A educação tradicional do design no Brasil, por influência das escolas alemãs Bauhaus e de Ulm, possui característica funcionalista no desenvolvimento de projetos. Com a evolução da tecnologia e diferentes demandas da sociedade, o cenário contemporâneo do ensino em design se transformou, consequentemente, e as escolas de design estão alinhando seus cursos para questões mais humanísticas e contemporâneas, ou seja, buscando alternativas a partir das necessidades e anseios do indivíduo. À vista disso, compreende-se a relevância da empatia no processo de ensino do design. Posto que o significado de empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, o aluno compreende que a problemática do usuário vai além de apenas observá-los. Para ter empatia é preciso viver o mundo sob diferentes perspectivas, ou seja, viver a experiência e criar conexão com o indivíduo por meio da imersão no ambiente. Compreender as reais necessidades que emergem da interação do indivíduo com ele mesmo, com o ambiente, com objetos, em consonância com a cultura e a sociedade. A partir disso, o aluno aprende a enxergar barreiras e problemáticas pela experiência vivida, e a empatia o habilita a desenvolver projetos que ajudem a solucionar problemas e facilitar a vida do indivíduo em interação com o ambiente.

Para reproduzir a vivência da empatia, o filósofo social Roman Krznaric, fundador do Museu da Empatia de Londres, produziu a exposição “I mile in My Shoes”. O fundador afirma que a empatia “é um antídoto para o individualismo extremo em que chegamos no século XX”. A exposição foi instalada no Brasil, no Parque do Ibirapuera da cidade de São Paulo, em 2017 pelo Intermuseus. Com o título “Caminhando em seus sapatos…”, a exposição consistia na exibição de uma grande caixa de sapatos que armazenava diversos calçados já usados por alguém, e, junto deles, um áudio que contava a história das pessoas que os haviam utilizado. O visitante da exposição escolhia e calçava um par de sapatos ouvindo por fones a história de quem um dia os calçou.

Se colocar no lugar de alguém é um modo de entrar em contato com a realidade e fatos inerentes que despontam na vida do outro, é deixar de lado ideias preconcebidas e descobrir o que as pessoas querem dizer, e não o que elas dizem. Portanto, a empatia na educação de design auxilia o aluno na análise e compreensão profunda das necessidades emocionais e físicas das pessoas e da maneira como elas veem, entendem e interagem com o mundo ao seu redor.

Exposição do Museu da Empatia // Interaction Design Foundation