Organizado pela FAAP, o Encontro Nacional de Estudantes de Relações Internacionais chegou à sua 20ª edição reunindo estudantes de todo o país e nomes importantes do cenário político, como Marina Silva e um dos principais teóricos de R.I. no mundo, John J. Mearsheimer

Mais de 1.300 jovens de todo o país se espalham pelos corredores e auditórios do centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. É ali que acontece a 20ª edição do ENERI, o Encontro Nacional de Estudantes de Relações Internacionais, considerado o maior congresso de R.I. do Brasil e que tem mais participantes em toda a América Latina. Realizado anualmente, o evento possui sede rotativa: a cada edição, uma faculdade se responsabiliza pela sua realização. Este ano, a FAAP esteve à frente da organização e trouxe à tona o debate sobre o tema Desafios da Multipolaridade. “O participante pôde completar em poucos dias um curso que normalmente levaria anos para fazer. Tratamos de assuntos como o relativo declínio dos EUA, a ascensão da China, o aparecimento de novos grupos emergentes, por exemplo”, diz o embaixador Rubens Ricupero, diretor do curso de Economia da FAAP.

Equipe da coordenação formada por alunos da FAAP (Fernando Silveira/FAAP)

Esta é a terceira vez que o evento é realizado pela Fundação. A primeira delas aconteceu em 2008, em Ribeirão Preto, e a outra em 2011, também em Brasília. “Damos todo o apoio e estímulo para que nossos estudantes se envolvam com o ENERI. Temos a consciência de que organizar um evento como este é uma forma de aprendizado extraclasse inigualável”, comenta Luiz Alberto de Souza Aranha Machado, vice-diretor do curso de Economia. Raphael Camargo, ex-aluno da FAAP e assessor internacional do Governo do Estado de São Paulo, concorda. “Minha experiência como secretário-geral do ENERI contou bastante para o meu crescimento profissional. Hoje, a trabalho, alguns embaixadores se lembram de mim e falam sobre o evento”, conta.

Ao longo dos dez meses que antecedem o encontro, os alunos ficam responsáveis por administrar o orçamento, elaborar o quadro de palestrantes – além de convidá-los um a um – e montar a programação. “Foi surpreendente a atuação dos alunos da FAAP. Acompanhei o processo e, desde o ano passado, já estava tudo pronto”, conta Pedro Mariano de Azevedo, presidente da Federação Nacional dos Estudantes de R.I., que representa os alunos e coorganiza os ENERIs.

Mesa sobre Direitos Humanos com a participação dos professores Camila Asano e Igor Alves (Fernando Silveira/FAAP)

Uma das conquistas desta edição foi a presença do professor americano da Universidade de Chicago John J. Mearsheimer, autor do célebre A tragédia da política das grandes potências, que esteve no país pela primeira vez. “O principal motivo pelo qual aceitei o convite foi a vontade dos estudantes brasileiros em me ouvir. Nunca escrevi sobre o Brasil nem estive aqui antes e, mesmo assim, eles se interessam pelo meu trabalho. Isso já me pareceu motivo suficiente para participar do evento”, revela o teórico, enquanto é abordado pelos congressistas para fotos e autógrafos.

Professor Luiz Alberto de Souza Aranha Machado, vice-diretor do curso de Economia, e Marina Silva, no encerramento do encontro (Fernando Silveira/FAAP)

Durante quatro dias, os estudantes puderam ouvir 44 palestrantes – entre eles 14 embaixadores nacionais e internacionais, como Gelson Fonseca Jr. e Jamal Khokhar, do Canadá – e conhecer de perto órgãos como Itamaraty, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. “Será difícil um futuro ENERI igualar, quanto mais superar o rico programa que tivemos este ano. Além de inúmeras mesas, seminários e palestras individuais, não se poderia esperar uma inauguração melhor do que com um discurso do ministro Mauro Iecker Vieira, das Relações Exteriores, e o encerramento com uma palestra de Marina Silva”, conta Ricupero. Fernanda Magnotta, coordenadora do curso de Relações Internacionais, que acompanhou a equipe organizadora de perto, faz coro. “O encontro foi a cara da FAAP: estrutura e networking aliados a conteúdo e discussões de alta qualidade.”

Frente a frente

Recebido como ídolo pop, o professor da Universidade de chicago John J. Mearsheimer, 
um dos grandes nomes da academia internacional, conta sobre a sua primeira visita ao Brasil

John J. Mearsheimer, professor da Universidade de Chicago, durante sua palestra (Fernando Silveira/FAAP)

O senhor se surpreendeu com a recepção dos brasileiros?

Sim e não. No primeiro momento sim, ao ver que sabiam muitas coisas sobre mim e eram fãs do que eu escrevia – apesar de nem sempre concordarem comigo [Mearsheimer tem uma teoria cética e realista do mundo contemporâneo]. Mas, por outro lado, reconheço que a era da internet nos faz viver, de fato, em uma vila global. Estudantes no Japão ou no Brasil leem as mesmas coisas. E, se estudam R.I., eu faço parte dessa bibliografia. Mas posso dizer que, assim como os brasileiros, também estava ansioso para encontrá-los.

Percebe diferenças entre os estudantes dos EUA e os do Brasil?
Acho que há pequenas diferenças no tema da política internacional. São duas culturas diferentes, então é normal que isso aconteça. Mas estou impressionado com o Brasil, um país grande e dinâmico. Às vezes, quando viajo para palestrar, me sinto mais no meu lar intelectualmente em países estrangeiros do que nos Estados Unidos.

Qual a importância de falar com os jovens?
Tenho uma responsabilidade social de falar com esses estudantes, seja nos Estados Unidos ou fora de lá. Eles vão crescer como cidadãos e, em alguns casos, se tornarão líderes em seus países. Por isso, é importante que tenham uma educação de primeira sobre política internacional. A função dos artigos acadêmicos é pensar pelo aluno e eles cumprem bem este papel. Mas a oportunidade de estar frente a frente com eles faz com que possam descobrir seus próprios argumentos.

A questão do desenvolvimento sustentável é um desafio de todos. Vejo o ENERI como um espaço privilegiado para esse tipo de discussão — Marina Silva, política e ambientalista

O olhar do secretário-geral

Aluno do 7º semestre de R.I., Victor Grinberg fala sobre o evento do qual participou ativamente

“Sugeri que a FAAP organizasse um novo ENERI depois de ter participado do encontro de 2013. Não conseguia tirar da cabeça a ideia de fazer algo maior, com a cara da Fundação. Conversei com o embaixador Rubens Ricupero, com os professores Machado e Fernanda Magnotta, e definimos o tema. Lançamos nossa candidatura e, após vencer a dura eleição, começamos a criar o conteúdo e a montar o orçamento. Para mim, a maior conquista do evento foi o produto final: uma equipe excepcional, um incrível grupo de palestrantes e a presença de mais de 1.300 colegas internacionalistas. Ganhei uma experiência profissional muito grande. Além de ter descoberto uma habilidade de gestão enorme, estive à frente de todos os processos, desde o contato direto com os palestrantes e com órgãos muito importantes, como o Ministério de Relações Exteriores. Acredito que, ao topar organizar um evento deste porte, a FAAP faz um investimento na comunidade de R.I. de todo o Brasil. Não é só o nome da faculdade. Estamos levando o nome do ENERI para a frente. Essa é a diferença.”

Mapa | Roteiro do ENERI

Os estudantes visitaram as principais instituições de brasília

Ulysses Guimarães
O ENERI se concentrou em um dos maiores centros de convenções do país, onde aconteceram 36 palestras

Itamaraty
Os estudantes conheceram o espaço e ainda participaram de uma palestra sobre a democratização do conhecimento das relações internacionais

Instituto Rio Branco
Como muitos alunos sonham com a carreira diplomática, a visita à escola que forma os diplomatas brasileiros foi disputada

Congresso Nacional
Durante a visita, os alunos foram recebidos na Câmara dos Deputados pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa

Palácio do Planalto
“É incrível a chance de ver como funcionam as estruturas da capital do país”, ressalta Mariane Flores, aluna do 3o semestre de R.I. da FAAP, durante a visita

Supremo Tribunal Federal
Os alunos foram recepcionados no famoso Salão Nobre, onde chefes de Estado costumam ser recebidos