Em maio de 2007, o Museu de Arte Moderna da FAAP abria as portas para a exposição Rockers, com fotografia de Bob Gruen e curadoria de Supla

Conhecido por fotografias icônicas de Sid Vicious e também da vida particular de John Lennon e Yoko Ono, Bob Gruen teve cerca de 270 fotos expostas no Museu de Arte Brasileira da FAAP, em 2007. Com curadoria do músico Supla, amigo de Bob, a exposição Rockers contou com nove áreas destinadas a diferentes aspectos do rock. “Foi muito mais do que um trabalho. Foi um prazer”, diz o músico, que ri, lembrando de quando foi à casa de Bob para ver seu acervo fotográfico. “Enquanro mexia no arquivo, eu perguntava: ‘Bob, você se lembra dessa?’. E de muitas ele nem se lembrava”, conta, referindo-se a uma foto do Kiss no início da carreira.

O fotógrafo norte-americano Bob Gruen assinando o livro da exposição Rockers, realizada na MAB-FAAP; do lado dir., duas  fotos icônicas, da banda Kiss e do cantor John Lennon

A história entre os dois começou em 1995, quando Supla entrou no Eletric Lady Studios, em Nova York, usando uma bengala por conta de uma operação no joelho. A cena chamou a atenção do fotógrafo, porque sua esposa havia feito a mesma cirurgia. Dali, começaram uma amizade. 

Bob Gruen é um dos mais conhecidos e respeitados fotógrafos do cena musical, especialista em fotografias de bastidores de grandes astros, que vão de Bob Marley a Johnny Rotten [vocalista do Sex Pistols]. Captando a cena por mais de 40 anos, ele é autor de livros como John Lennon, the New York Years (2004), que retrata a vida íntima do vocalista dos Beatles e Chaos, the Sex Pistols (1991), sobre a turnê nos Estados Unidos da primeira banda inglesa de punk rock. 

Supla, curador da mostra, ao lado de Antonio Bias Bueno Guillon, diretor-presidente da FAAP

Supla tinha acabado de ganhar, do próprio autor, o livro sobre John Lennon e mostrou o trabalho para  Celita Procopio de Carvalho, presidente do Conselho Curador da FAAP. Ela se interessou e sugeriu fazer uma exposição sobre a carreira do fotógrafo no MAB-FAAP. “Tinha fotos do Ozzy Osbourne jovem, do Alice Cooper no começo da carreira, os Sex Pistols gravando o primeiro álbum no estúdio”, recorda Supla, sobre as  fotografias expostas.

Ao chegar ao Brasil, Bob fez questão de acompanhar de perto toda a impressão das fotos. A cenografia foi feita pelo arquiteto Tito Ficarelli, baixista da banda punk paulistana Holly Tree. Supla havia convidado o amigo porque sabia que ele entendia do tema e seria capaz de fazer algo clássico e criativo. “Era uma cenografia muito original, dividida em núcleos e com as fotografias bem apresentadas”, lembra Fernanda Celidonio, diretora do MAB. 

O espaço cênico da exposição; 

Durante dois meses, as obras de Bob Gruen ficaram expostas no museu. Ele ainda fez uma palestra para os alunos e recebeu, como homenagem, um certificado da faculdade. “Bob até se emocionou, mostrando o documento para a mãe, que estava na plateia”, lembra Rubens Fernandes Junior, diretor da área de comunicação e marketing da FAAP.  Com um quê de nostalgia e uma pitada de bizarrice dos bastidores dos ícones do rock, o evento foi um sucesso.