Diante do mundo digital, o indivíduo tem incontáveis possibilidades e se perde ao tentar fazer escolhas. Em sua visita ao Brasil, em 2015, o sociólogo Zygmunt Bauman (1925-2017) sustentou a ideia de que a educação está fragilizada com a fortificação das mídias sociais digitais e as incontáveis notícias que os grandes jornais e portais publicam diariamente. O excesso de informação disponível na internet fragmenta a atenção e o conhecimento do estudante, o que por sua vez enfraquece sua capacidade de apuração. A dúvida que paira é se as plataformas digitais querem de fato informar e gerar conhecimento ou simplesmente aumentar o número de cliques para obter mais receita no fim do mês, desembocando no que o pesquisador Manuel Castells (2016) chamaria de “Era do Infonimento”, ou seja, a informação disfarçada de entretenimento e a diversão fantasiada de notícia.

Um dos principais incômodos diante do digital é a escolha que o indivíduo deve fazer em meio à quantidade de informações dispostas no ambiente virtual. A explosão de conteúdos cria um cenário rico para os processos de busca. Conforme o número de conteúdo aumenta, a dificuldade de encontrar o que se precisa também se torna maior.

Diante da quantidade de informação que o jovem possui no ambiente digital, o papel da educação tende a ser adaptado, como reflete a pesquisadora Martha Gabriel (2013): “O sistema educacional baseado no livro e no professor como provedores primordiais da educação está desmoronando em virtude da penetração das tecnologias digitais no cotidiano das pessoas.” O professor deixa de ser o principal provedor de conteúdo e talvez deva passar a exercer uma função adicional diante de seus alunos: a de catalisador de reflexões e conexões. Se o ambiente digital propicia uma grande angústia diante das inúmeras alternativas possíveis, o educador tem o papel de fazer uma curadoria de questões relevantes que gerem reflexões para os alunos.

Uma das funções da educação, como reflete Paulo Freire em seu “Papel da Educação na Humanização”, de 1969, é responder aos desafios do mundo, bem como compreendê-lo, “é atuar de acordo com suas finalidades a fim de transformá-lo”. Para tal, em decorrência das características que envolvem o contemporâneo, o jovem de hoje necessita de um suporte assertivo do ambiente educacional que deverá compreender que se as telas forem bem utilizadas, poderão ser a janela do conhecimento.