Há 25 anos na FAAP, o coordenador da oficina de madeira é procurado ainda hoje por ex-alunos em busca de conselhos

A cena acontece com frequência: um calouro se aproxima de Zé Maria, 59 anos, e já sai falando com ele na maior intimidade. Demora um pouco até que o coordenador da Oficina de Madeira entenda que o estudante é filho de um dos tantos alunos que passaram por ali, durante os 25 anos que trabalha na FAAP. “Eles me contam que os pais se lembram de mim com carinho. Isso é muito gratificante”, diz.

Além das novas gerações, José Maria da Silva Júnior acompanhou muitas outras mudanças ao longo dos anos. Ele viu a chegada de maquinários modernos para a oficina, a implementação de sistema pneumático e o crescimento do espaço para acomodar alunos dos cursos de Arquitetura, Design, Moda e Artes Plásticas. “É importante se renovar. Eu, por exemplo, estou sempre pesquisando sobre novos materiais, para poder ajudar os estudantes nos seus projetos mais diferentes”, conta.

Não é à toa que muitos ex-alunos voltam à faculdade para buscar a orientação de Zé Maria. “Um deles montou um ateliê para produzir mobiliário. Ele me procurou e conversamos bastante sobre o mercado e possíveis fornecedores”, lembra. Formado em Ferramentaria, o paulistano cresceu na marcenaria da família, sob os olhos de seu pai – que se orgulharia de ver o filho como coordenador da oficina, cargo que ocupa há oito anos. Mas Zé Maria ainda pensa em ocupar outro lugar na FAAP: o de aluno.

“Já não tenho aquele pique da juventude, mas gostaria de estudar Arquitetura. Quem sabe um dia?”