Nos últimos anos temos observado um aumento bastante significativo de jovens estudantes acometidos de sofrimentos neuróticos. Dentre eles, as ansiedades e as depressões, a síndrome do pânico e os transtornos obsessivos compulsivos são os que mais têm afetado a saúde mental, causando, além de uma dor profunda nas pessoas, uma barreira para o desenvolvimento dos conhecimentos que nós, sociedade, consideramos necessários para o ‘profissional do futuro’.

Ocorre, no entanto, que o que temos para ensinar não é suficiente para suprir essa verdadeira demanda do profissional do futuro. Estamos educando pessoas com conteúdos esvaziados de significado. Não são somente os conhecimentos técnicos que permitirão os jovens adentrarem no mercado de trabalho e prosperarem profissionalmente como parte de uma dimensão existencial maior, mas, sim, as habilidades intra e interpessoais.

Este é o tempo de refletirmos sobre o papel da escola do século XXI. A crise da educação é menos financeira, e mais existencial. Afinal, existe alguma possibilidade de os jovens de hoje, assustados pelos demônios interiores, atuarem em cargos profissionais sem terem condições de resolverem suas questões internas?

A sala de aula deve se tornar um espaço de compartilhamento de experiências, emoções, sentimentos e angústias. O professor deve desenvolver uma nova habilidade: a de conseguir intermediar esse compartilhamento enquanto, como detentor dos conhecimentos específicos da área, introduz na turma os conceitos a serem estudados. Essa capacidade traduz uma necessidade do profissional do futuro. O autoconhecimento será a mais valiosa ferramenta deste século.

Para saber mais: https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/ansiedade-estresse-altos-escolas-brasileiras/

 

Igor Alves Dantas de Oliveira, Núcleo Interdisciplinar de Professores