The Handmaid’s Tale é uma série para streaming criada pelo produtor Bruce Miller, que teve sua primeira temporada em 2017, a partir da adaptação do romance de Margaret Atwood, O Conto da Aia, de 1985.

A série se passa em um futuro próximo, em que a contaminação generalizada do meio ambiente reduziu ao mínimo a fertilidade da população mundial, o que possibilita a tomada de poder por um regime teocrático, conservador e puritano nos Estados Unidos. Nesse contexto de rígida hierarquia social e poder masculino absoluto, com mulheres subjugadas e violentadas todo o tempo, as mulheres férteis são compulsoriamente designadas para assegurar a reprodução da espécie.

A segunda temporada da série estreou em abril deste ano e já não é mais uma adaptação do romance de Margaret, embora ainda respeitosamente se mantenha fiel à premissa da autora, que declarou desde o início ter usado como matéria-prima para os acontecimentos ficcionais do romance apenas a vida real. Nenhum acontecimento ou situação colocado na ficção é inventado, são todos baseados em ações registradas ao longo da história da humanidade.

Nos percebendo não tão distante assim desse futuro, fica claro que precisamos, sim, falar sobre gênero, preconceito, intolerância e violência – no Brasil, a taxa de feminicídio é a quinta mais alta do mundo. A cultura e a arte sempre foram espaços para denúncia e sintoma da realidade, mas a educação nem sempre tomou para si esse lugar – aqui vivemos ainda um cenário em que se discute se é importante e válida uma educação de gênero nas escolas.

Os benefícios de uma educação de gênero e diversidade vão além de fomentar ambientes mais democráticos e acolhedores; têm impacto direto no aprendizado e autoestima de meninas e meninos, e na não perpetuação da violência e mortes por ódio e intolerância. O primeiro passo para uma mudança da realidade ficcionalizada em The Handmaid’s Tale é o reconhecimento de seus sintomas no dia-a-dia, dos estereótipos e padrões sociais de uma cultura de preconceito; entender como esses padrões atuam e colaboram para as desigualdades que assistimos, na tela e na vida. E, principalmente, tornar essa mudança uma prioridade na educação, desde a primeira infância à pós-graduação.