Aluno da pós-graduação em práticas artísticas, Pepe Lemes conta como três educadores serviram de inspiração para sua escolha pela licenciatura

“Eu achei que ia chegar na faculdade de Artes Visuais e encontrar um lugar de telas enormes, só de experimentação e de fazer manual. E, na realidade, encontrei um outro curso, no qual era preciso escrever e ler sobre arte, olhar e conversar sobre arte. E eu passei a gostar cada vez mais dessa surpresa”, conta Pepe Lemes, 23 anos, ex-aluno da Faculdade de Artes Plásticas e hoje pós-graduando em práticas artísticas na FAAP. Por isso, no 5o semestre, quando o aluno do curso precisa escolher entre licenciatura ou bacharelado, Pepe decidiu que seguiria pelo caminho da licenciatura.

Acabei entendendo que a minha produção e interesse de pesquisa também estão dentro da sala de aula. Quero borrar esses lugares que separam o artista do professor e questionar de que modos esses diferentes experiências podem ser compartilhadas e construídas em conjunto”, diz.

A seguir, Pepe lista três educadores que são inspiração no seu caminho como professor provocador.

1 RODRIGO CIRÍANO 

“Ele é um professor, historiador e agente cultural da periferia da zona leste de São Paulo – mas não é só isso. A sua principal atuação é trabalhar a literatura periférica e marginalizada. Se esse tipo de obra não for olhada, ela nunca vai entrar num espaço acadêmico, nunca fará parte de um lugar de reflexão. E Rodrigo atua diretamente nisso, criando ações e programas que permitem que essa literatura seja ouvida, declamada, gritada. Um desses eventos é o Sarau dos Mosqueteiros, realizado dentro da periferia. Esse é um tipo de trabalho no qual eu me inspiro muito.”

2 ANA MARIA GONÇALVES 

“Conheci essa escritora durante uma residência artística que fiz na Bahia. Foi lá que li o seu livro Um defeito de cor, que fala sobre como o racismo opera na nossa sociedade. Esse livro é um romance histórico que me tocou muito – assim como toda a sua obra de pesquisa. Ana Maria bota o dedo na ferida e mostra como o racismo é estrutural, como temos várias atitudes racistas das quais nem nos damos conta no nosso dia a dia. É o tipo de obra que todo mundo deveria conhecer.”

3 MARIA DE LURDES ELEOTÉRIO 

“Ela foi uma professora muito importante para minha formação na FAAP. Na sua disciplina de cultura brasileira e folclore, a gente discutia e analisava a construção do Brasil. E como a nossa cultura é excludente e sempre contada do ponto de vista do vencedor. Todos os alunos saíam da sala dela com a sensação de que tínhamos o poder de mudar o mundo. Ela me ensinou que a escola não é um lugar de reprodução, e sim de transformação.”