Com certeza uma vez ou outra você já chegou em casa e, para relaxar, pegou seu celular, rolou por alguns minutos na timeline da sua rede social favorita, talvez até chegou a abrir seu serviço de streaming para aproveitar alguma programação do seu interesse. Esse processo que pode ser rotineiro ou esporádico, abarca o que de mais sofisticado as empresas
por trás desses produtos que consumimos têm a oferecer: seus algoritmos. Por meio dessa programação, munida de todos os dados coletados a partir de sua rastros digitais, as empresas criam à lá carte um conteúdo que não só estimula seu consumo, por lhe oferecer uma produção do seu agrado, mas também, por outro lado, cria um conteúdo cujas práticas favorecem sua agenda comercial, política, econômica ou cultural.

Essa reflexão não seria tão assustadora se não fosse o mais recente escândalo envolvendo a Cambridge Analytica que, a partir de dados de Facebook, criou uma campanha agressiva para Donald Trump nas eleições de 2016 nos Estados Unidos. Esse é um dos exemplos da potencialidade desse estudo behaviorista das nossas pegadas nas redes sociais, que mistura as preocupações de Foucault sobre o panóptico com a visão de Adorno/Horkheimer sobre o papel da mídia no contexto da Indústria Cultural.

Academicamente, essa discussão evoca não só tais conceitos (agora já) clássicos, como uma abordagem cada vez mais crítica sobre o papel da tecnologia na sociedade, seus empregos e usos no nosso dia-a- dia e, sobretudo, como podemos utilizá-los sem abrirmos mão de nossa privacidade.

Para saber mais sobre algoritmos e o processo de enviesamento da web, leia a matéria completa no Estado de São Paulo.