Formada em design de produto, Sabrina Vasconcellos sonha em criar um aparelho para registrar momentos marcantes da memória humana

Foi durante uma conversa com a sua avó que Sabrina Vasconcellos teve um insight para o seu projeto de TCC em Design de Produto. “Ela estava me contanto sobre uma história da sua juventude, era tudo tão maravilhoso, que eu queria estar ali para ver exatamente o que ela viveu”, lembra. Foi assim que ela teve a ideia de desenvolver um modelo que, em teoria, poderia registrar momentos marcantes da nossa memória, a partir de ondas cerebrais. “O aparelho captaria os picos de emoção da pessoa, acionaria uma câmera e gravaria aquela experiência”, explica.

Para isso, Sabrina precisou se aprofundar no funcionamento do cérebro humano no estado da emoção. Leu vários livros sobre neurociência, depois se aprofundou em tecnologia, para poder tornar o produto viável. “Com base em toda minha pesquisa, desenvolvi o modelo de um aparelho que ficaria preso na orelha, com um eletrodo sempre em contato com a têmpora, um dos locais ideais para captar as ondas beta, que registram emoções”, diz.
O forte embasamento teórico foi um dos pontos altos do trabalho, muito elogiado pela banca avaliadora. “Fiz intercâmbio pela FAAP e estudei durante seis meses na School of Media, Design and Technology, na University of Bradford, na Inglaterra. Aprendi muito com uma disciplina que era voltada para métodos de pesquisa. Isso me ajudou durante o TCC”, conta.

Umas das principais questões que a ex-aluna gostaria de responder em seu TCC era: como usar a tecnologia para conectar as pessoas de forma real? “Hoje, as pessoas usam as mídias sociais para se relacionar, mas não compartilham as coisas que realmente sentem. Com este aparelho, não daria para mentir. O que de fato te trouxesse emoção é que seria registrado.” O professor Fabio Righetto, orientador do projeto e hoje diretor do curso de Artes Plásticas, destaca a dedicação da aluna ao longo do processo. “Se lia sobre uma nova informação, que contradizia o que vinha fazendo até ali, não tinha medo de recomeçar”, diz Righetto.

Aurora foi um dos dez projetos selecionados para fazer parte do catálogo do W Design, que registra e premia a produção arquitetônica e do design contemporâneo nas mais diferentes regiões do Brasil e tem uma parte voltada para trabalhos universitários de todo o país. Além disso, Sabrina também foi convidada para voltar à Universidade de Bradford para dar uma palestra para os alunos sobre a sua experiência. Formada em 2014, a ex-aluna deseja seguir na carreira acadêmica e, quem sabe um dia, voltar à FAAP, mas agora como professora.