Um tour pelo centro de São Paulo com os alunos de relações públicas

Sem paredes nem mesas ou cadeiras. A professora Vivian Blaso, do curso de Relações Públicas, faz questão de realizar muitas das suas aulas fora do ambiente acadêmico. São visitas a empresas, projetos ao ar livre, tour pelas ruas de São Paulo. “A cidade comunica o tempo todo. Um bom profissional de RP tem de saber interpretar o que acontece à sua volta”, diz ela, que criou as atividades após perceber a vontade dos alunos em vivenciar, na prática, as teorias aprendidas em sala de aula.

Uma das mais marcantes foi para a disciplina Seminários e Tendências de Comunicação: um passeio dos alunos pelo Centro de São Paulo, em uma parceria com o coletivo Expressão Urbana SP, que promove caminhadas por locais relevantes da capital, sempre direcionado ao público jovem. “Nosso enfoque foi discutir, a partir da arte urbana, da arquitetura, de patrocínios de espaços públicos, como a cidade funciona como suporte de comunicação”, diz Renan Simões, um dos fundadores do coletivo.

O tour, que começa no Theatro Municipal, dura mais de três horas. Os alunos são incentivados a discutir e refletir sobre temas diversos, como arquitetura, comunicação, economia, arte – tudo aquilo que pode passar batido se a pessoa não está inserida no contexto e só observa da janela do carro.

Para Vivan, o passeio é importante porque tira os alunos da zona de conforto, acostumados a observar o mundo pelo universo digital. “A relação com a cidade desperta características fundamentais a todo profissional de comunicação: capacidade crítica, o exercício das percepções, a ampliação de repertório… Costumo falar que o RP tem que ser um bom gestor de conflitos cotidianos. E, para isso, ele precisa estar preparado para lidar com diferentes realidades sociais e comportamentos humanos”, resume a professora.

A experiência também faz coro a um dos objetos de pesquisa de Vivian, o observatório Cidades Afetivas, que estuda, justamente, as relações afetivas, e invisíveis, que as pessoas desenvolvem com o espaço urbano.

PONTO DE VISTA

O aluno Francisco Valente, 21, do 7° semestre de rp, conta o que mais o marcou na atividade pelo centro de São Paulo

 “Faz todo sentido para uma disciplina que investiga tendências ocupar o espaço urbano. Durante um dia, fomos quase como turistas em São Paulo, conhecendo nossa própria cidade. Foi uma imersão antropológica, pois o centro concentra características marcantes de São Paulo, como o aspecto multicultural. Teve um exemplo que resumiu muito bem esse lado cosmopolita da capital: estávamos observando uma construção, que tinha referências portuguesas e espanholas, quando, no exato momento, passou uma família angolana entonando cantos da sua origem.

A cidade é formada por essas diferentes culturas. E isso refletiu no meu relatório final, que baseei na questão de arquitetura e urbanismo do centro. Para mim, o profissional de RP tem de ser um cidadão do mundo e desvendar todos universos que existem numa mesma cidade.”