Não tem aluno que passe pela oficina de madeira da FAAP sem ganhar os conselhos do técnico de marcenaria

Santo Bonilha tira da mala um álbum e mostra orgulhoso as fotografias. São recordações que ele guardou ao longo dos 28 anos ajudando os alunos a criar seus projetos na oficina de madeira. Técnico de marcenaria, ele já viu sair dali cadeiras, mesas, esculturas e até uma bicicleta. “É bom poder ensinar um estudante a tirar uma ideia do papel. Nunca pensei que pudesse fazer isso”, afirma.

Apaixonado pelo assunto, Santo aprendeu a mexer com madeira na prática, na adolescência. Por isso, até hoje se surpreende quando professores de cursos como Arquitetura e Desenho Industrial vêm tirar dúvidas com ele. “Me sinto honrado”, conta.

Santo entrou na FAAP em 1978, depois de a mulher insistir para que ele fosse fazer a entrevista de emprego. A vaga era para trabalhar na parte de manutenção da Fundação. Foi escondido e só contou para a esposa após conseguir o posto. Anos depois, passou a trabalhar com os alunos.

Até hoje, mantém contato com a turma de Desenho Industrial formada em 1990, pela qual nutre um carinho especial. “Eles se reúnem para comer pizza e passam aqui para me buscar”, conta.

Aos 72 anos, Santo descobriu um novo hobby: inventar esculturas e objetos de decoração com sobras de madeira. Não à toa, ganhou o apelido de Gepeto. “Agora, só falta eu criar uma versão brasileira do Pinóquo”, brinca.