Nunca o conhecimento esteve tão acessível. Nunca o mercado esteve tão turbulento. Por tudo isso, nunca a universidade foi tão necessária. Transformadora e ousada, a FAAP chega aos 70 anos pensando na educação do futuro como o caminho para uma sociedade melhor

De Cálculo 1 a História da Arte, passando por Física Quântica e Direito Penal. Basta digitar no YouTube o que se deseja aprender e, então, escolher entre as centenas de possibilidades de aulas, oferecidas por universidades consagradas ou por blogueiros – há para todos os gostos. Todo dia mais uma profissão morre, vítima de algum avanço tecnológico. A própria palavra “profissão”, aliás, começa a soar obsoleta para quem pensa no futuro, substituída por “habilidades para superar desafios”. No exterior, já existem empresas, como a Cisco, de tecnologia, e a Mastercard, de serviços de crédito, que testam “plataformas de mobilidade interna”. Isso nada mais é do que deslocar pessoas com certos talentos para buscar saídas para problemas específicos, em vez de mantê-las fixas em departamentos. Uma espécie de freelance interno.

Nesse cenário de conhecimento amplamente acessível e mercado em permanente efervescência, que papel cabe à universidade? Um curso superior pode fazer a diferença entre sucesso e fracasso? Aliás, o que é mesmo sucesso? Uma conta bancária recheada, um trabalho encantador, uma causa social abraçada com paixão? Todas essas perguntas são feitas diuturnamente pelos profissionais que dirigem cada um dos 19 cursos de graduação da FAAP.

Imaginar como será essa revolução é lidar com desafios que já se apresentam hoje. Aulas expositivas, por exemplo, ainda valem? Valerão? “O vínculo humano é fundamental”, considera Henrique Vailati Neto, diretor do Colégio FAAP. “O professor é indispensável para fazer a amarração do conhecimento. É ele que vai abrir a porta e dizer ao aluno: ‘Vamos’. Se o aluno sair do caminho, ele o chamará de volta, dizendo: ‘É por aqui’.” Esse professor, claro, precisará de uma formação cada vez mais aprimorada. “A tendência é que o professor se torne um coach, alguém que agrega conhecimento, mas também orienta e aconselha em assuntos da vida pessoal e profissional”, considera o diretor do curso de Comunicação e Marketing, Rubens Fernandes Junior. A tecnologia está presente e sempre estará. À maneira dos Integrados, do livro clássico Apocalípticos e integrados”, do escritor e filósofo Umberto Eco, a FAAP está antenada com as inovações tecnológicas que podem contribuir para o aprendizado (há projetos em andamento de ensino a distância e até sala de aula global, reunindo em tempo real alunos de continentes diferentes para discutir temas da atualidade) – sem, no entanto, deixar-se obcecar por elas. “Nossa preocupação é com a qualidade. Não temos deslumbramento tecnológico”, afirma o diretor do curso de Artes Plásticas, Fábio Righetto.

FORA DO CASTELO

A educação do futuro pedirá mudanças na postura dos alunos, que serão protagonistas de sua aprendizagem. Ao oferecer a possibilidade de cursar até quatro disciplinas por semestre em outros cursos que não a do aluno, a FAAP já iniciou a transição para esse futuro de percursos individuais, e não de carreiras fechadas a chave. “Nenhum curso pode mais se encastelar”, afirma a coordenadora do curso de Direito, Naila Nucci. O Direito, com sua fama de sisudo, não é exceção no vendaval de mudanças atuais e próximas. “São tantas as mudanças sociais, e tão velozes, que em sala de aula hoje dizemos: ‘A lei está temporariamente vendo desta maneira…’”, explica Naila. “É importante que o jovem compreenda que ele não pode saber só das leis. Tem que saber do mundo, de outras fronteiras. Tem que entender que sua casa e sua escola são pontinhos no universo.” Para ampliar esse olhar, no Direito o aluno é levado a conhecer outras realidades, em visitas a tribunais, presídios e instituições de Brasília. “Nosso curso se robusteceu, sempre afinado com a realidade”, afirma o diretor do curso de Direito, José Roberto Neves Amorim. “Hoje, cada vez mais, ensinamos conciliação e mediação, sem nos restringirmos à judicialização. O aluno sai daqui pronto a sentar-se à mesa e discutir um acordo sem a participação de um juiz.”

Inovadora em sua essência, a multidisciplinaridade aponta um caminho para o futuro, mas só foi bem-sucedida graças a outro passo que a FAAP deu, em 2010, com a criação do Núcleo Interdisciplinar de Professores. O Núcleo é formado por ex-alunos que têm o DNA da FAAP, coração de pesquisador, paixão por

ensinar e inquietações que os aproximam dos estudantes. “Esses jovens professores criaram a atmosfera para que a multidisciplinaridade acontecesse”, afirma Henrique. Sob a sua supervisão, o grupo, que conta hoje com 21 pesquisadores, no momento estuda tendências e trabalha unido para elaborar um curso breve a distância – formato que tende a ganhar mais força no futuro e que não vai demorar.

Daniel Almeida

AFETOS PARA TRANSFORMAR

A coordenadora de Relações Internacionais, Fernanda Magnotta, pertence ao Núcleo Interdisciplinar e oxigena seu curso com conceitos que, à primeira vista, podem parecer estranhos ao universo da educação. Engano: eles apontam fortemente para a educação do amanhã e para o papel da universidade em um mundo fragmentado. “Toda boa educação requer afetos, contato presencial, olho no olho, tradições e vínculo. Cuidado, preocupação, generosidade e solidariedade”, aponta ela.

A tendência é que o professor se torne um coach, alguém que agrega conhecimento, mas também orienta e aconselha em assuntos da vida pessoal e profissional – Rubens Fernandes Junior, diretor do curso de Comunicação e Marketing

O manejo dos sentimentos é especialmente relevante para uma geração que chegará à universidade cada vez mais imbuída da busca por um propósito de vida. “Nosso aluno não persegue a estabilidade nem corre desesperadamente atrás do sucesso financeiro”, observa Alessandra Andrade, coordenadora do Centro de Empreendedorismo da FAAP. “Ele deseja o sucesso, sim, mas conectado a uma realização pessoal, a um propósito. A universidade tem muito a contribuir nessa busca. Ela tomou para si a responsabilidade de perpetuar os grandes valores humanos, como a ética, a preocupação com o grupo.”

Em busca de seu propósito, cada estudante precisará transformar a si mesmo. Essa experiência é possível em todos os quadrantes da FAAP. No curso de Artes Plásticas, uma professora de História da Arte pede que o trabalho de conclusão de curso sobre o Renascimento, por exemplo, seja não verbal. Como assim? “O aluno pode se expressar por meio de desenhos ou performances multisensoriais”, explica o diretor. “Não é uma avaliação convencional, ele pode interpretar e expressar o tema. É encantadora a experiência!”

Em meio às mudanças sociais e digitais, Righetto define a condução de seus cursos de maneira curiosa. “É como fazer a manutenção de um avião em pleno voo. Não adianta adaptarmos nosso ensino ao aluno de hoje porque a geração que está a caminho terá outras necessidades. Se buscarmos modelos congelados, fracassaremos.” A Faculdade trabalha, então, com modelos dinâmicos, testando o interesse por temas inusitados – está em pauta, por exemplo, um curso sobre Geometria Sagrada, que estuda as proporções e formas na natureza. De um possível sucesso desse estudo poderia nascer uma disciplina curricular. É a educação em movimento.

PLENO E INTEGRADO

Um traço instigante da FAAP é que a ideia do percurso multidisciplinar não se limita aos alunos: é desejável que os professores acumulem
mais de uma formação. No curso de Comunicação e Marketing, o próprio diretor é engenheiro eletrotécnico, cursou disciplinas na Física da USP e por último ingressou no Jornalismo. “Minha graduação foi muito errática. Luiz Felipe Pondé, coordenador do curso de Comunicação, é médico, especializou-se em Psiquiatria e só depois foi para a Filosofia”, conta Rubens. “Essa bagagem nos ajuda a preparar o aluno para o mundo, não para ser relações-públicas, cineasta ou publicitário.”

Nosso papel é dar ao aluno condições intelectuais e humanas, sobretudo humanas, para enfrentar o novo. Para pensar estratégias na era do imponderável em que vivemos – Henrique Vailati Neto, diretor do Colégio FAAP

Mesmo nos cursos que pedem uma caixa de ferramentas muito técnicas no exercício da profissão – caso das engenharias –, a palavra de ordem para o futuro também representa certa ruptura com o passado e o presente.

Essa visão sistêmica traz consigo a necessidade de trabalhar em times, outra tendência forte da educação do futuro. Ao valorizar intensamente conceitos como pertencimento e networking, a FAAP já contribui para que isso aconteça de maneira natural. “Muitos de nossos ex-alunos, em posições-chave no mercado, voltam propondo parcerias. A faculdade desperta neles um senso de comunidade que extrapola o diploma e segue pela vida”, acredita Rubens Fernandes Junior. Fernanda Magnotta, de R.I., completa: “No fim das contas, a boa vida, aquela que merece ser vivida, integra as diversas partes do indivíduo, que só se torna pleno quando equilibrado”. Existirá papel mais nobre para a universidade do futuro?

Olhar só para o mercado não resolve “Se compararmos a universidade e o mercado, quem é mais ágil? O mercado. A universidade está sempre, e no mínimo, cinco anos atrás do que o mercado busca. Se o cenário é esse, está claro que não podemos apenas preparar gente para o que o mercado quer – pois assim estaremos sempre a reboque dele. Temos que desenvolver habilidades para lidar com situações que ainda não surgiram. Nosso papel é dar ao aluno condições intelectuais e humanas para enfrentar o novo. Para pensar estratégias na era do imponderável em que vivemos. Isso não dispensa, claro, a caixa de ferramentas de que ele precisará, dentro de sua especialidade, para lidar com tarefas e desafios. Mas ele terá de desenvolver a resiliência, e, principalmente, o gosto pela busca do conhecimento.” Henrique Vailati Neto, diretor do Colégio FAAP
Inovar sem descuidar da tradição “O Direito é uma área do conhecimento que combina como poucas a tradição e a inovação. Na FAAP, em particular, vimos acompanhando a evolução do Direito, na esteira das grandes transformações sociais do nosso tempo, sem descuidar da base jurídica. Essa base é fundamental para o operador do Direito, hoje e no futuro. O Direito do futuro buscará orientação nos princípios iniciais da nossa profissão, desde o Direito Romano. É dessa fonte que iremos beber para solucionar as grandes questões de família, de identidade e de poder que se manifestam hoje e seguirão desafiando os juristas do futuro. Ao mesmo tempo, aqui oferecemos possibilidades que tornam nosso curso altamente inovador.” José Roberto Neves Amorim, diretor do curso de Direito da FAAP