Em um movimento inovador, a FAAP investiu no talento de alunos recém-formados e criou 
um grupo de jovens professores. Conheça o projeto e saiba como essa turma 
ganhou o respeito dos alunos - e dos colegas que até outro dia eram seus mestres

Uma sala no primeiro andar do prédio 3 do campus da FAAP reúne um grupo bastante especial. Uma turma seleta de ex-alunos recentemente formados, que deixaram há pouco suas antigas cadeiras de estudante para ocupar uma nova e desafiadora posição: a de professor. Cada um ali se destacou durante a graduação e foi selecionado para entrar no corpo docente da Fundação. Uma iniciativa da instituição, que, em 2010, decidiu apostar e investir na formação de seus próprios professores.

Exatos cinco anos atrás, oito ex-alunos da FAAP foram contratados como professores. Nascia ali o projeto Jovens Professores. Hoje, o grupo conta com 16 ex-alunos de cinco áreas: Comunicação, Administração, Economia, Engenharia e Artes Plásticas. Sob a coordenação inicial dos professores Henrique Vailati Neto (leia entrevista aqui) e Rubens Fernandes Jr., e com a colaboração das diretorias de cada curso, essa turma recebe treinamento contínuo, que envolve desde acompanhar professores experientes em sala de aula até a orientação para a qualificação acadêmica em mestrados e doutorados em diversas universidades. “É importante para nossa formação como professor ter a oportunidade de trabalhar e ao mesmo tempo estudar. Somos contratados em período integral, com horários flexíveis, o que nos permite tanto dar aulas aqui na FAAP quanto desenvolver a nossa carreira acadêmica fora. Um professor é um aluno em uma fase diferente da vida. Sou e serei aluna eternamente”, conta Gabriela Corbisier Tessitore, 30 anos, ex-aluna de Cinema que ingressou, em 2010, na primeira turma do Jovens Professores.

COMO TUDO COMEÇOU

A ideia de fazer um grupo de formação de professores partiu da trajetória pessoal do diretor do curso de Comunicação e Marketing. Ex-aluno, Rubens Fernandes Jr., 60 anos, está na FAAP há quatro décadas. Começou como aluno de Jornalismo, em 1974, e teve a chance de ser monitor do professor que virou seu grande mestre, Isaac Epstein. Logo, ele passou a dar aulas de recuperação e, com o tempo, virou professor titular. Depois, se tornou chefe de departamento, vice-diretor e, desde 1994, dirige o curso de Comunicação e Marketing. Nesse meio-tempo, fez também mestrado, doutorado e atuou no mercado como crítico, curador e dono de agência.

Junto com o vice-diretor Luiz Felipe Pondé e o coordenador João Guedes, Rubens criou no curso de Comunicação e Marketing a disciplina optativa de Iniciação Científica, na qual o aluno poderia se inscrever e desenvolver um projeto de pesquisa. “Passamos a prestar atenção naqueles que se saíam melhor e a selecionar uns cinco alunos para, em um segundo momento, serem preparados para a Iniciação Científica da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo)”, conta o diretor. Porém, com o tempo, Rubens viu que colegas de outras áreas da FAAP também reconheciam a demanda de alunos qualificados para a carreira acadêmica e o quanto a instituição poderia ganhar em qualidade de ensino se passasse a investir na formação desses alunos como futuros professores.

Com o apoio e o aval da mantenedora, o projeto aconteceu. As regras eram claras: entrariam no time os alunos que tivessem êxito em suas pesquisas de iniciação científica, virassem monitores dedicados, conseguissem média final da graduação de no mínimo 8,5 e que já estivessem desenvolvendo projetos de pesquisa para o mestrado em instituições de peso. “Na graduação, fui monitora de algumas disciplinas e também fiz um trabalho científico. Isso me despertou a vontade de seguir a carreira acadêmica”, afirma Vanessa Cepellos, 27 anos, parte do grupo de Jovens Professores desde sua criação, em 2010.

DNA PRÓPRIO

A principal vantagem de investir na formação de novos professores tem sido montar um corpo docente com DNA próprio, que sabe dialogar com o perfil de aluno da FAAP. Com uma faixa etária próxima à dos universitários, os jovens professores conseguem criar maior cumplicidade com os estudantes, tanto na troca de conteúdo quanto na convivência pessoal. Por outro lado, já que têm quase a mesma idade que os alunos, sentem-se desafiados a  conquistar o respeito da turma. “No começo, eles ficam meio cismados, mas, com o tempo, percebem que estamos preparados e temos o que ensinar”, ressalta Alessandra Morau, 32 anos, que trabalha como professora assistente do curso de Design. Para assumirem sozinhos uma sala de aula, seus orientadores têm que dar cartão verde – o que acontece quando percebem que a pessoa está pronta, segura, estruturada. “Nos deram todo um respaldo e preparação para assumir as aulas aos poucos, convivendo primeiramente com professores experientes. Com isso, ganhamos confiança e didática para assumir as turmas”, garante Rodrigo Viana, 35 anos, que dá aulas no curso de Engenharia.

Mesmo bem recebidos pelos professores antigos, adquirir confiança para lidar bem com essa relação, agora de igual para igual, com aqueles que até outro dia eram seus professores, é um processo e tanto para os estreantes. “No começo, só tomava café com os alunos. Me sentia intimidado pelos colegas mais velhos. Mas, com o tempo, fui perdendo o medo e me sentindo mais à vontade com o corpo docente”, conta Rodrigo Serafino, 30 anos, jovem professor do curso de Arquitetura e Urbanismo e Artes Plásticas. “Esse é o percurso natural que todo ex-aluno enfrenta ao virar professor. É só dar tempo ao tempo”, diz o professor Rubens, idealizador do grupo.

Por outro lado, os mais experientes também são positivamente afetados pelo novatos. “Há uma espécie de provocação. À medida que eles chegam, os professores antigos que estão mais acomodados ficam motivados”, completa Rubens. Além disso, os mais experientes ganham mais tempo para cumprir a própria agenda, publicar artigos, viajar para congressos etc. “A gente viaja tranquilo porque sabe que pode contar com a ajuda do jovem professor e que ele vai dar conta do recado”, diz Rubens.

MISTURA BOA

Além da convivência com professores mais experientes, outro ponto fundamental do projeto é que cada um dos 16 integrantes do grupo tem sua mesa de trabalho em uma sala multidisciplinar criada especificamente para integrá-los, muitas vezes em um lugar diferente do prédio onde dão aula ou onde ficam os seus coordenadores. A proposta é que eles ampliem seus repertórios convivendo com colegas de outras áreas, se ajudando em pesquisas e na preparação das aulas. “Esse grupo é sinônimo de ampliação de horizontes. Passei a considerar outras áreas, antes negligenciadas por mim, como cultura, moda, administração”, ressalta Fernanda Magnotta, 26 anos, hoje coordenadora do curso de Relações Internacionais.

Igor Alves, 26, colega de Fernanda, teve também uma experiência multidisciplinar bem-sucedida ao montar e apresentar aulas em parceria com Rodrigo Serafino para uma turma de Arquitetura e Urbanismo. “Isso ajuda o professor a dar aulas mais criativas e agradáveis. Além disso, o aluno percebe que está estudando algo que tem muitas interligações com outras áreas bem distintas”, diz Igor.

O programa traz ainda uma outra característica fundamental: “Esse professor seguramente vai tentar fazer mais e melhor, por conta de todo o processo que passou aqui dentro. E vai dar continuidade à formação de novos profissionais qualificados”, diz Rubens.  O grupo é um projeto importante quando se pensa a longo prazo. “Em poucos anos, já estou saindo, vou me aposentar. Mas tem uma equipe preparadíssima e que vai dar continuidade ao legado da FAAP com muita competência”, finaliza Rubens.

1. Gabriela Corbisier Tessitore, 30 anos

“É ótima a convivência com os professores mais velhos. De antigos professores, eles passaram à condição de amigos pessoais. Sempre que me vejo em um impasse, recorro a eles.”

FORMAÇÃO: EM CINEMA, EM 2009.
NO GRUPO: DESDE 2010.
DÁ AULAS: NA COMUNICAÇÃO E MARKETING.
CARREIRA: MESTRE PELA FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS DA USP. ATUALMENTE É ALUNA ESPECIAL
DO DOUTORADO TAMBÉM NA USP.

2. Nathalie Hornhardt, 27 anos

“O maior desafio é disputar a atenção dos alunos com os gadgets, smartphones e tablets, e despertar o interesse da turma pela leitura e por conhecimentos que farão parte do seu repertório de vida.”

FORMAÇÃO: EM RÁDIO E TV, EM 2011.
NO GRUPO: DESDE 2013.
DÁ AULAS: NA COMUNICAÇÃO E MARKETING.
CARREIRA: MESTRE PELA PUC-SP EM MÍDIA, FILOSOFIA E RELIGIÃO.

3. Mariana Setúbal ,25 anos

“É indispensável que o professor, mesmo após anos de estudo, continue capaz de escutar o que o aluno tem a dizer, de maneira a alimentar a troca entre aluno e professor. Isso é o que garante a constante renovação do olhar.”

FORMAÇÃO: EM CINEMA, EM 2011.
NO GRUPO: DESDE 2012.
DÁ AULAS: NA COMUNICAÇÃO E MARKETING.
CARREIRA: FAZ MESTRADO EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO NA PUC-SP.

4. Karina Bousso, 23 anos

“O professor não precisa ser autoridade. Precisa ser colaborador no aprendizado do aluno. Já passei por situações em que a proximidade de idade colaborou para o aluno me procurar para tirar dúvidas sobre outras disciplinas.”

FORMAÇÃO: EM PUBLICIDADE E PROPAGANDA, EM 2012.
NO GRUPO: DESDE 2013.
DÁ AULAS: NA COMUNICAÇÃO E MARKETING.
CARREIRA: FAZ MESTRADO NA PUC-SP EM COMUNICAÇÃO E SEMIÓTICA.

5. Igor Alves, 26 anos

“Vivemos em uma sociedade que exige velocidade, o mercado cobra profissionais ágeis. E muitas vezes as pessoas se contentam com respostas superficiais. O professor de hoje tem o importante papel de humanizar uma sociedade que está desaprendendo a ser humana.”

FORMAÇÃO: EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS, EM 2010.
NO GRUPO: DESDE 2011.
DÁ AULAS: NA ECONOMIA E NA RI.
CARREIRA: PÓS-GRADUADO EM GERENTE DE CIDADE PELA FAAP, ESTÁ TERMINANDO O MESTRADO EM EDUCAÇÃO, ARTE E HISTÓRIA DA CULTURA, NO MACKENZIE.

6. Vanessa Martines Cepellos, 27 anos

“A melhor forma de lidar com o uso de aparelhos em sala é motivar os alunos a utilizar a tecnologia a favor do aprendizado e não torná-la uma vilã. Os alunos podem ter acesso às informações em segundos. Por isso, o papel do professor não se resume a dar respostas sobre o conteúdo, mas incentivá-los a questionar.”

FORMAÇÃO: EM ADMINISTRAÇÃO, EM 2009.
NO GRUPO: DESDE 2010.
DÁ AULAS: NA ADMINISTRAÇÃO.
CARREIRA: MESTRE EM ADMINISTRAÇÃO PELA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS, FAZ DOUTORADO EM ESTUDOS ORGANIZACIONAIS NA MESMA INSTITUIÇÃO.

7. Viviane Renata Franco de Oliveira, 37 anos

“Mesmo que eu tenha me encaminhado para o mercado, sou filha de uma educadora e a possibilidade de ser professora sempre esteve presente em mim.”

FORMAÇÃO: EM ADMINISTRAÇÃO, EM 2008.
NO GRUPO: DESDE 2010.
DÁ AULAS: NA ADMINISTRAÇÃO, RELAÇÕES INTERNACIONAIS E ECONOMIA.
CARREIRA: ACABOU DE INGRESSAR NO DOUTORADO EM ADMINISTRAÇÃO, NA USP.

8. Lívia Paulucci de Freitas, 28 anos

“O respeito do aluno acontece na medida em que o professor se posta de forma adequada em sala de aula. Postura e boa comunicação são essenciais para evitar conflitos. A pouca diferença de idade pode até auxiliar na comunicação, mas não é capital.”

FORMAÇÃO: EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS, EM 2009.
NO GRUPO: DESDE 2011.
DÁ AULAS: NA ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA.
CARREIRA: FEZ MBA EM GESTÃO DE NEGÓCIOS E ESTÁ FINALIZANDO O MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO, NA USP.

9. Fernanda Magnotta, 26 anos

“O que faz um professor ser inesquecível é a paixão com que trata a sua missão, a dose de convicção pessoal, o engajamento moral e a vontade de inspirar os estudantes.”

FORMAÇÃO: EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS, EM 2009.
NO GRUPO: DESDE 2010.
DÁ AULAS: NA ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS, ONDE FOI PROMOVIDA A COORDENADORA DO CURSO.
CARREIRA: MESTRE EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS PELO PROGRAMA SAN TIAGO DANTAS (UNESP/UNICAMP/PUC-SP).
EM 2015, COMEÇOU O DOUTORADO NA MESMA ÁREA.

10. Silvye Ane Massaini, 27 anos

“A autoridade não está relacionada à questão da idade, mas sim à forma como a relação aluno-professor é estabelecida. O ambiente da FAAP propicia uma relação muito próxima entre alunos e professores, o que favorece o respeito mútuo em sala de aula.”

FORMAÇÃO: EM ADMINISTRAÇÃO, EM 2008.
NO GRUPO: DESDE 2010.
DÁ AULAS: NA ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA.
CARREIRA: PÓS-GRADUADA EM GESTÃO ESTRATÉGICA DE PROJETOS PELA FAAP,
FAZ DOUTORADO EM ADMINISTRAÇÃO GERAL, NA USP.

11. Rodrigo Serafino, 30 anos

“Hoje, num mundo que cultua o novo e a novidade, sempre é bom valorizar a experiência e aprender com os professores mais velhos. A oportunidade de tomar um café com eles nos intervalos e ouvir suas histórias é incrível.”

FORMAÇÃO: EM ARQUITETURA E URBANISMO, EM 2009.
NO GRUPO: DESDE 2010.
DÁ AULAS: NA ARTES PLÁSTICAS.
CARREIRA: PÓS-GRADUADO EM NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS, NA FAAP.

12. Rodrigo Viana, 35 anos

“A interação professor-aluno é um dos grandes diferenciais da FAAP. Não é apenas uma relação de ensino, mas também de amizade, de cumplicidade. As turmas reduzidas facilitam para o professor conhecer melhor as dificuldades e os potenciais de cada aluno.”

FORMAÇÃO: EM ENGENHARIA ELÉTRICA, EM 2010.
NO GRUPO: DESDE 2011.
DÁ AULAS: NA ENGENHARIA E NO COLÉGIO FAAP.
CARREIRA: APÓS EXPERIÊNCIA NA INDÚSTRIA, COMO NA NESTLÉ, RESOLVEU SEGUIR A CARREIRA ACADÊMICA. HOJE, FAZ MESTRADO EM ENGENHARIA ELÉTRICA, NA USP.

13. Alessandra Cristina Bonilha Morau, 32 anos

“Os alunos são atualizados, exigentes e curiosos. Eles procuram por uma educação mais dinâmica e inovadora.”

FORMADA: EM MODA, EM 2004, E DESIGN DE PRODUTO, EM 2010.
NO GRUPO: DESDE 2013.
DÁ AULAS: NA ARTES PLÁSTICAS.
CARREIRA: PÓS-GRADUADA EM DESIGN DE INTERIORES, NA FAAP.

14. Amanda veit Braune, 24 anos

“A convivência com os professores mais antigos é essencial. A maioria deles se mostra bastante receptiva com o grupo, relatando suas experiências. Meus professores daqui são minhas maiores inspirações.”

FORMAÇÃO: EM ENGENHARIA QUÍMICA, EM 2012.
NO GRUPO: DESDE 2013.
DÁ AULAS: NA ENGENHARIA E NO COLÉGIO FAAP.
CARREIRA: CONCLUIU A ESPECIALIZAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, NA FGV.

15. Pedro da Costa Lima, 26 anos

“Ministrar aulas é uma grande fonte de aprendizado, tanto na preparação quanto na apresentação. Tenho muito interesse em desenvolver projetos inovadores e contribuir para que a FAAP se destaque sempre entre as melhores do país.”

FORMAÇÃO: EM ENGENHARIA CIVIL, EM 2013.
NO GRUPO: DESDE 2013.
DÁ AULAS: NA ENGENHARIA E NO COLÉGIO FAAP.
CARREIRA: CURSA A PÓS-GRADUAÇÃO DE GESTÃO ESTRATÉGICA DE PROJETOS NO CURSO DE ENGENHARIA DA FAAP.

Bruno Alvarez Ferreira Ignácio, 30 anos

“O aluno da FAAP demonstra um perfil empreendedor, interessado em realizar novos negócios. O professor que quiser atrair a atenção do aluno deve se atualizar regularmente na forma e no conteúdo ministrado,
e simular situações do cotidiano.”

FORMAÇÃO: EM ADMINISTRAÇÃO, EM 2005.
NO GRUPO: DESDE 2010.
DÁ AULAS: NA ADMINISTRAÇÃO, ONDE FOI PROMOVIDO A COORDENADOR.
CARREIRA: FAZ DOUTORADO EM ENGENHARIA, NA USP.