De programa vocacional para a turma do ensino médio a coaching profissional para universitários, a FAAP oferece um amplo serviço para ajudar o aluno a se encontrar na carreira

“No seu primeiro ano de faculdade, eu reprovei um menino que, nos dias de chuva, saía da aula mais cedo para treinar”, conta o professor Henrique Vailati Neto, na época diretor do curso de Administração da FAAP. O aluno, que fazia o curso obedecendo a vontade do pai, não resistiu muito tempo antes de trocar as aulas pelas pistas de corrida. O resultado? Sagrou-se tricampeão mundial de Fórmula 1, entrando para a história e tornando-se um dos maiores ídolos do país. “Já imaginou se eu tivesse feito Ayrton Senna ser administrador da fortuna do pai dele? [risos]”, diz o professor Henrique.

Após passar 17 anos à frente do curso de Administração – ao todo, ele soma 35 anos de Fundação –, ele é hoje diretor do Colégio FAAP, em São Paulo, onde implementou um amplo projeto de orientação vocacional. “No ensino médio, o maior desafio é a escolha pela carreira. É muito cedo para eles definirem uma vocação; no entanto, é o que se cobra deles. Por isso criamos esse programa”, explica o professor Henrique.

Além dos encontros com especialistas, os alunos têm aulas de inovação, criatividade e empreendedorismo com professores dos cursos. Em uma fase pré-vestibular, podem assistir a aulas no campus. A ideia é que o aluno tenha uma degustação de áreas de conhecimento específicas, que vão de teatro a robótica. “Depois de perceberem que há um rico campo de trabalho onde não imaginavam, muitos alunos passaram a considerar carreiras que não têm atrativos sociais convencionais”, diz ele.

Ex-aluno do colégio paulistano, hoje no segundo semestre de Administração na FAAP, Rubem Garcia Neto é um bom exemplo de como esse programa tem sido positivo. Rubem cogitou fazer Economia. Com o contato que teve com os professores durante o ensino médio, ele conseguiu definir melhor o que queria fazer. “Descobri que gosto muito da área de comunicação e marketing nas empresas. Também passei a gostar muito de inovação e empreendedorismo. Hoje eu estou na área que realmente tem a ver comigo”, diz.

O Colégio FAAP Ribeirão também incentiva o contato dos alunos com as aulas da graduação e com a realidade das profissões, através de orientações vocacionais, palestras, aplicações de testes e visitas a universidades. “O trabalho de conscientização é muito importante para evitar evasões no ensino superior”, diz Luiz Toledo, orientador vocacional do colégio.

Sem uma escolha de carreira consciente durante o ensino médio, essa questão pode voltar com outro peso no futuro. Segundo a coordenadora da Gestão de Carreiras da FAAP, Simone Tavit, é comum receber alunos da graduação que questionam se fizeram a escolha certa.

É o caso de Vinicius Aguado, 26 anos, que deixou a carreira militar como cabo na Força Aérea Brasileira para cursar Administração. “Queria arriscar numa carreira no mundo privado”, explica o aluno do quinto semestre. “As pessoas ao meu redor ficaram com receio, pois eu estava deixando a estabilidade de lado – e o sonho da farda – para entrar em um mercado instável” , diz. Logo no início da graduação, ele foi convidado para uma orientação com os coordenadores do curso – iniciativa de praxe para os alunos novos. Depois, Vinicius passou pelo Departamento de Gestão de Carreiras. “Nosso objetivo é verificar se o aluno está seguro quanto à escolha da graduação e se precisa de algum apoio”, explica Simone. “Eles me ajudaram a refletir se eu tinha a ver com essa área e se não estava jogando fora um grande investimento. Descobri que era Administração que queria.”

Outra iniciativa da FAAP para ajudar esses alunos em dúvida é a parceria pioneira do Departamento de Carreiras com a Sociedade Brasileira de Coaching, que existe desde 2009. Por meio dela, alunos da graduação podem assistir a uma palestra coletiva e, em seguida, ter sessões individuais com profissionais treinados pela instituição. O objetivo é entender por que o aluno escolheu determinada área e quais são os pontos fortes que ele pode utilizar para ter resultados na carreira.

FAMÍLIA X CARREIRA

Além do grande leque de opções de carreiras a ser seguidas, a pressão da família se mostra, em alguns casos, um fator complicador nesse complexo processo de decisão. “Meus pais não queriam que eu fizesse Cinema, acharam que era uma profissão muito incerta”, conta Thais Roque, 22 anos, que depois de um semestre trocou o curso de Publicidade pelo que queria desde a época do vestibular – o de Cinema. “Fui para a Publicidade achando que era o caminho mais fácil de dar certo.” Thais só cogitou mudar de curso após ter aulas de cinema publicitário e ser elogiada pela professora. Antes da troca definitiva, ela experimentou várias aulas do curso de Cinema – na FAAP, o aluno pode cursar até quatro disciplinas de qualquer curso, por semestre, sem custo adicional, por meio do programa de formação múltipla (veja mais na página 55).

Segundo Simone, é comum os pais apresentarem um grau de ansiedade igual ou até maior do que o dos seus filhos durante os estudos, especialmente na fase da graduação. Para lidar com isso, ela recomenda que o aluno pesquise bem sobre o que quer fazer e converse bastante com a família sobre suas expectativas. “Se o aluno argumenta sua escolha com motivos plausíveis, há maiores chances de conseguir apoio familiar.”

Por conta de casos como esse, a FAAP também procura orientar a família quanto à escolha profissional dos filhos. No ensino médio, uma das etapas da orientação vocacional é feita durante as reuniões com os pais, nas quais o professor tenta balancear  as expectativas da família com as do aluno. Já o Departamento de Gestão de Carreiras também atende pais que estejam preocupados com a escolha dos filhos.

DESISTIR OU CONTINUAR?

Laura Chagas, 24 anos, seguiu um caminho diferente. Apesar de ter algumas dúvidas sobre sua escolha – o curso de Relações Internacionais –, ela não desistiu. Ao se formar, decidiu então investir no curs de Economia, outro curso que a interessava. “Não sabia ao certo em qual caminho profissional apostar”, explica. Antes de tomar a decisão, ela consultou professores do curso de Economia. “No fim, achei que valia a pena fazer uma segunda graduação.”

Nem sempre a mudança de área é um rompimento com a anterior. Hoje, duplamente formada, Laura trabalha na área internacional de uma instituição financeira, mesclando os dois bacharelados. De acordo com Simone, para os novatos em dúvida, o aconselhável é persistir até o segundo ano e testar um estágio. “Somente a partir daí ele conseguirá tomar uma decisão mais consciente – e acertada.”

Fui para a publicidade achando que era o caminho mais fácil de dar certo – Thais Roque, que mudou para o curso que queria desde o vestibular, Cinema

Tive que botar tudo na balança antes de tomar a decisão. E a FAAP foi fundamental nesse momento da minha vida – Vinicius Aguado, que deixou a Força Aérea Brasileira para cursar administração

Não sabia ao certo em qual caminho profissional apostar – Laura Chagas, que resolveu fazer R.I. até o fim e depois cursar ecomonia

Descobri que gosto muito da área de comunicação e marketing nas empresas – Rubem Garcia Neto, que cogitou fazer economia e hoje estuda administração

PENSE BEM

Três dicas da coaching Renata Arrepia, da SBC, para quem precisa decidir o futuro

O que deve ser levado em conta na escolha por uma carreira?

O que você gosta de fazer e o que faz bem-feito. Todo mundo tem talento, a única dúvida é como ganhar dinheiro com isso. É neste ponto que temos que trabalhar bem: verificar quais são os seus potenciais e, a partir daí, traçar uma estratégia.

É possível evitar uma desilusão no meio do curso?

Sim. É crucial você ter consciência de onde quer chegar na hora de escolher a carreira. O problema é que as pessoas escolhem os cursos por motivos equivocados e o resultado é muito frustrante – muitos empenham cinco anos em algo que não dará resultado por não ser a atividade certa para si.

Como detectar se a insatisfação com o curso é algo normal da rotina ou que pede por uma mudança?

O coaching trabalha com análise de cenários, com os melhores e os piores. Quando você faz uma projeção para o futuro, você consegue entender o quanto isso é – ou não – momentâneo.