Formado em cinema, Gregorio Graziosi aproveitou a estrutura da FAAP para criar filmes que rodaram o mundo em festivais

Gregorio Graziosi, 32 anos, já era quase um veterano do Cinema quando, em 2008, iniciou seu TCC na FAAP. Seus três curtas anteriores, elaborados durante a faculdade, tinham conquistado feitos que poucos diretores com anos de estrada têm a chance de ostentar: convites para exibição em diversos países, prêmios nacionais e internacionais e até participação no Festival de Cannes, um dos mais prestigiados no mundo. A trajetória de sucesso foi sendo construída durante o curso. “Aproveitei muito a infraestrutura da FAAP e encarei cada trabalho como uma possibilidade valiosa de filmar e experimentar técnicas e linguagens”, conta. Foi assim, por exemplo, com um exercício feito para a disciplina História do Cinema, logo no primeiro ano. Gregorio se empenhou tanto, que foi premiado no Festival do Minuto, competição nacional destinada a filmes de 60 segundos e que já consagrou cineastas como Fernando Meirelles e Anna Muylaert.

Filho de arquitetos, o diretor costuma trazer o tema para dentro da história. O curta-metragem Mira, seu TCC na FAAP, é um bom exemplo desta sua conexão com o mundo das pranchetas. Nele, um fotógrafo vivido pelo ator Julio Andrade procura traços do cineasta Michelangelo Antonioni na arquitetura de Oscar Niemeyer. “Foi um trabalho importante, pois me ajudou a encontrar meu estilo e inspirou tudo o que veio depois. E a FAAP me incentivou muito, dando toda a liberdade para criar sem medo do erro”, afirma ele, que cita o orientador Humberto Neiva como um grande parceiro na troca de ideias durante todo o processo. “Trabalhar com o Gregorio foi bom porque nosso papo era de igual para igual. Ele chegou muito seguro do que buscava”, lembra Neiva, que que ajudou a distribuir o filme e o colocou em circuito no Espaço Unibanco, depois de sua participação no respeitado Festival de Locarno, na Suíça.

Além do professor, outras pessoas importantes durante o TCC firmaram parceria em projetos posteriores do cineasta. O professor Mario Saladini, uma espécie de orientador informal do trabalho, segundo Gregorio, assina a direção de arte de Obra, seu primeiro longa-metragem, que traz nos papéis principais os atores Irandhir Santos e Julio Andrade. O bem-sucedido filme, que rodou o mundo em premiações como o Festival de Toronto e o Havana Film Festival, conta ainda com a participação de André Brandão, ex-aluno da FAAP e vencedor do prêmio de melhor fotografia no Festival do Rio. “Conheci na faculdade a maior parte dos meus amigos e da equipe com que trabalho até hoje.” É com essa turma que Gregório se prepara para filmar seu novo longa, desenvolvido durante uma residência de seis meses promovida pelo Festival de Cannes para diretores selecionados, em Paris. Alguém duvida que vem mais prêmios por aí?