A ciência, por meio da tecnologia informática, nos trouxe a possibilidade de acompanhar instantaneamente qualquer evento que esteja ocorrendo ou tenha ocorrido em qualquer outro lugar do mundo, modificando completamente a nossa relação com o tempo/espaço. Esta mesma tecnologia permite que compartilhemos nossas experiências de vida com todas as outras pessoas que eventualmente possam se interessar por elas. Mas observando os números cada vez maiores de pessoas neuróticas, o quanto esse compartilhamento é somente uma tentativa desesperada de significar a existência?

A ciência, de maneira nobre, procurou mostrar ao homem o seu lugar no mundo. Galileu comprovou que os homens não são o centro do universo e que a Terra é apenas mais um planeta que participa da dança solar. Ressentidos, queremos voltar aos tempos em que estávamos no palco central. Mimados, choramos as injustiças do mundo porque ele não é da maneira como gostaríamos que ele fosse. Ele não nos dá a atenção que achamos que merecemos.

Mas a culpa não é da ciência. Ela cumpre o seu papel dentro daquilo que propõe: decifrar o mundo; decodificá-lo. O problema está na imaturidade dos homens que convivem com a ciência. Isto porque 1. Sendo a ciência produto da racionalidade humana, e esta por sua vez sendo infinitamente menor do que nosso lado inconsciente, jamais poderá alcançar por completo as respostas que buscamos, 2. Por mais que a ciência promova avanços na qualidade física da vida, caberá sempre ao homem resolver os seus problemas existenciais, ou seja, a ciência dificilmente responderá questões da ordem ‘quem sou?’, ‘de onde vim?’, ‘para onde vou?’. 3. Para os seres humanos parece ser difícil aceitar que as respostas não são certeiras e plenamente confiáveis. Logo, aquilo que não pode ser comprovado talvez realmente não exista.

Aceitar nossa condição humana e nossa falta de controle sobre o universo é o caminho para a maturidade. Entender que nem tudo pode ser explicado pela ciência e que o misticismo também faz parte da alma humana é sinal de respeito pela nossa natureza questionadora. Algumas respostas serão dadas pelo universo das ciências. Outras, somente pelo universo interior.

Para refletir mais, leia este artigo de Mario Vargas Llosa.