De tempos em tempos, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) coordena uma avaliação comparativa do desempenho de estudantes egressos do ciclo básico obrigatório de pelo menos 72 países. O Programme for International Student Assessment, ou Pisa, como ficou conhecido, teve início levando em consideração apenas três áreas principais de conhecimento: leitura, matemática e ciências. Porém, desde seu último ciclo, passou a incluir também os temas de competência financeira e resolução colaborativa de problemas.

Para além de discutir os resultados obtidos pelo Brasil, que são sistematicamente alarmantes (em 2016, ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática), é relevante refletir sobre o significado desse movimento de ampliação das habilidades reconhecidas pelo próprio exame.

Trata-se de mais um sinal, entre tantos outros, que conduz ao diagnóstico de que a educação do futuro é aquela que se preocupa com o seu próprio significado, seu propósito e sua aplicabilidade, e que não trata o conhecimento como um fim em si mesmo, mas como ferramenta de transformação do meio e da sociedade.

Cada vez mais, para os desafios da vida real, erudição e títulos não são os recursos mais relevantes. Importa saber como articular os conhecimentos adquiridos e aplicá-los em situações concretas. Isso requer do estudante a capacidade de interpretar fenômenos e realizar experimentos e, da escola, condições de desenvolver formas de ensino-aprendizagem mais criativas, baseadas em fundamentos e lógica. Professores transformam-se em mentores e a sala de aula é uma incubadora de soluções para as crises do cotidiano.

Cabe destacar, ainda, que uma análise empreendida por Amanda Ripley, em 2014, também sobre os resultados do Pisa, revelou que o elevado desempenho educacional de países como Finlândia, Coreia do Sul e Polônia, por exemplo, tem em comum fatores como o grau de engajamento dos pais no processo escolar dos filhos, a qualidade da formação dos professores e a importância atribuída à educação em cada local.

É preciso romper a inércia e dar o primeiro passo, mas ainda estamos gastando energia decorando a matéria da prova.

Para saber mais, leia:  “As Crianças Mais Inteligentes do Mundo – e Como Elas Chegaram Lá”, de Amanda Ripley. Editora Três Estrelas.