Fernanda Magnotta, coordenadora do curso de Relações Internacionais da FAAP, se tornou uma das vozes mais respeitadas no Brasil quando o assunto são os Estados Unidos. Ela foi considerada uma das 30 melhores lideranças femininas em gestão acadêmica do mundo e criou um projeto que conecta alunos de quatro continentes

Trinta minutos de conversa com a paulistana Fernanda Magnotta são suficientes para que o interlocutor não consiga disfarçar a fisionomia de estranhamento. Sobretudo depois de cruzar alguns dados, como os feitos dessa jovem mulher internacionalmente respeitada no meio das Relações Internacionais, com sua trajetória acadêmica – e sua idade. Como pode tudo aquilo, mais sua habilidade em dissecar assuntos relacionados à política, à economia, à globalização, ao novo feminismo, e muito mais, caber em 30 anos?

Fernanda Magnotta é um fenômeno. Como ela prefere dizer, “uma pessoa bem comum”, com limitações que a impulsionaram a ser quem ela se tornou. Com uma carreira acadêmica em ascendência, essa ex-aluna do curso que hoje coordena se tornou uma das principais vozes, aqui no Brasil, quando o assunto são os Estados Unidos, por conta de sua pesquisa de mestrado, agora doutorado – e de seus contínuos estudos sobre política norte-americana.

Há quatro anos na coordenação do curso de R.I., ela faz a gestão de cerca de 300 alunos, 50 professores e ainda tem tempo de viajar para participar de encontros e eventos superimportantes, como a cobertura das eleições nos Estados Unidos, em 2016, a convite da embaixada norte-americana; o G20 jovem, na China, para onde foi, liderando a comitiva brasileira, também em 2016; e um encontro do Brics jovem, na Rússia, em 2017. Além de visitar diversas universidades pelo mundo, as quais ela conecta para que seus alunos possam, também, estar ligadíssimos nos principais assuntos e tendências econômicas, sociais, geopolíticas – e humanas –, no Global Classroom, sistemas de aulas interdisciplinares com alunos e professores de quatro continentes, que ela implantou na FAAP. “Sou uma pessoa privilegiada. Comecei a fazer uma faculdade de Relações Internacionais sem nunca ter feito uma viagem internacional. Comecei a estudar os Estados Unidos sem nunca ter ido para lá e, de repente, em dois ou três anos, a minha vida foi de muitas conquistas.” Na entrevista a seguir, você entende o espírito automotivado e inovador dessa jovem e talentosa mulher.

No lançamento de seu livro, com seus pais e o irmão

Como foi sair do papel de aluna, professora e, tão rapidamente, estar à frente de um curso importante, como coordenadora? Antes de me tornar coordenadora e, portanto, fazer parte da gestão de algo, eu tinha uma série de preconceitos. Mas logo entendi que gestão não é só burocracia, como muita gente descreve. Gestão é criatividade. Entendi a gestão como a oportunidade de deixar um legado dentro do curso que eu escolhi e pelo qual sou apaixonada. Fui aluna, professora e, quando fui parar na coordenação, percebi que tudo o que eu pensara sobre o curso e todas as ideias que eu já tive se tornariam possíveis.

Você fez questão de se manter dando aulas? Sim. É o que me define como pessoa: eu sou professora. Antes de tudo, essa é a minha profissão. Mas a própria gestão foi ganhando um espaço na minha vida, sobretudo quando comecei a receber feedbacks das pessoas, dizendo que eu fazia gestão de um jeito diferente. Hoje entendo e chamo de gestão afetiva.

Minha forma de interpretar liderança sempre foi muito horizontal, orientada por relacionamentos. Me interesso pelas pessoas. Gosto de saber o que está acontecendo com elas. Sou assim na minha vida e isso acabou transbordando para a minha profissão.

O que é uma gestão afetiva? Minha forma de interpretar liderança sempre foi muito horizontal, orientada por relacionamentos. Me interesso pelas pessoas. Gosto de saber o que está acontecendo com elas. Sou assim na minha vida e isso acabou transbordando para a minha profissão. Ouvi de muita gente, no início, que eu não poderia ser assim, que eu deveria tratar tudo e todos de uma maneira mais distante, mais impessoal. Na prática, não segui os conselhos e cheguei na liderança pelo afeto. Entendi que seria através da empatia e do vínculo que eu abriria espaço para que as pessoas também pudessem criar.

Essa “horizontalização” é uma característica da contemporaneidade? É um traço fundamental no mundo de hoje. Não só na academia e nos ambientes de trabalho, mas na vida. Falando em ambiente de trabalho, minha sala é cheia de coisas que definem minha personalidade. Tem os livros que eu li e que me orientam. Tem porta-retratos que eu coloquei porque, para mim, têm significado, tem presentes de alunos de todos os cantos do mundo. A ambientação do meu local de trabalho expressa esse tipo de tratamento, horizontal, o que inclui, no meu caso, a gestão de problemas muito sérios, dos alunos, para os quais não posso tapar os olhos.

Que problemas são esses? Depressão, tristezas. Problemas familiares, frequentemente. Os alunos vêm falar comigo. Eu deixo bem claro que não tenho formação nem competência para qualquer espécie de terapia, mas sei que isso representa um vínculo de confiança. Eles vêm pedir conselhos muito sérios, não só profissionais. Então essa é a gestão em que eu acredito, que gera vínculo e na qual as pessoas, no meu caso alunos e colegas de trabalho, se sentem em um ambiente seguro, e não ameaçador. Assim, se extrai o que as pessoas têm para oferecer de melhor.

Na decoração, memórias de eventos, publicações e premiações

Quem estão nas fotos da sua sala? Meus pais, meu irmão, uma foto de infância, que eu inclusive usei para abrir um Ted Talk recentemente, porque ela é íntima e engraçada. Quebra o gelo na hora. Tem uma foto do Obama, que ganhei dos alunos e deixei lá. Não só porque minha principal área de pesquisa são os Estados Unidos, mas porque ele tem uma representatividade importante. Tem uma foto do Rubem Alves também, que tem a ver com a ideia de educação que eu tenho: de uma visão mais humanista, que trata a educação como um processo de desenvolvimento do indivíduo, e não só como um instrumento. Todas essas coisas vão formando um mosaico do que eu sou, do que eu penso. Da responsabilidade que eu assumo sobre meus alunos. Da minha consciência de que uma aula não acaba quando ela termina.

O que fomentou sua vontade de olhar e compreender as relações entre nações, povos, correntes políticas e econômicas? Acho que o fato principal é eu ser uma pessoa bem comum. Família supersimples. De imigrantes pobres, sem referência de educação, sem acesso a isso. Avós italianos fugidos da guerra. Meu avô paterno inclusive veio parar no Brasil por engano. Pegou um navio rumo à Argentina, onde estava toda a sua comunidade, desceu no porto errado, sem conhecer nada nem ninguém, e aqui ficou. Digo que sou um produto do acaso, porque minha família chegou aqui nessa situação. E foi se formando, num bairro muito simples da periferia da zona leste de São Paulo. Minha mãe era caixa de supermercado, e meu pai, cliente do supermercado – foi assim que se conheceram. Esse meu avô, pai do meu pai, foi uma figura muito presente e importante para mim. Quando comecei a fazer faculdade na FAAP, eu morava lá longe. Tinha que pegar vários ônibus para ir e voltar. E esse meu avô me acompanhava, para me ensinar o caminho. Duas horas para ir, duas para voltar. Ele foi um entusiasta da ideia de eu fazer faculdade. Na minha família, pouquíssimos fizeram graduação, quanto menos mestrado, pós-graduação. Minha avó valoriza isso. Uma mulher que foi criada na roça e que enfrentou todas as adversidades da vida. Quando eu lancei meu livro, em 2016, ela fez questão de estar presente.

Como você se sente tendo sido “a pessoa que saiu da caixa” na sua família? Essa coisa do self made me traz muita legitimidade, empoderamento. E, quando eu peço algo para alguém, esse algo está vindo de quem veio de uma realidade muito simples, que conquistou as coisas por vontade própria. Isso, por si, já traz um respeito, uma força. Isso explica muito a forma como vejo o mundo.

Em que ponto começou essa virada? Eu era aquela pessoa que, na escola, gostava de montar e liderar grupos. Para os grêmios estudantis e também para ajudar as pessoas a irem bem nas provas. Já na 8a série, descobri um negócio chamado Parlamento Jovem Paulista, que o governo de São Paulo organiza. Um concurso para selecionar 94 jovens para serem “deputados-sombra” dos deputados da Assembleia Legislativa. Para entrar precisava escrever um projeto de lei, propondo alguma modificação dentro das competências do poder legislativo de SP. Fui eleita duas vezes uma jovem parlamentar! Até presidente eu fui. E foi aí que me dei conta de que eu tinha jeito para esse tipo de coisa.

Olhando para a sua vida, de onde você acha que vem essa força que fez a neta de imigrantes italianos chegar a lugar inimaginável para ela mesma e para seus familiares? Sou uma pessoa muito automotivada, nunca dependi de incentivos externos para fazer as coisas. Mesmo em ambientes não muito favoráveis eu consigo me motivar, porque isso é da minha natureza. Então acho que o fato de eu ter saído tanto assim do contexto da minha família foi, em parte, uma construção de motivações e valores internos, em parte uma curiosidade por coisas que eram de fora do meu mundo e, ao mesmo tempo, certa noção de que eu precisava fazer algo grandioso.

Professora Fernanda Magnotta em sua sala de trabalho, na FAAP

O que era esse algo grandioso? Pode ser até uma ingenuidade, mas, na minha cabeça, seria um desperdício viver sem causar impacto, tipo mudar o mundo. Depois, com o passar dos anos, entendi que mudar o mundo é um conceito flexível, que não necessariamente tem a ver com impactar muitas pessoas. Transformar o mundo pode ser impactar poucas pessoas, mas com profundidade. Desde criança me acompanhou essa sensação de que eu tinha que fazer coisas grandes. E me ajudou o fato de o meu pai ter insistido muito para que eu e meu irmão estudássemos inglês. Ele não queria que houvesse barreiras para nós, como houve para ele.

Como foi a escolha por fazer o curso de Relações Internacionais? Entrei na faculdade em 2006, logo após ter terminado o ensino médio. Pensei em fazer Veterinária, porque era apaixonada por bichos. Mas percebi que eu gostava dos animais, mas não queria trabalhar com isso. Aí me voltei para a área de humanas. Considerei Direito, Jornalismo. Até que meu pai, um dia, me perguntou: “Você já ouviu falar de uma carreira nova, que agora tem cursos bons, Relações Internacionais? Acho que você deveria olhar isso”. Fui me informar e, quando vi as matérias que são dadas no curso, achei bem legal. Vi que dava pra ser diplomata e achei interessante, embora eu nem soubesse o que fazia um diplomata! Entrei na FAAP e mesmo achando que talvez não fosse para mim, meu pai me incentivou a não me limitar. Eu consegui uma bolsa e assim ingressei. Hoje, quando um pai ou mãe com seu filho vêm me pedir bolsa, eu digo: “Não se intimide, eu sentei exatamente na cadeira em que você está e sei exatamente o que você está falando”. Fiz minha faculdade toda com 40% e 50% de bolsa.

Como se sentiu ao ingressar em um mundo tão novo para você? Em um primeiro momento, insegura: “Será que serei aceita?”. “Será que vai dar tudo certo?” Meu pai me incentivou muito a olhar para as oportunidades que eu teria e a tirar o foco desses pontos de insegurança. E sou grata demais a ele por isso! Uma das minhas principais inseguranças era que eu ia ingressar nesse curso, numa faculdade em que a grande maioria cresce viajando pelo mundo, e eu nunca tinha entrado em um avião.

Com o passar dos anos, entendi que mudar o mundo é um conceito flexível, que não necessariamente tem a ver com impactar muitas pessoas. transformar o mundo pode ser impactar poucas pessoas, mas com profundidade.

Como foi sua primeira viagem internacional? Com meu pai. Como ele é presente na minha vida! Estava no segundo ano de faculdade e ele me propôs uma viagem pelo Chile e Argentina. Eu era tão ingênua, mal sabia afivelar o cinto de segurança no avião. Um ano depois, já no curso, comecei a mergulhar nas minhas origens italianas, a querer saber tudo, estudar a língua. E aí meu pai propôs uma viagem pela Europa com o objetivo de reconstruir a história da minha família. Foi muito emocionante. Fomos até a cidade do meu avô. Uma cidadezinha que, para chegar, tem que viajar 24 horas de ônibus mais duas de caminhonete. Andretta, na região de Nápoles. No topo de uma montanha, 2,3 mil habitantes. Só casas de pedra. Só idosos. E 90% da cidade veste luto, preto. Imagine que forte! Passamos por oito países e o objetivo era culminar nisso: ver de onde meu avô saiu para chegar aqui no Brasil. Foi nesse dia que eu entendi por que eu tinha escolhido estudar R.I.

Por quê? Realizei: “Como que uma pessoa, no caso o meu avô, 50 anos atrás, saiu daquele lugar, com o país em guerra, e foi parar no Brasil?”. A história do meu avô é uma história de muito risco, ousadia e coragem. Ali eu tomei consciência de que a minha história era uma história de relações internacionais. É muito bonito. É por isso que eu me sensibilizo tanto com tudo que está relacionado a imigrantes, a refugiados.

Na festa de 4 de julho, em 2017, com o Cônsul Geral dos Estados Unidos em São Paulo, Ricardo Zuniga, o professor Victor Grinberg, e o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Michael McKinley

E foi daí para o mundo, Fernanda? Quantos países você já visitou de lá pra cá? Nossa, muitos, mais de 40. E fui ser “a cara do Brasil” em diversos eventos de R.I. Isso ainda é muito impactante para mim. Até outro dia eu não era “ninguém” e agora esses caras estão dizendo que eu represento o Brasil. E eu adoro contar essa história toda lá fora, dessa mistura, quando dizem que não tenho cara de brasileira.

Desde que você terminou a graduação foi uma ascensão muito grande. Como isso aconteceu? Entrei na faculdade em 2006, fiz minha primeira viagem internacional em 2007. Um ano depois, essa da Itália. Durante toda a faculdade eu fazia monitorias e grupos de estudos – mesma coisa que sempre fiz antes, no colégio. Em determinado momento, fui recrutada por um professor de economia brasileira a ser monitora. Eu não só dava apoio aos alunos, mas os ajudava a preparar material de aula, base de dados, planilhas, tabelas. Esse professor, o Tharcisio de Souza Santos, tinha uma consultoria e me convidou a trabalhar com ele. Cheguei a pensar que iria fazer carreira nessa área.

E por que ficou no universo acadêmico? Porque tinha um outro professor, o Guilherme Casarões, que me incentivava a seguir carreira acadêmica, de pesquisa. Passei um tempo em dúvida até uma amiga fazer a ponte entre mim e a diretoria da FAAP, que me contou sobre o projeto de Jovens Professores, que a instituição estava montando na época [hoje Núcleo Interdisciplinar de Professores]. Em 2010, fui contratada para ser uma “jovem professora”, aos 21 anos.

Houve um treinamento? Sim, passei um ano como professora assistente. Aí prestei mestrado na área de R.I., com linha de pesquisa em Estados Unidos, e passei em um processo bem concorrido. Defendi em agosto de 2013, simultaneamente a uma pós-graduação em Globalização e Cultura.

Por que os Estados Unidos? Porque me interessava muito o tema ascensão e declínio de potências. A ideia de que alguns países, em determinados momentos, reúnem condições de se tornar potências, e depois entram em declínio, e são substituídos por outros. E o que me interessou foi estudar a hegemonia do momento, ou seja, os Estados Unidos.

Você já tinha estado lá? Nunca! Fui para os Estados Unidos pela primeira vez em 2011, dois anos depois de formada e já sendo professora da FAAP. Fui para a Disney. Como eu podia estar fazendo um mestrado sobre Estados Unidos sem nunca ter ido pra lá? Voltei dessa primeira viagem querendo muito estudar a imagem que os Estados Unidos têm deles mesmos, o porquê de os americanos se sentirem tão excepcionais. Mudei o rumo do mestrado para um tema mais sociológico: excepcionalismo americano e como essa imagem que eles têm de si mesmos afeta a política externa. Isso virou um livro depois. De lá pra cá, fui umas 20 vezes.

Na UCLA, em 2017, recebendo o certificado do W30

Quais foram suas maiores dificuldades? Estudar uma potência em exercício é muito arriscado, porque existe a chance de você se apaixonar pela potência e perder a “cienticidade” da análise. Começaram a me associar muito com os Estados Unidos. Me convidaram para ir muitas vezes participar de encontros. Mas sempre procurei ir com olhos de ciência, mantendo meu compromisso com a análise, e não com afinidades ou desafinidades com o país. Tanto que fui cobrir as eleições, a convite do consulado americano em 2016, e recebi muitos feedbacks da imprensa de que, entre os comentaristas das eleições, eu era a mais moderada, eu tinha um olhar de análise, e não de julgamento. O fato de eu achar o Trump uma liderança negativa não me impedia de enxergar as qualidades de sua campanha. Sempre me policiei e acho que o tenho feito bem.

E agora você segue com doutorado em Estados Unidos? Sim. Política externa americana. A relação dos Estados Unidos com a China quanto à presença da China na América Latina. Nos últimos anos, a China cresceu muito na América Latina, se tornou a principal parceira de vários países. Agora vou estudar como os americanos reagiram e reagem a isso. Estou trabalhando em uma hipótese de que, ao contrário do que a gente tende a pensar, os Estados Unidos e China têm atuado de maneira colaborativa para atingir objetivos em comum na América Latina. Quero fazer algo que os estudiosos na China e nos Estados Unidos vão querer ler.

Aprendi que diversidade é uma questão de eficiência em qualquer situação. E isso se tornou um mantra para mim.

Qual foi o maior desafio que você já se colocou? Em 2015, resolvi que queria fazer coisas mais ousadas. E aí disse para o embaixador Rubens Ricupero que gostaria de ver como funcionava um think tank [termo usado para falar de organizações de análise e compromisso de pesquisa sobre políticas públicas] em Washington, algo que me interessava muito. Logo depois recebi um e-mail da embaixada, me convidando para ir passar um tempo no brazilian desk, dentro do CSIS, um dos principais think tank de Washington.

O que aconteceu de mais incrível lá? Ali entendi que podia trabalhar tão bem quanto eles. E fiquei muito motivada por isso. Ao me despedir do cara que foi meu chefe, ele me disse: “Fernanda, eu gosto de você. Sobretudo porque você fez um trabalho bom. E porque aqui é um país no qual mulher nunca interrompe. Continue assim”. E ele me deu um conselho: “Toda vez que você, nas sua carreira, tiver vontade de dizer não, diga sim!”.

Ainda como aluna da graduação, com os colegas de classe no Eneri, em 2006

E como isso afetou você? Voltei para o Brasil mais ousada. Sem medo de dar entrevistas. Isso começou a trazer visibilidade, novos convites para viagens, projetos, coisas que eu nunca sequer imaginei. Como o convite do consulado americano para ser observadora internacional das eleições dos Estados Unidos em Ohio, em 2016. Quando me ligaram de lá com o convite, eu juro: achei que era trote. Como assim, estavam me escolhendo? Eles explicaram que eu era uma “liderança ascendente”, interessada no tema. Fiquei lisonjeada. Fui e passei um mês e pouco, entre os comitês das campanhas e eventos na Universidade de Akron.

Você tinha total liberdade para falar o que quisesse em suas análises? Absolutamente. Essa foi uma das condições para que eu aceitasse o convite. O objetivo do consulado americano era que o debate sobre Estados Unidos aqui no Brasil pudesse ganhar qualidade. Sem regras ou censura.

O que, de mais emocionante, você viveu nessa trajetória? Muitas coisas. Mas me emocionou muito estar no W30, organizado pela Universidade da Califórnia e pelo banco Santander, que reuniu, por dez dias, as 30 mulheres mais influentes em gestão acadêmica no mundo. Quando me vi ali, me dei conta de que era eu a mais jovem, e uma das únicas de país emergente. Sabe quando você entende que é fruto do seu trabalho, da sua dedicação, da sua força e, sobretudo, da gestão afetiva de que falei lá no começo? Da empatia. E de ser mulher, e ser diversa.

A diversidade é uma qualidade? Aprendi que diversidade é uma questão de eficiência em qualquer situação. E isso se tornou um mantra para mim. Pessoas que vêm com backgrounds diferentes, com histórias diferentes, com limitações diferentes veem o mundo de um jeito diferente. E até para propor soluções vão ter um olhar diferente. Essa sou eu.

Na bancada da BandNews TV com o jornalista Nelson Gomes