Com professores gabaritados, estúdios de Rádio e TV superequipados e laboratórios práticos, o curso da FAAP forma profissionais prontos para revolucionar um mercado em constante transformação

“Como não vamos mais precisar dos jornalistas se vivemos na era da informação?”, questiona a professora e coordenadora do curso de jornalismo da FAAP, Edilamar Galvão, quando alguém coloca à prova a importância do jornalismo em tempos de bolha digital. A pergunta é um dos fios condutores do curso de graduação da Fundação, que voltou à grade da instituição no primeiro semestre de 2015, depois de um hiato de 36 anos. O desafio tem sido inovar o sistema para formar um novo perfil de profissional, preparado para um mercado que não para de se transformar. “Não queremos moldar os alunos para formatos prontos, mas desenvolver neles a capacidade de descobrir novos caminhos”, complementa Edilamar. O resultado tem sido tão positivo que, mesmo sem ainda nenhuma turma formada, o curso já conquistou nota máxima na avaliação da Comissão de Especialistas do Inep/MEC.

Ninguém está dizendo que papel, caneta e a curiosidade sem-fim para cavar histórias no melhor estilo Cidadão Kane não sejam mais necessários – pelo contrário. Mas hoje é preciso transcender tais características. “Estudamos muito, principalmente o mercado internacional, para montar um projeto atualizado com as demandas”, explica a professora Mônica Rugai Bastos, uma das professoras do curso.

Entre os destaques da grade, estão as aulas de Jornalismo Visual, que engloba vídeos, infográfico e qualquer produção que venha de imagem; e Jornalismo de Dados, assunto urgente neste universo, que ensina como produzir histórias a partir das grandes bases de dados. “São situações comunicacionais novas, criadas para atender os alunos exigentes e muito diferentes do passado”, aponta o professor Rubens Fernandes Junior, diretor do curso de Comunicação e Marketing.

Para atendê-los, a aposta é em turmas pequenas – no máximo 20 alunos – e um corpo docente com profissionais gabaritados do mercado, caso de João Gabriel de Lima, editor executivo do Estadão na área de inovação. Para a estudante do 4o semestre Marina Verenicz, 27 anos, esse contato mais direto com os professores faz toda a diferença: “O acolhimento deles me impressionou. Somos recebidos de uma forma muito próxima, eles conhecem nosso texto”.

Além de investir na escrita, houve a preocupação de apostar no lado empreendedor, imprescindível para o profissional contemporâneo. “Nosso formando tem que saber escrever e apurar, claro, mas também ter visão de negócio”, explica Mônica. Tal cultura aparece ao longo de todo o curso e, principalmente, em disciplinas como Marketing Estratégico para Comunicação, Práticas Administrativas para Empresas Jornalísticas e Inteligência de Mercado.

Os estúdios de Rádio e TV e Cinema ficam disponíveis para os alunos de Jornalismo, para que eles possam produzir conteúdo em diferentes linguagens

Infinitas possibilidades

Outra grande vantagem para o aluno de Jornalismo é estar dentro de um campus repleto de outros cursos – todo aluno da FAAP pode se matricular em até quatro disciplinas por semestre de qualquer modalidade sem custo adicional. “No jornalismo, uma formação mais generalista, isso é especial. É a chance de se aprofundar em assuntos específicos”, aponta Edilamar. O jornalista com passagens por revistas como Época e Bravo e hoje professor da graduação, João Gabriel de Lima, complementa: “O jornalista é alguém que se abre. Interagir com todos esses segmentos dentro de uma instituição que abriga nomes relevantes é muito positivo”.

Em tempos de multimídia, melhor ainda é estar inserido dentro do curso de Comunicação e Marketing, referência na área desde sua criação, em 1967. Na prática, isso significa que os alunos podem usar os superequipados estúdios da Fundação, como os de Rádio e Televisão e o de Cinema. Foi o que chamou a atenção do estudante do 4o semestre Diego Bonetti, 34, na hora de escolher sua segunda faculdade – ele é formado em publicidade. “A FAAP é reconhecida por ter a melhor estrutura e recursos.” Hoje, Diego faz boletins diários na Rádio FAAP e é um dos comentaristas do programa esportivo No tempo do jogo, único ao vivo da TV FAAP. “Essas experiências ajudam a nos preparar para o mercado.”

Não queremos moldar os alunos para formatos prontos, mas desenvolver neles a capacidade de descobrir novos caminhos – Edilamar Galvão, coordenadora do curso de jornalismo

Inserir a prática na rotina dos estudantes o quanto antes é, de fato, um dos diferenciais do curso. Além de colocar aulas de reportagem logo no 1o semestre, os alunos têm a chance de viver os desafios da profissão através de um projeto extracurricular chamado LabJor. Comandado pela professora Edilamar, trata-se de um espaço de encontro, debate e pesquisa de temas contemporâneos, uma espécie de redação de revista ou jornal. A cada semestre, os estudantes escolhem um tópico – já teve Lava Jato e Rússia, por exemplo – e vão para a rua apurar, desenvolver e editar reportagens que incluem vídeos do começo ao fim.

As tarefas não têm um formato pré-estabelecido, já que a ideia é testar linguagens, mas seguem um padrão de qualidade. Estudante do 1o semestre, Sabrina Antoun, 18, precisou voltar três vezes a uma feira russa em São Paulo, tema de sua reportagem, para conseguir o resultado exigido por Edilamar (veja esta e outras experiências no box ao lado.) “Busco esse rigor, mas dou liberdade para que os alunos tragam suas propostas. Afinal, eles são os nativos digitais.” A ideia também é fazer com que eles sejam capazes de produzir conteúdo com o que tiverem em mãos, como um celular.

E, apesar de ganharem horas atividade pela jornada, o que vale mesmo é o entusiasmo de ver seu trabalho publicado (acesse faap.br/labjor). Tem dado tão certo que o número de participantes triplicou e até alunos de outras graduações têm buscado o projeto. “Ganhamos uma Redação. As pessoas ficam motivadas a trabalhar lá. Jornalista com um cantinho é um jornalista feliz”, acredita o aluno do 6o semestre Pedro Knoth, 20.

Em ação: a rotina dentro da Redação do LabJor, sempre em busca de novas ideias e pautas para colocar em prática

Olhos bem abertos

Com o intuito de manter os alunos atualizados, outra iniciativa da instituição que se tornou referência são os debates em parceria com grandes veículos como El País, Época e, mais recentemente, Estadão, abertos a quem se interessar, mediante inscrição. “Além de ensinar, é fundamental que a universidade seja um centro de debates. E também é papel dela mostrar isso para a sociedade”, aponta João Gabriel de Lima, que participou desses eventos quando era diretor de redação da Época.

Além de trazer sugestões, os alunos fazem a cobertura das palestras, transmitidas ao vivo na internet pela TV FAAP, e captam material para o LabJor. Mas não são só eles que ganham. “O encontro com estudantes é uma ótima oportunidade de atualizar o repertório e arejar as ideias, além de conseguirmos descobrir o que mais interessa aos jovens no noticiário e o que eles acham que deveria ser mudado”, avalia Beto Bombig, editor executivo do Estadão.

Em novembro do ano passado, a FAAP ainda recebeu a segunda edição do primeiro evento brasileiro focado em jornalismo de dados, o Coda.Br. Foram muitos workshops com autoridades da área, como Momi Peralta, líder do La Nación Data, da Argentina, a mais premiada equipe de jornalismo de dados da América Latina, dispostas a trocar experiências sobre esse mercado. “O encontro faz com que o corpo docente também se renove, se obrigando a olhar o que está acontecendo o tempo todo”, explica Mônica.

Com longa experiência na área, Rafael Sbarai, professor de Pesquisa em Jornalismo da FAAP e responsável pela área de Formatos do Esporte do Grupo Globo, comprova. “Aproximar-se da cultura da inovação de empresas de tecnologia permite fazer uma importante reflexão sobre o curso. Como a FAAP já tinha uma disciplina de Jornalismo de Dados, os estudantes – e os professores – puderam identificar a importância do tema. Seguir por meio de uma lupa o mercado de Google, Apple, Facebook e Amazon já não é uma opção, é uma necessidade.”

E, para quem quiser ir mais fundo nas tendências do mercado internacional, a FAAP possui parcerias com instituições em mais de 28 países. Com todas essas iniciativas, a faculdade promete formar profissionais cada vez mais inovadores, prontos para revolucionar o jornalismo e enfrentar suas inúmeras possibilidades.  “E, claro, manter viva a chama da profissão”, finaliza Bombig.

Alunos contam suas experiências no LabJor

“Tive a oportunidade de entrevistar o Jamil Chade [escritor e jornalista] e fazer uma resenha do seu livro O caminho de Abraão. Já acompanhava seu trabalho antes de entrar no curso e foi um exercício que gostei muito de fazer.” Pedro Knoth_ 20 anos, 6o semestre

“O LabJor nos proporciona a experiência que o mercado de trabalho exige: um profissional que faz de tudo. Tive a chance de entrevistar o Renato Janine Ribeiro [cientista político, filósofo e ex-ministro da Cultura], alguém a quem não teria acesso. Passei por todas as etapas: pensar no roteiro, executar e editar o vídeo.” Diego Bonetti_ 34 anos, 4o semestre

“Ouvir da professora ‘seu texto não está bom’ foi importante. Precisei voltar para a feira russa e aprendi a pesquisar, a insistir e a não confiar em uma única fonte.” Sabrina Antoun_ 18 anos, 1o semestre

“O LabJor possibilita a tentativa e o erro durante o processo. É assim que percebemos qual é a área de que gostamos mais e nos descobrimos jornalistas.” Marina Verenicz_ 27 anos, 4o semestre

A professora Edilamar Galvão, coordenadora do curso

Da cabeça aos pés

A coordenadora Edilamar Galvão aponta as principais características que um jornalista deve ter

PENSAMENTO AMPLIADO_ “É preciso olhar o mundo com curiosidade e estar pronto para descobrir uma história para ser contada em qualquer situação. E enxergá-la a partir de múltiplos pontos de vista.”

RIGOR_ “Essencial em tempos de tantas notícias – muitas delas falsas. Rigor na apuração dos fatos, dados, estatísticas e entrevistas. É o que garante a confiança no trabalho do jornalista.”

EMPATIA_ “Ter a capacidade de sentir a dor e a alegria do outro. Saber ouvir para saber contar.”

CRIATIVIDADE _ “Com tantos recursos tecnológicos num mercado tão competitivo, o jornalista tem de aprender a usar e experimentar esses recursos. E o mercado está ávido por profissionais com propostas criativas.”