A designer e arquiteta começou a desenhar móveis sete anos atrás e há dois abriu a própria marcenaria, de onde saem projetos e parcerias

Manu Reyes tinha 15 anos quando fez sua primeira aula de fotografia. Ela estudava na Suíça e aproveitava as frequentes viagens que fazia pela Europa com a escola para mirar sua lente. “Fotografar aguça o olhar e acho que a prática me ajudou a adquirir o gosto pelo design e pela arquitetura”, acredita. Filha de um casal de bolivianos, ela nasceu em Joinville (SC), mas cresceu morando em diferentes cidades do mundo por causa do trabalho do pai, diretor de uma multinacional. Na hora de prestar vestibular, porém, voltou ao Brasil – ficou em dúvida entre fotografia e arquitetura, mas se decidiu pela segunda opção. “O curso explora diversos temas, como aulas de desenho, fotografia, esculturas, exatas. Foi importante para descobrir aos poucos o meu caminho”, conta Manu, 35 anos. “A FAAP também traz um entendimento claro sobre a importância do networking. Nos ensina que é essencial nos conectarmos com pessoas de diversos perfis e participar de feiras de design. Isso move e desenvolve nosso trabalho de forma muito positiva. Criar um bom networking só aumenta as possibilidades de parcerias e, consequentemente, traz um bom resultado de vendas para qualquer empresa.” Assim que se formou, em 2009, partiu para um estágio de três meses com o renomado designer italiano Riccardo Blumer. “Aprendi a importância de colocar a mão na massa, fazer estudos e protótipos, errar e começar de novo. Foi essencial para minha carreira e voltei decidida a trabalhar com marcenaria”, relembra. Desde então, Manu passou sete anos se especializando na construção de móveis e objetos – entre eles, cursos com os marceneiros Piero Calò e Rodrigo Silveira. Há dois anos, abriu seu ateliê, onde projeta móveis multifuncionais, como racks, aparadores, cabideiros, revisteiros e mesas laterais utilizando as técnicas da marcenaria tradicional. Suas inspirações? “Observo ao meu redor e tento reproduzir as minhas ideias da forma mais verdadeira possível. Para mim, o design tem que ser sincero. Se for me preocupar em agradar todo mundo, acabo perdendo minha identidade e isso não faz sentido para mim.”

 

Carolina Mauro Formada em Arquitetura na Faap, é sócia da Suite Arquitetos

“A criatividade e o olhar refinado da Manu sempre me chamaram a atenção. Nós estudamos na mesma sala e ela é uma das minhas grandes amigas até hoje, é parte importante do que vivi e aprendi na faculdade e na vida. Já usei alguns móveis assinados por ela em projetos meus de arquitetura, como a mesa lateral Triângulo e um criado-mudo que já saiu de linha. A Manu tem muito potencial e vejo que o campo da marcenaria artesanal tem muito para crescer no Brasil.”

Rodrigo Silveira Designer e marceneiro, é dono da marcenaria O Rodrigo que Fez, e se formou em Desenho Industrial em 2003

“A Manu fez cursos de marcenaria comigo durante três anos. Lembro que ela chegou querendo aprender sobre a marcenaria tradicional. Com o tempo, foi aprendendo as técnicas, vi o interesse crescer e ela falou da ideia de abrir um ateliê. Ela tem uma delicadeza no trato com a madeira, no desenho, nas peças e na forma como produz. Ela faz uma produção pequena e artesanal, que é o diferencial dela.”

Amanda De Marchi Arquiteta formada na FAAP em 2009, é designer na fábrica fundada pelo seu avô, a Attiarte Móveis

“Fizemos muitos trabalhos de urbanismo, paisagismo e oficinas de madeira e metal na FAAP, éramos da mesma classe. Por ter morado em muitos países, a Manu tem um olhar muito internacional. Os móveis dela são contemporâneos, minimalistas e atemporais. Já fizemos parcerias em alguns projetos de marcenaria e funciona muito bem, sempre que precisamos contamos com o talento e profissionalismo uma da outra. Nos admiramos muito.”

Diogo Gontijo Marido da Manu, cursou economia na Faap e é diretor da Empório da Ilha, empresa de produção de palmito em conserva

“Conheci a Manu em 2009, eu era amigo do irmão dela. Ela já desenhava móveis, mas não pensava em ter a sua marcenaria. Ela gosta muito do que faz, não a imagino fazendo outra coisa. Sempre a incentivei a seguir na carreira; independentemente da nossa relação, sempre fui fã do trabalho dela. Como a minha empresa tem dois galpões, na Zona Cerealista, no Brás, e sempre achei que ela deveria ter seu espaço, nada melhor do que tê-la do meu lado! Cedi, então, uma área para que ela abrisse seu ateliê.”