Talvez um dos maiores desafios dos professores na contemporaneidade seja trazer conceitos, às vezes tão distantes da vida prática dos alunos, para perto de sua realidade. É isso que o protagonista da série catalã Merlí faz com propriedade e êxito.

Merlí foi exibida originalmente na emissora espanhola TV3 e está disponível no Brasil pela plataforma de streaming Netflix. Escrita por Héctor Lozano e dirigida por Eduard Cortés, a série (que já conta com três temporadas) fez sucesso aqui no Brasil em razão da capacidade de interação que a figura do professor de filosofia – disciplina extremamente conceitual e muitas vezes abstrata – obtém junto aos alunos do ensino médio.

Merlí Bergeron é reconhecido pelos alunos como o melhor professor, e isso porque envolve os conceitos filosóficos por ele difundidos com os conflitos, dramas e desafios das vidas pessoais de seus alunos. O amor não correspondido, a difícil relação com os pais, o medo de se assumir homossexual, entre outras questões que circulam pelos adolescentes – e não só por eles – são retratadas na série por meio de reflexões e discussões entre os alunos e Merlí.

Cada episódio leva o nome de um pensador e remete ao tema da aula do dia: Aristóteles, Platão, Maquiavel, Bauman e outros 22 teóricos são o fio condutor para discutir problemáticas do cotidiano, desde liberdade na adolescência até privacidade nas redes sociais.

O que mais chama a atenção na série é a autenticidade, vivacidade e proximidade do professor com o aluno. É nítido que o que Merlí mais deseja é passar seu conhecimento para seus alunos de forma prazerosa. O professor de filosofia desafia os outros colegas e a própria direção ao sair da obviedade, mesclando aulas expositivas com aulas dinâmicas dentro e fora da sala, provocando debates e discussões entre os próprios alunos, e talvez o que mais valha nos dias de hoje: provocando os jovens a pensarem, com embasamento, e não de forma superficial, com suas próprias cabeças.