Marcos Moares, coordenador dos cursos de Artes Visuais, explica sobre os processos da Anual de Arte FAAP

Qual foi seu primeiro contato com a Anual e o que mudou na mostra desde então?

A primeira exposição que vi foi na época em que comecei a dar aulas na FAAP, em meados dos anos de 90. A Anual possuía uma estrutura diversa, em que trabalhos de diferentes áreas, como arquitetura, design e artes eram expostos juntos. Era uma mostra com a ideia de apresentar a produção dos alunos, mas como um visão menos preocupada com a dimensão profissional da exposição. A partir de 1999, no entanto, a comissão que se encarregou de administrar a Anual naquele ano optou pelo formato que deu origem ao que hoje é, com um processo de seleção mais rigoroso e trabalhos voltados exclusivamente às artes visuais. Há uma preocupação em dar visibilidade extramuros a uma produção interna que se mostra bastante significativa, e apresentar essa produção é relevante tanto para os alunos como para os cursos. No início dos anos 2000, para se ter uma ideia, cada exposição chegava a ter 11 mil, 12 mil visitantes, um público que, naquela época, era superior ao de muitas instituições.

Quais são os critérios que norteiam a seleção dos projetos?

A ideia é pensar nesses trabalhos por aquilo que eles têm de potencialidade. Não buscamos apenas inovação e originalidade, mas compreender de que forma os alunos utilizam ensinamentos sobre técnicas e linguagens para ir além desse aprendizado dos meios e desenvolver – ou pelo menos esboçar – uma linguagem pessoal.

Professor Marcos

Como são formadas as comissões de seleção e de premiação?

A primeira comissão desde que se optou pelo novo formato era responsável tanto pela seleção quanto pela premiação, o que significava trazer dois ou três profissionais de fora para selecionar e premiar os trabalhos. Ficou claro, no entanto, que uma comissão externa sempre buscava nas obras o mesmo nível que seria exigido em um salão profissional e muitos trabalhos que ainda eram incipientes, mas que possuíam potencialidade, acabavam de fora. Por isso, optamos por montar duas comissões diferentes. A de seleção passou a ser formada por dois professores, indicados pelos próprios alunos; um representante nomeado pela Fundação Armando Álvares Penteado; e outro indicado pela Coordenação de Artes Visuais. Já na de premiação, convidamos três pessoas ligadas ao circuito de arte de forma geral, como curadores, diretores de museus, críticos e artistas. É uma maneira de fazer conexões entre as diferentes perspectivas e dar aos alunos a possibilidade de ter seu trabalho visto por olhares distintos.

Qual é o segredo para a permanência da Anual em todos esses anos?

Acredito que essa longevidade pode ser justificada pela crença da instituição em um programa como esse. É um programa relevante tanto para a FAAP, como para os alunos, como para a cidade, já que hoje a Anual faz parte do calendário de exposições de São Paulo. Afinal, são 55 anos, 50 edições. Durante algum tempo, inclusive, a Anual ganhou o apelido nos meios jornalísticos de celeiro das artes no Brasil. Ela sempre teve essa dimensão de apresentar novos artistas, o que significa também que os artistas que foram vistos aqui puderam ter essa inserção em outros lugares.

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