Certa vez Rubem Alves disse que “ensinar é um exercício de imortalidade”, já que de alguma forma “continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra”.

A reflexão é linda e profunda. Remete ao que há de mais nobre na educação e versa sobre a missão dos professores que, na maioria das vezes, abraçam sua vocação como um verdadeiro sacerdócio. Suscita, com isso, muitas reflexões.

Entre elas, a frase nos faz pensar no desafio que é garantir um diálogo empático diante da “armadilha de imortalidade” que a coloca, de um lado, professores estanque, que pouco a pouco envelhecem em sala-de-aula, e, do outro, alunos passageiros, cujas características remontam, de tempos em tempos, à gerações completamente novas, diferentes e desconhecidas.

O risco iminente, em situações como essa, é de que se elevem barreiras de relacionamento, marcadas por uma particular percepção de superioridade de um grupo em relação ao outro. Para os mais velhos, costuma ser um convite ao saudosismo. Para os mais novos, uma condenação à obsolescência. São, de ambos os lados, preocupações legítimas, associadas às inseguranças humanas e à nossa eterna necessidade de aprovação e inclusão. Ainda assim, representam uma visão míope que perde de vista as imensas oportunidades de engajamento e construção conjunta; coisas que, em se tratando de grupos sócias, só o convite à diversidade pode trazer.

Os líderes de amanhã são descritos, hoje, em boa parte das pesquisas mais competentes como seres empoderados (há quem os chamem de “power pupils”) – estudantes conscientes de suas capacidades, confiantes, criativos e pouco passivos. Encaram com naturalidade a necessidade de “lifelong learning” e tem espírito empreendedor. São pessoas que se preocupam com o mundo (sobretudo com questões sociais e ambientais) e que buscam associar trabalho com realização pessoal.

Eles não são uma manifestação aleatória da História. São produto de seu tempo, do que construímos conjuntamente, com nossos próprios acertos e erros, sucessos e fracassos. Por meio deles, aprendemos e também renovamos o nosso legado. Nesse diálogo, é que continuamos a viver “pela magia da nossa palavra”.

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*Por Fernanda Magnotta