O cineasta israelense Amos Gitaï abriu a 28a mostra internacional de cinema de São paulo na FAAP, em 2004, e ainda teve a sua obra exaltada em um livro e em uma exposição fotográfica com cenas de seus filmes

Em 2004, o curso de Cinema da FAAP estabeleceu uma parceria com a 28ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo para realizar a exposição Amos Gitai: Percursos, originalmente preparada e exibida no Centro Georges Pompidou, em Paris. A obra do cineasta israelense foi remontada em mais de 30 stills (fotografias de cenas de seus filmes), separados em 35 sequências de imagens coloridas. Gitai fez questão de selecionar as cenas mais expressivas de seu trabalho, e as organizou em uma nova narrativa, intercalando paisagens e personagens de sua filmografia.

Conhecido por seus filmes de forte cunho político, ele é formado em arquitetura, mas sempre teve interesse em cinema. Começou a sua carreira filmando documentários, por isso sua obra transita bastante entre este gênero e a ficção. “Sou politizado, tenho opiniões, mas não tento impô-las nem reduzir as contradições que os personagens, como as pessoas, têm. Caso contrário, os filmes envelhecem”, revelou em palestra realizada no Teatro FAAP, com a presença de alunos e convidados, na abertura daquela Mostra.

O livro-catálogo da exposição, lançado pela Cosac Naify, também contou com o apoio da FAAP. O professor e diretor da área de comunicação da instituição, Rubens Fernandes Junior, tem até hoje seu exemplar guardado, com uma dedicatória especial de Gitai
(imagem ao lado). “Ele escreveu que Rubens, em hebraico, significa ‘filho do olhar’. Diante disso, como sou curador e pesquisador de fotografia, concluímos que meu nome tem a ver com aquilo que mais gosto: a fotografia”, lembra ele, que foi um dos responsáveis pela curadoria das duas exposições na 28° Mostra de Cinema: além da do Amos Gitai, a do cineasta Abbas Kiarostami. “Para espanto de todos, um judeu e um muçulmano juntos”, conta. O que separava as duas mostras era um portal bordô (Gitai em um tom claro de bege e Kiarostami em um tom claro de cinza). “Uma solução que, metaforicamente, resolvia uma questão ancestral e diplomática internacional. Os dois adoraram.”