Laboratórios superequipados, programa que acelera a segunda graduação, sólida formação nas disciplinas básicas e matérias voltadas ao empreendedorismo. Essa é a fórmula da FAAP que explica o sucesso dos seus alunos de engenharia no mercado de trabalho

O presidente do laboratório Aché no Brasil, Paulo Nigro, o cofundador da Rede TV Marcelo Carvalho e o integrante do conselho de administração da produtora de celulose Fibria Fábio Ermírio de Moraes estudaram Engenharia na FAAP. Longe de ser caso isolado entre ex-alunos, o trio destaca características-chave dos cursos de Engenharia da Fundação, voltados à formação de profissionais com elevada capacidade analítica e ao estímulo ao empreendedorismo. “A formação de líderes sempre foi um dos nossos diferenciais, até por conta do perfil dos nossos alunos – muitos de famílias empreendedoras, que irão assumir a gestão dos negócios. O que fizemos, a partir de 2012, foi criar disciplinas voltadas para isso na engenharia”, explica o diretor do curso de Engenharia da FAAP, Antonio Muscat.

Esse perfil de profissionais com aptidão para liderar, de acordo com Rafael Falcão, diretor da Hays, consultoria de recrutamento de executivos, permanece disputado a tapa no Brasil. “No atual momento, marcado por turbulências econômicas e políticas, os esforços se voltam para aumentar a participação de mercado das empresas, o que aquece a demanda por engenheiros, especialmente no mercado de finanças e nas áreas de suprimentos, tecnologia e gestão de pessoas das companhias”, afirma Rafael. A percepção é compartilhada pelo coordenador de Engenharia Elétrica, Rodrigo Viana. “A base gerencial é um dos diferenciais dos cursos da FAAP. Aqui, os alunos estudam administração, empreendedorismo, economia, direito e gestão de pessoas. Isso faz a diferença. É raro um dos nossos estudantes se formar sem estar empregado”, afirma ele.

Deco Cury

Marcelo Zarzur, diretor de Engenharia da Eztec, destaca ainda a ótima formação técnica dos alunos da FAAP. “Eles podem tanto ir para a área de engenharia como para a financeira”, diz. Ele sabe do que está falando: seu irmão e sete sobrinhos estudaram na Fundação. Agora, é a vez de seu filho, que cursa Engenharia Civil. E não só isso: 15 alunos da FAAP já passaram pela incorporadora e a experiência foi positiva – ele estuda fazer um acordo com a Fundação para receber estagiários de forma regular. “Os alunos da FAAP saem da faculdade muito bem preparados”, diz Marcelo. “É ótimo tê-los em nossa equipe.”

A formação de líderes sempre foi um dos nossos diferenciais – Antonio Muscat, diretor do curso de Engenharia da FAAP

Também ex-aluna da FAAP, a coordenadora de Engenharia Civil, Thelma Lascala, afi rma que a ênfase no ensino das cadeiras básicas [química, física e matemática] é uma tradição e outro ponto forte da Fundação – mesmo com a reforma curricular, essas disciplinas têm bastante peso na grade. “Uma base numérica forte é uma das características que fazem com que um engenheiro seja cobiçado”, complementa o expert Rafael Falcão. Segundo o diretor da Hays, também leva vantagem o profissional com comportamento extrovertido e inglês fluente – características presentes entre a maioria dos faapianos.

PASSADO E FUTURO

Criada em 1967, a Engenharia Civil inaugurou a ala de engenharia na FAAP – que completará meio século no ano que vem. Na sequência vieram os cursos de Mecânica, Elétrica, Química – que formou sua última turma no ano passado – e Engenharia de Produção, que traz uma proposta diferente: formar profissionais aptos a trabalhar em setores como agronegócio, hospitais, hotéis etc., indo além da organização do processo fabril. “Nosso objetivo é abrir a cabeça do aluno e ampliar as possibilidades de atuação no mercado”, diz o coordenador de Engenharia de Produção, Regis Pasini.

Estimulamos os alunos a se tornarem autodidatas, acostumados a buscar soluções – Régis Pasini, coordenador do curso de Engenharia Mecânica

Com currículo básico comum aos dois primeiros anos, a troca entre os cursos de engenharia é frequente nesse período. Assim como as desistências. Em geral, a evasão nos cursos de engenharia ultrapassa 50%. “Nossa retenção é maior porque temos turmas menores – de dez a 20 estudantes por curso – e os alunos são acompanhados bem de perto pelos professores. É comum o aluno passar o dia inteiro aqui estudando na biblioteca, tirando dúvidas com um monitor ou professor”, diz Amanda Veit, professora de Engenharia – e ex-aluna da FAAP.

Com bastante foco em suprir as demandas do mercado, o curso de Engenharia da FAAP vem sendo renovado ao longo dos anos e, hoje, foca em sustentabilidade, eficiência energética e empreendedorismo.

A alteração curricular recente mais radical, no entanto, foi em 2012 no curso de Engenharia Mecânica, coordenado por um ex-aluno da FAAP, Régis Pasini. As matérias continuam sendo as estipuladas pelo Ministério da Educação (MEC), que estabelece as diretrizes básicas para todos os cursos. Mas, com o modelo de aprendizado baseado em projeto – Project Based Learning (PBL), em inglês –, os alunos recebem desafios e têm que aglutinar conhecimentos de várias disciplinas para resolvê-los. Normalmente isso é feito em grupo, o que simula as condições do mercado de trabalho. “Com esse modelo estimulamos os alunos a se tornarem autodidatas, acostumados a buscar soluções”, explica Régis. Um desses desafios envolve aviões de papel. Mas não necessariamente leva vantagem quem já fez aula de origami. “Os alunos têm que fazer o cálculo estrutural, usar conceitos de mecânica de fluidos, fazer o desenho técnico, entre outras atividades, para aí, então, colocar a aeronave no ar.”

VIDA REAL

Atividades práticas como essa fazem parte da estratégica da FAAP para manter o aluno ligadíssimo no curso e bem preparado para o mercado. Várias competições acontecem na Feira de Engenharia, onde são testados, entre outros, conhecimentos de física e matemática com a construção de foguetes de garrafas PET e pontes de palito de sorvete. Para Camilla Mascarenhas, 18 anos, aluna de Engenharia de Produção, os desafios são um refresco em meio à avalanche de disciplinas de exatas dos quatro primeiros semestres. “É muito empolgante ver o uso do cálculo na prática,” afirma a aluna.

Os alunos da FAAP têm bastante determinação e autonomia para perseguir seus objetivos. No ambiente profissional essa é uma característica bastante valorizada – Ricardo Hirschbruch, vice-presidente da ABB no Brasil e ex aluno da FAAP

Empolgados também devem ficar os alunos aficionados por motor. A FAAP planeja formar neste ano uma equipe para retornar às provas de Baja. Nessas corridas, os estudantes têm que construir um veículo movido a gasolina, a partir de especificações técnicas, o que faz com que haja padronização entre os carros. Vence quem cruzar primeiro a linha de chegada, mas essa não é uma corrida de velocidade propriamente dita, e sim de resistência. “Como os motores são iguais, o segredo está na eficiência com que os carros contornam as curvas”, adianta o coordenador do curso de Mecânica, Régis.

Aqui, os alunos estudam administração, empreendedorismo, economia, direito e gestão de pessoas. Isso faz a diferença. É raro um dos nossos estudantes se formar sem estar empregado – Rodrigo Viana, coordenador do curso de Engenharia Elétrica

Nessa linha do faça você mesmo, a FAAP disponibiliza ainda laboratórios superequipados – entre eles, estão o de Química, Engenharia Civil, Hidráulica, Metrologia e Automação –, que são de livre acesso aos alunos. Neles, os estudantes podem aprender mais sobre a resistência de materiais, como concreto e aço, por exemplo, ou ainda criar funções automáticas para acender ou apagar luzes em uma residência. Em breve, eles também poderão usufruir da cobiçada impressora 3-D para imprimir protótipos de peças – a máquina deve chegar este ano à Fundação. Foi graças a esse passe livre que o estudante de Engenharia Mecânica Julio Cesar Bugelli, 22 anos, se encantou com os manômetros (medidores de pressão) e optou por fazer do seu TCC a verificação dos próprios medidores. “Meu objetivo é entender as calibrações e evitar imprecisões, garantindo processos mais seguros”, diz. Esse incentivo à experimentação faz toda a diferença no futuro profissional dos estudantes. “Os alunos da FAAP têm bastante determinação e autonomia para perseguir seus objetivos”, destaca o ex-aluno de Engenharia Elétrica Ricardo Hirschbruch, vice-presidente da ABB no Brasil, multinacional suíça que atua na área de tecnologia de energia e automação. “No ambiente profissional essa é uma característica bastante valorizada.”

ESCRITO NAS ESTRELAS

Se tivessem feito o Enem, os ursos e bonecas de Amanda Veit Braune, 25 anos, poderiam gabaritar em matemática. A brincadeira de infância – de ser professora de seus brinquedos – seria sua profissão anos mais tarde. A escolha por engenharia foi natural, dada a aptidão por exatas. O pai, também formado em Engenharia pela FAAP, comemorou a escolha da caçula, que ingressou em Mecânica, mas concluiu em Química.

Com o convite para ser monitora dos alunos quando ainda era estudante, a vocação aflorou. Depois de formada, trabalhou na empresa de seu pai por alguns meses, engatou um MBA em Administração e uma Licenciatura em Matemática e, em 2013, passou a fazer parte do grupo de Jovens Professores da FAAP, formado por ex-alunos da Fundação. Conhecida por não dar moleza, Amanda não esconde que é exigente com os alunos. “Até por ser jovem e por ter uma rotina parecida com a deles fora daqui, tenho mais liberdade para conversar e, eventualmente, dar um puxão de orelha”, diz Amanda, que dá aulas no Colégio FAAP e nos cursos de Engenharia e Administração

MÃOS À OBRA

Em volta de uma mesa, um grupo de alunos se debruça sobre cálculos para ver onde a estrutura precisa ser mais rígida para suportar o peso. Cálculos feitos, os estudantes passam a colar palitos de sorvete com cola branca e Durepoxi para montar uma ponte capaz de aguentar o peso de 15 quilos. Já em uma outra sala, alunos se entretêm com garrafas plásticas de 600 ml vazias com a tarefa de montar um foguete. O objetivo: manter a aeronave no ar o maior tempo possível. As duas atividades práticas são exemplos das oficinas que integram a Feira de Engenharia, que acontece anualmente no 2º semestre e que traz diversos projetos de pesquisa dos alunos de Engenharia.

“As oficinas trazem sempre demonstrações práticas, de coisas simples, mas muito interessantes e que despertam a curiosidade dos alunos”, conta o diretor do curso de Engenharia, Antonio Muscat. “Nesses eventos, de uma maneira lúdica, os estudantes colocam em prática seus conhecimentos e aprendem mais”, completa a professora Amanda Veit.

Deco Cury

Além da feira, a FAAP organiza anualmente a Semana da Engenharia, que promove palestras com profissionais do mercado, workshops e até visitas técnicas a grandes obras – já fizeram parte do roteiro Itaipu, usinas nucleares de Angra, transposição das águas do rio São Francisco e as novas obras do Canal do Panamá.

TRÊS PERGUNTAS PARA O EXPERT EM CORAÇÃO

Professor de Engenharia Mecânica da FAAP desde 1999, Aron de Andrade, 55 anos, desenvolveu a primeira versão brasileira do coração artificial no Instituto Dante Pazzanese. É o primeiro dispositivo do mundo que não exige a remoção do coração natural – acoplado ao original, ele bombeia o sangue por um ou dois ventrículos, aumentando a vida de quem aguarda na fila de transplantes. Aqui ele conta como virou professor.

O que o atraiu para a sala de aula?
Minhas pesquisas na área de coração artificial exigiram que eu fizesse doutorado, pós-doutorado e livre-docência nas áreas de Bioengenharia e Biomateriais. Quero passar adiante todo esse conhecimento. Além disso, ensinar é importante para continuar aprendendo – a carreira acadêmica exige que você esteja sempre atualizado.

O que acha das novas gerações de engenheiros?
Eles possuem hoje ferramentas mais modernas, precisas, versáteis e com alta tecnologia para trabalhar. Isso faz com que seus limites sejam expandidos, permitindo que eles façam coisas que antes eram impossíveis ou inimagináveis, como a impressão tridimensional de modelos plásticos de órgãos de pacientes para planejamento de cirurgias, por exemplo.

Quais são as novas áreas que surgiram em virtude das novas tecnologias?
Especialistas estão sendo muito valorizados em áreas como simulações computacionais, dimensionamento de peças em computador, impressão 3-D e em programação de centros de usinagem.

MULTI-ENGENHEIRO

Deco Cury

A Fundação criou em 2013 a Segunda Graduação, programa de formação universitária, com duração de dois a três anos, dependendo do desempenho do aluno. Voltado para quem fez curso superior de tecnologia em áreas como automação e mecânica, em instituições como a Fatec e o Senai, o programa tem mensalidade reduzida e aulas noturnas e aos sábados. “O principal atrativo do programa é a possibilidade de acelerar a carreira do aluno, que recebe o título de engenheiro e o direito ao registro no CREA. Assim, ele pode ter ascensão profissional e um salário mais alto”, diz o coordenador Rodrigo Viana.

*Colaborou NATACHA CORTÊZ