Padroeiro da Itália e adorado no Brasil, são Francisco é um dos símbolos de união entre os dois países. no início do ano. Foi ele a razão para que, todo dia, quase 600 pessoas passassem pelo maB-Faap

Não à toa, Francisco está entre os nomes prediletos do brasileiro – mais especificamente, ocupa o sexto lugar na lista do IBGE entre os mais comuns. Bem mais que um rio de quase 3 mil quilômetros, o Velho Chico inspira o tradicionalismo à brasileira, numa busca por simplicidade e amor à natureza. Por isso, quando, em agosto passado, uma exposição inteiramente dedicada a ele desembarcou em Belo Horizonte, a comoção foi sem precedentes – mais especificamente, São Francisco na Arte de Mestres Italianos reuniu 116 mil visitantes em dois meses; um recorde.

São Paulo, SP, Brasil. 02 de abril de 2019. Museu de Arte Brasileira MAB FAAP. Exposição: “São Francisco na Arte de Mestres Italianos” (de 15 de fevereiro a 12 de abril de 2019). Registro do espaço cenográfico e obras. Foto: Fernando Silveira/FAAP.

“Nessa época, eu ainda era vice-embaixador, em Brasília. E, tão logo assumi o consulado geral, em São Paulo, quis imediatamente trazer as obras para cá. Uma cidade que tem alma e coração tão italianos não poderia ficar sem essa ocasião de honra”, conta Filippo La Rosa, cônsul da Itália. “A FAAP, como uma das instituições culturais mais prestigiosas do país, foi o lugar ideal para isso.”

Celita Procopio de Carvalho, presidente do Conselho de Curadores da FAAP, inaugura a exposição ao lado de Guglielmo Picchi, do Ministério das Relações Exteriores da Itália, Antonio Antonio Filosa, da patrocinadora Fiat, e Antonio Bernardini, embaixador italiano.

Compreendendo mais de 400 anos de arte em 18 telas, do Renascimento ao Barroco, nomes como Tiziano Vecellio, Pietro Perugino e Guido Reni lotaram as agendas para visitação guiada e movimentaram a rotina do MAB-FAAP, numa homenagem aos 790 anos da canonização de São Francisco. “Muitas das obras sequer estão disponíveis ao público, pois pertencem a colecionadores. Mas estavam ali, numa oportunidade única. Sem falar da curadoria estrelada [do diretor da Pinacoteca Civica Di Ascoli, Stefano Papetti, e do especialista italiano em história da arte Giovanni Morello, à frente de exposições de arte antiga na Itália, no Vaticano, e em outros países], e do diretor da Pinacoteca Civica Di Ascoli, Stefano Papetti”, ressalta Fernanda Celidonio, diretora do MAB. “Não é todo dia que se tem acesso gratuito a um Tiziano, dentro ou fora do Brasil. Com essa mostra, realizamos nossos grandes objetivos na Fundação: formar público, de forma ampla, plural e com muitas qualidades; 2019 já virou emblema para a nossa história.”