Em comemoração pelos 50 anos da Fundação, a FAAP recebeu em 1997 o estilista francês Christian Lacroix, que realizou pela primeira vez fora de paris desfile com sua coleção de alta-costura

Quando se pergunta aos professores e diretores da FAAP do que se lembram da vinda do estilista francês Christian Lacroix à FAAP em 1997, a resposta é uma infindável lista de exclamações: deslumbrante, incrível, maravilhoso. “Foi monumental”, relembra o professor de História da Moda, João Braga. Ele se refere em especial ao desfile de alta-costura e prêt-à-porter de Lacroix, realizado em maio a partir do saguão principal, onde foram montadas passarelas que saíam das escadarias internas e seguiam até o estacionamento na área externa. “Nunca houve um evento tão suntuoso como esse”, complementa o professor Silvio Passarelli, diretor das faculdades de Administração e Economia.

O estilista veio à Fundação a convite de Celita Procopio de Carvalho, presidente do conselho de curadores da FAAP, como parte das comemorações dos 50 anos da Fundação. Além do desfile, o programa contou ainda com uma exposição no MAB e uma aula magna para convidados e alunos da Fundação. Sua vinda à FAAP causou furor no meio da moda brasileira: foi a primeira vez que o estilista aceitou um convite para desfilar suas coleções fora de Paris. Repleto de convidados ilustres, jornalistas e personalidades da moda, como Costanza Pascolato e Gloria Kalil, o desfile trouxe modelos das coleções de alta-costura, prêt-à-porter, Bazar (de roupa esporte) e Jeans. “Seu desfile foi incrível, o mesmo que ele tinha apresentado em Paris uma semana antes. Foi um privilégio tê-lo aqui”, conta Fernanda Celidonio, hoje diretora administrativa do MAB. Na época, ela não era ainda funcionária da Fundação e atuou no evento como tradutora do estilista. “Foi surpreendente trabalhar ao seu lado. Lacroix é uma graça, muito gentil, educado”, relembra.

Os 30 modelos de alta-costura desfilados se transformaram posteriormente numa exposição de uma semana no MAB. “À medida que o desfile foi acontecendo, os trajes foram sendo montados no museu e, quando acabou o desfile – tradicionalíssimo, com a última modelo vestida de noiva –, a exposição foi oficialmente inaugurada no MAB”, lembra Maria Izabel Ribeiro, professora de História da Arte, na época diretora do museu. Além dos trajes, também ficaram expostos croquis e fotos de Alain Charles Beau sobre o processo criativo do estilista. Anos mais tarde, durante comemoração do Ano da França no Brasil, em 2009, o MAB, em parceria com o Centre Nacional du Costume de Scène, de Molins, apresentou outra exposição de Lacroix – a Trajes de cenas –, com cerca de cem figurinos criados pelo estilista francês, e que já percorreram os principais teatros mundiais, vestindo artistas em produções de balé, teatro e ópera.

Nascido em Arles, em 1951, Christian Lacroix costurou estilos e referências de várias épocas, quebrando regras já estabelecidas pela moda. Criou coleções desconcertantes nas quais predominavam o contraste de estilos, as cores marcantes e suas inspirações folclóricas – e audaciosas. Sua marca – a Maison Lacroix, fundada em 1986 e que já pertenceu aos grupos LVMH e Falic – foi vendida em 2009 para um sheik árabe. “Lacroix se afastou da moda propriamente dita, e passou a se dedicar mais aos figurinos de espetáculos, como óperas e balé”, explica João Braga. “E isso tem tudo a ver com sua personalidade marcante. Ele é barroco, dramático. Tudo o que ele faz é um exagero. E lindo.”

À medida que o desfile foi acontecendo, os trajes foram sendo montados no museu e, quando acabou o desfile – tradicionalíssimo, com a última modelo vestida de noiva –, a exposição foi oficialmente inaugurada no MAB (Maria Izabel Ribeiro, professora de História da Arte)

Desfile de alta-costura e prêt-à-porter do estilista, realizado no saguão principal da FAAP