Criado há 25 anos, o curso de Arquitetura e Urbanismo da FAAP revela a sua capacidade de se transformar e transformar o seu entorno, atendendo a um mundo em constante mudança

Com 67 anos de tradição no cenário das artes, a Fundação Armando Alvares Penteado não teve dúvidas ao vincular, em 1990, o seu recém-criado curso de Arquitetura e Urbanismo ao curso de Artes Plásticas. Afinal, arquitetura, em latim, significa a arte de edificar. Desde então, o curso – que completa este ano bodas de prata – vem atraindo diversos jovens com veias artísticas, mas que desejam fazer muito mais que pintar quadros ou esculpir estatuetas. Jovens engajados em encontrar novas formas de promover um morar e viver mais criativo, sustentável e equilibrado, atendendo a essa nova demanda do planeta.

O curso de Arquitetura começou tímido na FAAP, com 40 vagas para o período vespertino – hoje são mais de 400 por ano. Naquela época, o arquiteto Walter Saraiva Kneese, vice-diretor do curso de Artes Plásticas, foi convidado para a função de coordenador do curso e ficou responsável por montar sua primeira estrutura curricular. Desde o começo, o curso já marcava presença no cenário da Arquitetura, incentivando os alunos a participar de concursos diversos. Em 1996, por exemplo, no Concurso para a Avenida Paulista, lançado pela prefeitura com o intuito de revalorizar a avenida, a aluna Cristina Alessandra Corione ganhou menção honrosa e Mauren Freire classificou-se em segundo lugar. Em 2004 e 2005, os estudantes do curso venceram o Concurso Internacional das Escolas da Bienal Internacional de Arquitetura, demonstrando sua capacidade de criar e de adaptar projetos às grandes necessidades de uma metrópole como São Paulo.

No decorrer dos anos, o curso de Arquitetura e Urbanismo se manteve atento ao que seriam as futuras necessidades da área e foi se atualizando. Tanto que, para atender às novas demandas do mercado, adotou um nova estrutura curricular em 2005, com características bem inovadoras. Além das disciplinas clássicas, foram introduzidas matérias eletivas, como Fotografia, Cenografia, Prototipagem, Comunicação Visual, Arquiteturas Efêmeras, entre outras, tudo com o intuito de alargar ainda mais o horizonte profissional dos alunos.

Há três anos, o curso passou novamente por mudanças em seu currículo. “Continuamos oferecendo uma formação universalista, mas a nova estrutura atende a demanda de um novo tempo e de alunos cada vez mais interessados em temas relacionados à sustentabilidade, como desempenho energético e sistemas construtivos, e assuntos ligados a questões socioambientais”, conta Mario Figueroa, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo desde 2013. “Essa é uma geração que atuará projetando arquiteturas de responsabilidade urbana, edifícios que transitam entre a escala do indivíduo e a da coletividade com a mesma qualidade”, completa.

Hoje, o curso de Arquitetura e Urbanismo é fortemente marcado por uma mescla entre o artístico e o técnico. Ao longo de dez semestres, os alunos passam por pelo menos 74 disciplinas – há ainda 12 eletivas. Frequentam os laboratórios da FAAP, onde colocam em prática tanto o conteúdo teórico quanto as técnicas aprendidas no curso, em oficinas de cerâmica, gravura, joalheria, modelagem, madeira, moulage, prototipagem rápida, conforto ambiental, fotografia, entre outras.

A FAAP ainda conta com uma parceria com 79 instituições em mais de 20 países, como a Universidad Politécnica de Madrid (Espanha), a Universidade do Porto (Portugal) e a Florence University of the Arts (Itália), viabilizando o intercâmbio acadêmico de seus alunos no exterior. Todo esse cenário reforça o comprometimento da Fundação em integrar arte, cultura, ensino e tecnologia, com o objetivo de formar profissionais diferenciados. Prova disso são os ex-alunos Gustavo Cedroni, Paula Sertório e o ainda estudante Felipe Marchese. Em miniperfis ao longo desta matéria, você entende como a FAAP influenciou e vem influenciando o caminho deles – e de tantos outros alunos. E como essa turma vem transformando o mundo.

Gustavo Cedrono | Idade: 36 anos | Turma: estudou de 1997 a 2001 | O que faz hoje: 
é sócio-associado da Metro Arquitetura A facilidade em imaginar espaços e possuir uma memória espacial muito boa foram os motivos que levaram Gustavo Cedroni a escolher o curso. “Sempre gostei das Artes Plásticas. Mas, quando entrei na faculdade, não sabia o que era Arquitetura”, confessa. “Lá tive acesso a todo tipo de produção, sem ênfase em uma determinada linha ou escola de arquitetura, o que foi muito positivo. É uma faculdade sem preconceitos, que permite ao aluno escolher o caminho com o qual mais se identifica”, diz. O ex-aluno destaca a infraestrutura como um ponto forte da faculdade. “Os ateliês de maquete eram incríveis, tínhamos acesso a laboratórios muito bem equipados, lá podíamos fazer de tudo um pouco.” Cedroni é hoje sócio do premiado Metro Arquitetura, do arquiteto Martin Corullo, onde trabalha desde 2002. O escritório atua na área de edificações, com grande abrangência de projetos, que vão de hangares a áreas culturais – como o Museu do Chocolate, o Cais das Artes e a expografia da Terra Comunal – Marina Abramović + MAI.
Paula Sertório | Idade: 30 anos | Turma: estudou de 2002 a 2008 | O que faz hoje: 
é sócia do PAX.ARQ Ela optou por Arquitetura por reunir tanto o dom para as artes quanto por ser pragmática. “Fiz a escolha certa. Se tivesse feito Artes Plásticas, por exemplo, não teria conseguido me realizar, pois é uma área muito subjetiva para mim.” Segundo Paula, uma das maiores contribuições da FAAP foi viabilizar em sala de aula o processo completo de criação de uma ideia, indo desde a sua concepção, o seu desenvolvimento, até a sua materialização. “Além disso, ela coloca o aluno em contato com disciplinas de outros cursos. Tudo isso ampliou meus interesses e enriqueceu minha formação”, destaca. Paula teve a oportunidade de estagiar no escritório do arquiteto Marcelo Aflalo, na época professor de Comunicação Visual do curso, e de passar por outros escritórios antes de seguir carreira independente. Fundado em 2010 com o arquiteto Victor Paixão, o estúdio PAX.ARQ vem se destacando no mercado por diversos trabalhos. Ele foi nomeado pelo Instituto dos Arquitetos de Nova York (AIA) como um dos sete jovens escritórios promissores no Brasil, com base no portofólio do PAX.
Felipe Marchese | Idade: 22 anos | Turma: está no 8o semestre | O que faz hoje: 
se prepara para um intercâmbio em Londres Felipe Marchese sempre teve facilidade em se expressar artisticamente. “Com o tempo, essa inquietação criativa achou a arte da arquitetura.” É assim que ele justifica a sua escolha. “O curso na FAAP é bem abrangente e tem uma visão interdisciplinar. Assim, o aluno acaba tendo muitas opções na hora de escolher a área em que quer atuar.” Para ele, a infraestrutura e o corpo docente são os destaques da faculdade. “O novo coordenador [o arquiteto chileno Mario Figueroa] está apresentando novas propostas e visões incríveis para o curso. Ele veio para modernizar, contratando professores com ideias mais atuais”, afirma o aluno. Marchese já vivenciou o mercado de trabalho – fez estágio por um ano no Jacobsen Arquitetura 
– e participou de um concurso para 
o novo campus da Unifesp, com o 
coordenador Mario Figueroa e outros alunos e ex-alunos da FAAP. Agora, ele se prepara para fazer um intercâmbio de seis meses em Londres, na University of the Arts London, que faz parte do convênio da FAAP. “Espero um dia poder fazer alguma diferença no meu país através da arquitetura.”

SUSTENTÁVEL

Umas das maiores mudanças no curso de Arquitetura e Urbanismo nos últimos tempos foi provocada pela necessidade de formar profissionais com capacidade de criar um mundo mais sustentável. Desde 2006 novas disciplinas foram introduzidas, como Edifício e Ambiente, Ecologia Urbana, Estruturas Sócioambientais, e Racionalização dos Recursos Naturais. “Tratamos de sustentabilidade desde o projeto do objeto, abordando reciclagem e reuso, até a escolha urbana e territorial, como a racionalização de recursos naturais e de infraestrutura, passando pelo desempenho energético das edificações”, diz Mario Figueroa. Este ano, o time de professores foi reforçado com a chegada 
da professora Andrea Vosgueritchian, consultora de LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), com experiência profissional no escritório de engenharia Hilson Moran, de Londres – lá, ela ficou responsável pela coordenação e pelo desenvolvimento de uma ferramenta de sustentabilidade, aplicada em diversos projetos internacionais de larga escala em cidades inglesas, em Milão, Abu Dhabi, entre outras.

 

VARANDA NOVA: Projeto do PAX modernizou a fachada do Edifício Rio Novo, em São Paulo, e ampliou a área social dos apartamentos, anexando o bloco da varanda – antes inexistente – ao corpo da edificação

NADA SE PERDE: Pufe feito com sobras de um biombo, no qual foram utilizadas placas que sobraram da produção dos móveis da Ornare

DENTRO E FORA: O projeto Pavilhão Maracanã, com fechamento de madeira, foi feito em um espaço comercial da construtora Cyrela em caráter temporário, na Vila Ipojuca, em São Paulo, destacando a relação visual efetiva entre o interior do espaço e a parte externa da rua