Entenda por que cresce o interesse de empresas de diversos setores em engenheiros de produção – e conheça a visão de quem optou por essa carreira

Quando sentiu que faria sentido para a sua vida ter uma formação mais abrangente, a estudante Karina Perini tomou uma decisão: resolveu trocar Engenharia Química pela Engenharia de Produção. “O curso permite que você desenvolva um raciocínio lógico e também dá noções de gestão”, conta ela, aluna do nono semestre do curso na FAAP e estagiária da petroquímica Braskem.

Assim como Karina, muitos alunos da Fundação – que forma sua primeira turma de Engenharia de Produção este ano – têm optado pela multidisciplinaridade da área, o que a diferencia das demais engenharias. De um lado, uma base matemática, aliada ao estudo de matérias como física, química, automação industrial e desenho técnico. Do outro, aulas de métodos para a tomada de decisão e disciplinas direcionadas a organização do trabalho, gestão de investimento, economia e administração. “É um curso voltado à organização de empresas, tanto na parte de projeto como na gestão de sistemas que envolvem pessoas, materiais, equipamentos, espaço e energia”, explica o professor Jorge Luiz de Biazzi, coordenador do curso. “Engenheiros de produção desenvolvem uma abordagem analítica de solução de problemas, o que é muito bem-visto no mercado”, diz.

Essa formação mais ampla cria oportunidades e permite ao profissional seguir por diversos caminhos na carreira, da indústria aos bancos, de hospitais ao negócio próprio. “Vemos engenheiros em todas as áreas. Mas o ponto forte do pessoal de produção é sua versatilidade na indústria. Esses profissionais podem trabalhar em qualquer tipo de fábrica, diferentemente de um engenheiro químico, que está restrito à indústria química”, diz Fábio Cassab, diretor da Exec, consultoria de recrutamento e desenvolvimento de executivos. Para a coach [profissional que ajuda pessoas e empresas a desenvolverem potenciais] Juliana de Lacerda Camargo, a vantagem competitiva do engenheiro de produção é a união do viés pragmático ao técnico: “Ele junta técnica e gestão, o que o torna mais completo, por isso tantas empresas acabam contratando esse profissional. Talvez o engenheiro de produção não possa construir uma ponte, mas poderá trabalhar com um grupo de engenharia civil na administração de uma obra”.

MENOS TECNOLÓGICA

Por englobar um conjunto mais amplo de conhecimentos e habilidades, a Engenharia de Produção costuma ser conhecida como “a menos tecnológica das engenharias”. Na construção de um prédio, por exemplo, quem define o tamanho de um pilar é um engenheiro civil. Já ao profissional de produção cabe a organização do trabalho. Ele ajuda a dimensionar os recursos, ordenar no tempo as atividades para execução, a otimização de custos e o resultado. É responsável tanto por decisões estratégicas quanto operacionais. “Para suprir essas atividades, o curso conta com análise financeira, que inclui contabilidade, finanças e engenharia econômica. Há ainda áreas de controle de qualidade e de projetos de produtos, além de disciplinas próprias da administração, como psicologia e marketing”, diz Biazzi.

Para apresentar ao mercado profissionais diferenciados, a FAAP aposta também em novos métodos de aprendizagem. “Temos tido experiência com um trabalho de campo em que alunos fazem consultoria nas empresas. É uma metodologia recente”, afirma o coordenador. O curso oferece ainda matérias optativas em áreas como agronegócio e gestão de moda e disciplinas de mercado financeiro de capitais. “Alguns cursos concebem o engenheiro de produção como um sujeito que toma conta do processo dentro de uma fábrica. É uma abordagem válida, mas com uma amplitude menor. Nossa intenção é abrir a cabeça dos alunos para novas possibilidades”, explica.

A VISÃO DE QUEM OPTOU POR ESSA CARREIRA

NOVA GERAÇÃO



Neto, filho e sobrinho de industriais, Marcelo Egea escolheu o curso de Engenharia de Produção por afinidade. “Nasci em uma fábrica”, conta o estudante de 24 anos, da primeira turma da Faap. Especializada em fabricação e vendas de cordas para diferentes usos, da construção civil a navios e fazendas, a empresa da família já teve o dia a dia alterado com a presença de Marcelo. “Para fazer um trabalho da faculdade, implantamos um sistema para otimizar a logística. Com isso, a frota da companhia diminuiu o consumo de combustível e reduziu em 10 quilômetros por dia o trajeto percorrido”, explica o estudante.

“A grande quantidade de atividades práticas é um dos pontos altos do curso da Faap, porque coloca o aluno em situações reais.” Agora, ele quer ampliar a atuação da empresa para outros estados, com a construção de uma fábrica fora de São Paulo e, paralelamente, desenvolver um trabalho ligado a empreendedorismo, como a criação de um aplicativo para bares e restaurantes. Para Marcelo, fazer parte da primeira turma de Engenharia de Produção é uma grande oportunidade: “Tenho a sensação de que estamos ajudando a construir o curso e temos a missão de mostrar para o mercado que ali estão se formando bons profissionais”.

CURRÍCULO EXTRA



Cursando o 7º semestre de Engenharia de Produção, Nicolle Bianchini, 23 anos, é um exemplo de aluna que foi fisgada por matérias que vão além da indústria. “Acabei me interessando naturalmente por economia. E foi a Engenharia de Produção que me deu essa base.” Representante de sala, assídua nas semanas de engenharia e nos eventos promovidos pela faculdade, ela escolheu se dedicar exclusivamente aos estudos até agora. Para Nicolle, uma das melhores coisas da vivência acadêmica é o contato próximo com professores e profissionais do mercado. “A Faap estimula muito o networking.

Já tivemos palestras com nomes como André Esteves [CEO do banco de investimentos BTG Pactual], por exemplo. É como uma oportunidade de ouvir o que essas pessoas precisam e de me preparar para o mercado”, diz ela, que pretende conseguir o primeiro estágio ainda neste ano. “Tenho vontade de trabalhar em banco, com programação ou análise de riscos”, conta a jovem.
 

E os planos já estão traçados. A ideia de Nicolle é usar os conhecimentos do mercado financeiro para futuramente auxiliar no negócio da família, ligado à plantação de cana-de-açúcar, no interior de São Paulo. “Quero aprender a fazer bons investimentos e poder gerir meu próprio dinheiro”, projeta.