A artista plástica Ana Mazzei conta como a residência artística da FAAP proporcionou uma grande virada em sua carreira

De volta ao Brasil há pouco mais de um ano, Ana Mazzei ainda avalia as transformações que aconteceram na sua vida desde a experiência da residência artística na Cité des Arts, em Paris. “Até hoje tento entender e dimensionar tudo que passei por lá. Sinto que agora consigo projetar um futuro como artista com mais clareza”, diz a ex-aluna de Artes Plásticas.

Ana faz parte do grupo de artistas que são selecionados semestralmente para participar do Programa de Residência Artística da FAAP na Cité des Arts, em Paris. Iniciado em 1997, ele permite que o participante – seja ele aluno, ex-aluno ou professor de qualquer curso da instituição – desenvolva um projeto de pesquisa ou de trabalho de poética visual naquele centro cultural europeu. “A residência oferece ao artista a chance de deixar sua vida cotidiana em suspenso para, em um ambiente totalmente diferente, mergulhar naquilo que ele realmente é e interagir com o mundo de novas maneiras”, resume o professor Marcos Moraes, coordenador do curso de Artes Visuais da FAAP.

Aos 34 anos, a paulistana acaba de expor quatro trabalhos em lugares diferentes, entre eles Isso matará aquilo, na última Anual de Arte da FAAP, e Se disser que fui pássaro, na Jaqueline Martins – galeria que a representa no Brasil. “A residência me proporcionou uma imersão mais profunda em minha produção e me possibilitou conhecer um outro circuito artístico, com pessoas novas e interesses parecidos com os meus”, finaliza.

3 MOMENTOS MARCANTES

Mão na massa
“Levei para Paris apenas um caderno de desenhos e meia dúzia de livros. Achei que durante a residência eu ficaria muito mais na construção de projetos e pesquisas do que na produção em si. Mas, de repente, me vi cheia de ideias e sem saber onde poderia achar os materiais de arte. Nas minhas andanças pela cidade, fui aos poucos encontrando lojas bacanas, como a Rougier & Plé, e produtos diferentes. Como sou uma artista de ateliê, que gosta de pôr a mão na massa, a descoberta desses lugares foi fundamental para o processo das minhas criações.”

Conexões
“Conheci pessoas incríveis durante a minha estadia na cidade. Fui convidada pelos artistas brasileiros Wagner Morales e Beatriz Toledo a inaugurar o espaço de arte contemporânea que eles criaram em Paris, o La Maudite. A partir dessa exposição, fui apresentada a curadoras importantes, como Estelle Nabeyrat e Dorothée Dupuis, diretora do site Terremoto, de produção contemporânea ligada à arte feminina. E também conheci o Emmanuel Hervé, que acabou se tornando meu galerista em Paris – antes mesmo de ter um no Brasil. Todas essas conexões serviram como um aval muito importante para o meu trabalho.”

Criação Própria
“Ao longo dos seis meses de residência, fiz duas exposições individuais e um open studio, momento em que o residente da Cité des Arts abre seu quarto/ateliê para mostrar sua produção. A primeira delas, Coberto com seu manto cor de açafrão, aconteceu em outubro de 2013, no espaço La Maudite. Expus o trabalho Planta, no qual trabalhei em cima do mapa arquitetônico de Paris e recriei, com ripas de madeira pintadas a guache, detalhes da planta. Continuei interessada pela cidade e montei, na galeria Emmanuel Hervé, 
em janeiro de 2014, a instalação E nós, nós caminhamos desconhecidos 
com peças de cimento.”


Residência em SP

Nos moldes da Cité des Arts, em Paris, foi criada a Residência Artística FAAP, que está instalada no Edifício Lutetia, em São Paulo. O local recebe artistas estrangeiros que estão em residência artística e também abriga exposições de arte temporárias, promovendo a troca de experiências e conhecimentos entre visitantes, alunos e professores (leia mais na pág. 14).

SAIBA MAIS:
www.faap.br/residenciaartistica

Serviços:

LOJAS PREFERIDAS

Boesner: boesnerparis.eu
Rougier & Plé: rougier-ple.fr
Leroy Merlin: leroymerlin.fr/paris-beaubourg

GALERIAS RECOMENDADAS

La Maudite: www.lamaudite.net
Galerie Emmanuel Hervé: emmanuelherve.com

PROJETO DA CAPA

A CIDADE REINVENTADA

Este trabalho faz parte da exposição E nós, nós caminhamos desconhecidos, da artista plástica Ana Mazzei, realizada em janeiro de 2014, na galeria Emmanuel Hervé, em Paris. O evento ocorreu durante sua participação no Programa de Residência Artística na Cité des Arts, em Paris, conveniada à FAAP. Ela usou objetos que achava espalhados pelas ruas da cidade como molde, preencheu todos eles com cimento e montou esta instalação. “Usei de caixas de papelão a embalagens plásticas. Foquei minha busca em objetos que tinham volume e textura interessantes, para criar peças com formas inusitadas”, conta.

Mais sobre a artista: www.anamazzei.net