O artista plástico Rodrigo Sassi expôs em Londres e Paris o que produziu durante a Residência Artística da FAAP na Cité des Arts

A primeira exposição do artista plástico Rodrigo Sassi, 35 anos, em Paris, durante o período em que participou do Programa de Residência Artística da FAAP na Cité des Arts, aconteceu na… lavanderia. “Eu e mais quatro residentes fizemos a proposta para o diretor da Cité, que adorou o projeto”, lembra. A ideia, inédita na residência, surgiu com o intuito de ocupar, com arte, uma área comum dos artistas. “A gente transformou um lugar sem graça em um espaço de convivência e de visibilidade para nossa produção”, conta.

Há 11 anos no mercado, Rodrigo ficou conhecido pelas suas instalações e esculturas. Ex-aluno de Artes Plásticas da FAAP, ele acredita que existe um momento certo para mergulhar em uma residência artística. “A gente não tem tanto tempo no dia a dia para refletir sobre nosso trabalho. Achei que era a hora de buscar novas referências e mudar os ares”, revela.

O que começou com tímidas maquetes no seu quarto-studio se transformou em esculturas grandes, feitas de madeira e cimento armado. A partir daí, ele foi convidado para expor seus trabalhos na Gallery Nosco, em Londres, e acabou prolongando sua estadia na Europa. “Eu já negociava havia algum tempo com eles. O fato de eu estar em Paris, graças à bolsa da FAAP, facilitou as coisas”, explica. Por causa dos contatos na capital inglesa, Rodrigo conheceu a galerista brasileira Maria do Mar, dona da MdM Gallery, e emendou uma outra exposição, desta vez em Paris. “Foi incrível ter conseguido realizar minhas primeiras individuais fora do Brasil.”

UM PROGRAMA

Adorava fazer pedaladas noturnas pelo centro. Dá a impressão de que a cidade se transforma, você se perde muitas vezes e acaba conseguindo ver o espaço com uma outra perspectiva. Depois de um tempo na Cité, a gente aprende que existe um momento de estar sozinho. O meu era nesses passeios.

UMA INSPIRAÇÃO

Meu projeto era pesquisar catedrais góticas. A que mais me impressionou foi a Sainte-Chapelle. Ela é toda murada, então, de fora, a gente não consegue ter noção de como ela é impactante. Há vitrais de 3 metros cercando a igreja toda. A sua sala principal é toda colorida e você ainda pode subir na torre. É fantástico.

UMA PESSOA

Nanda Janssen, crítica de arte e curadora holandesa. Ela escreve para revistas europeias e faz algumas curadorias. Há um ano está em residência fazendo um trabalho sobre a Cité des Arts. Nesse tempo, criou um blog sobre exposições que acontecem na residência (atelierholsboer.wordpress.com). Ela escreveu sobre um trabalho meu e acabamos nos tornando amigos. No fim de semana, juntávamos um grupo de artistas e fazíamos um tour por galerias e museus próximos a Paris.

UM MOMENTO

Minha exposição na Gallery Nosco (www.gallerynosco.com) em Londres foi muito bacana, porque é uma cidade de onde saíram grandes escultores. Tive a chance de expor meus trabalhos: esculturas feitas de formas de concreto armado e gravuras feitas a partir de sobras de madeira.

AS RESIDÊNCIAS

Criado em 1997, o Programa de Residência Artística da FAAP na Cité des Arts envia, a cada semestre, um participante – seja aluno, ex-aluno ou professor da Fundação – para produzir um projeto de arte em Paris. Nos mesmos moldes, a Residência Artística FAAP, que está instalada no Edifício Lutetia, em São Paulo, recebe artistas estrangeiros e abriga exposições de arte temporárias.

SAIBA MAIS:
www.faap.br/residenciaartistica

PROJETO DA CAPA

EU ESTOU LÁ

Este registro do cotidiano de Pequim faz parte do ensaio Sentido (não) figurado, da fotógrafa Elisete Borim. Aluna da pós-graduação da FAAP, ela viajou à China no ano passado, acompanhando a missão dos alunos do Instituto Confúcio. “Foi uma viagem rica em experiências”, lembra Elisete. “Não sabia ao certo o que registrar, mas tinha clareza de que não voltaria somente com imagens de lugares turísticos já tão conhecidos. Queria que minhas imagens dessem conta da sensação do ‘estar’ lá.” Esta foto foi tirada numa manhã de verão, quando a fotógrafa caminhava pelas ruas estreitas de um dos mais tradicionais bairros de Pequim, Shengou Hutong.

Mais sobre a artista: www.eliseteborim.com.br