Guilherme de Freitas aproveitou o projeto do TFG para pensar em soluções para um complexo de edifícios abandonados em sua cidade

Formado em Arquitetura e Urbanismo em 2016, Guilherme de Freitas conta que a ideia para o projeto do TFG surgiu de repente, em uma aula sobre Técnicas Retrospectivas, na FAAP. “O professor disse que o arquiteto tinha de buscar soluções para problemas que fizessem parte do nosso cotidiano e que despertassem alguma angústia pessoal”, lembra. Imediatamente, o pensamento de Guilherme se transportou para a cidade Jundiaí, no interior de São Paulo, onde ele morava. Mais especificamente para o Complexo Fepasa, onde existia uma antiga companhia de trens, construída no final do século 19, e que se encontra, em grande parte, em ruínas. “Os edifícios deteriorados sempre me chamaram a atenção e me incomodavam. Tive o estalo pra começar a pensar em um projeto de requalificação urbana daquele espaço.”

Ele passou a se aprofundar na história local e a desenvolver uma pesquisa profunda sobre a área. “Tive a sorte de uma amiga do meu pai ter feito um trabalho sobre o complexo, a Tatiana Domingos. Ela me forneceu muito material, como desenhos de 1890 em alta resolução, o que me ajudou muito”, diz. A partir dali, Guilherme criou o seu método de trabalho: esqueceu da parte formal, no primeiro momento, e focou na parte conceitual. “Elegi a palavra ‘conexão’ como conceito de meu trabalho. Minha ideia é conectar pessoas a pessoas, lugares a lugares e lugares a pessoas, tendo o tempo como plano de fundo – no passado, presente e futuro”, explica.

Nos 110 mil metros quadrados, desenvolveu o projeto de um grande complexo cultural, que pudesse ser integrado a uma nova estação de trem e aos estabelecimentos que ainda funcionam ali, como uma escola e uma rede de serviços.“O grande mérito do trabalho do Guilherme é que ele aborda a questão da preservação do patrimônio, tema bastante atual, mas acrescenta a linguagem contemporânea. Contrapor essas duas linguagens valoriza mais ainda o projeto original”,
comenta José Borelli Neto, orientador do TFG. “Tenho consciência de que meu trabalho é mais acadêmico do que de merca do. Só para fazer a cobertura, que é uma das intervenções que fi z, o investimento seria gigantesco. Quero poder desenvolvê-lo mais, para provocar outras discussões dentro do ambiente acadêmico”, conta ele, revelando sua vontade de seguir o mesmo caminho do pai, professor do curso de Design na FAAP. “Ele sempre foi minha grande inspiração.”