorda: “Gostei de saber o que estava acontecendo em cada nação pelo ponto de vista dos colegas. Em especial, adorei o trabalho sobre as eleições presidenciais no Brasil e o relato dos brasileiros sobre esse tema. Foi um grande aprendizado”, diz. A colega sul-africana Thulisa Mari, 22, acrescenta: “Ouvir a respeito dos processos de impeachment que aconteceram no Brasil foi muito interessante. E não só isso. Tivemos a oportunidade de fazer perguntas uns aos outros para esclarecer dúvidas. Foi um privilégio ter estado numa sala de aula com esse tipo de interação”.

OLHARES DE FORA

Marcelo Favalli, 39, é editor de internacional e apresentador do BandNews TV e um dos alunos “de fora” da FAAP – a Fundação abriu o curso de extensão para outros interessados. Ele também exalta a iniciativa. “Participar de um curso em tempo real com vários países, incluindo as duas metades do globo (hemisfério norte e sul), faz toda a diferença. A troca de informações e de ideias ajuda a acabar com alguns mitos”, diz Marcelo, que diz ter ficado surpreso ao longo do curso quando, por exemplo, a Universidade de Le Mans, na França, explicou as intenções separatistas das Córsegas. “Eu não sabia desse movimento específico separatista na Europa. Nem sobre o avanço de uma epidemia bacteriana na África do Sul, relatado pela Universidade de Pretoria. Como esses assuntos são de pouco interesse dos jornais internacionais, só tomei conhecimento desses temas por causa do curso”, diz. Já para o aluno Charles Noetzel, 73, da Universidade de Akron, o Global Classroom foi fundamental para ter uma percepção melhor sobre o mundo. “Como indivíduos, nós temos que aprender a desenvolver um melhor entendimento sobre outras culturas, outros processos políticos e outros estilos de vida. Essa aula foi perfeita para isso.”

O auditório lotado conectado às outras quatro salas de aula pelo mundo, interagindo via videoconferência nos telões

Além de debater assuntos relevantes da semana, a cada encontro uma das universidades trazia um convidado especial para introduzir um tema. A FAAP, por exemplo, recebeu Daniel Gallas, 38, correspondente da BBC no Brasil, para falar sobre eleições presidenciais. “Essa experiência coletiva internacional faz com que todos consigam ter uma compreensão geral de cada país. Vi os alunos debaterem, esclarecerem dúvidas, dialogarem diretamente. Fiquei impressionado”, diz ele.

A FAAP estuda abrir no segundo semestre um novo módulo do Global Classroom, desta vez incluindo mais um continente – a Ásia. “Estamos checando a viabilidade de a Índia ser o novo país participante dessa aula mundial. Será maravilhoso ampliar o projeto para quatro continentes”, diz Fernanda.

O Global Classroom é mais uma iniciativa dentro de um programa extenso de internacionalização que começou na FAAP há mais de 15 anos. A Fundação possui convênios com mais de 380 universidades de 50 países em cinco continentes, que permite o intercâmbio de alunos no exterior e de estrangeiros no Brasil. A Fundação ainda é sede de uma unidade do Instituto Confúcio para Negócios, que promove a língua e a cultura chinesa com foco em business. Paralelamente a isso, a instituição realiza viagens de curta duração – chamadas de missões –, nas quais os estudantes, acompanhados de professores, fazem uma imersão na cultura e política dos países visitados e ainda têm contato com o mercado profissional, indo a empresas e conversando com especialistas.

BATE-BOLA COM O CRIADOR DO PROGRAMA
GERARD AUSTIN, DA UNIVERSIDADE DE AKRON, conta sobre a iniciativa

Gerard Austin

INEDITISMO_ “Em 2016, nós convidamos participantes do Brasil [entre eles, a professora Fernanda Magnotta], Libéria e Índia para acompanhar os bastidores das nossas eleições. Essa foi a semente desse programa. Com a tecnologia que temos hoje, pensei que poderíamos conduzir uma aula em tempo real envolvendo universidades em diferentes continentes. A partir daí, fomos atrás de parceiros para o programa. Uma aula como essa nunca havia sido feita.”

O BOM DO CURSO_ “Os participantes podem aprender sobre outros países – especialmente sobre a política, o governo e os líderes de cada lugar –, interagir em tempo real com estudantes de várias partes do mundo e fazer novos amigos.”

PARCERIA_ “Ao pensar nos parceiros para este projeto, a FAAP era a escolha mais lógica por causa da minha amizade com a professora Magnotta. Eu sabia que ela entenderia os objetivos deste programa e traria a faculdade como uma excelente representante da América do Sul.”

SURPRESA_ “Fiquei surpreso com a qualidade, diversidade e o background dos participantes do Global. Os alunos da FAAP me impressionaram. Eles são articulados, cheios de opinião e têm insights interessantes.”