Há 21 anos Pierre Cardin chegava à FAAP para falar sobre a grandiosidade de seus negócios e mostrar o passado, o presente e o futuro de suas criações

Era fim de verão, início do ano letivo na universidade em um tempo em que não havia smartphones ou tablets – naquela época a internet ainda engatinhava no Brasil. O ano era 1994, quando a economia não dependia do universo virtual e a moda já se enquadrava havia quase um século como um grande setor de bens de consumo. Um dos mestres desse território era Pierre Cardin, italiano naturalizado francês e um dos maiores responsáveis pela popularização da alta-costura no mundo. Aos 72 anos, ele chegou à FAAP pela primeira vez no dia 9 de março, para dar uma aula magna não somente sobre o processo de suas criações, mas principalmente sobre o gerenciamento de seu império – sua marca detém desde roupas e cosméticos a restaurantes e hotéis.

Naquele mês de março, ele também foi à FAAP para o desfile de sua nova coleção e para a inauguração da exposição Pierre Cardin – passado, presente e futuro, que contava a história de suas peças. “Foi uma agitação, tanto para ver a palestra do estilista quanto para ver suas peças novas e antigas”, conta o professor Silvio Passarelli, diretor das Faculdades de Administração e de Artes Plásticas da FAAP. “A aula também foi aberta a todos, havia gente de dentro e de fora do campus. Todos queriam saber de Cardin sobre sua forma de administrar um negócio tão diverso e lucrativo.”

Visionário

Na palestra, Cardin contou sobre os grandes momentos de sua carreira, desde quando trabalhou para Christian Dior, em 1946, à abertura de sua empresa, em 1950, e do encontro com grandes líderes, como o papa João Paulo II. Ali, no Teatro FAAP, ele explicou o sucesso de seus perfumes e gravatas – e afirmou ainda que uma parcela muito significativa do faturamento de sua empresa veio do licenciamento da marca, que hoje conta com mais de 400 produtos.

Conhecido por suas formas geométricas e looks futuristas e conceituais, Cardin foi o primeiro estilista a investir no Japão, que nos anos 50 ainda não era um país muito forte nas passarelas. “Lembro que um participante questionou Cardin sobre uma peça de metal, com motivos de losango, se aquilo não seria desconfortável para usar no dia a dia. Cardin concordou, mas disse que muitas das roupas que vão para um desfile representam tendências, discussões teóricas e não necessariamente serão vistas nas ruas”, diz Passarelli.
Aos 92 anos, Pierre Cardin continua na ativa, como diretor criativo da marca. Em novembro passado, o estilista inaugurou, em Paris, um museu dedicado à sua trajetória profissional.