Vivemos na era dos algoritmos. Para Pedro Domingos, pesquisador de Inteligência Artificial há mais de 20 anos, há apenas uma ou duas gerações a simples menção da palavra algoritmo não significava nada para a maior parte das pessoas. Atualmente, os algoritmos atuam silenciosamente, influenciando nossas atividades cotidianas mais prosaicas, como fazer uma busca no Google, procurar atalhos no trânsito com o Waze ou receber uma recomendação da Netflix.

Um algoritmo nada mais é do que uma sequência de instruções que informa ao computador o que ele deve fazer. São sistemas lógicos escritos em linguagem de programação, suficientemente precisos e não ambíguos para que possam executar uma tarefa de maneira automática. São como células básicas dos processos computacionais, e estão na base da Big Data Economy e das redes sociais.  

Tome-se o exemplo da timeline do Facebook. O algoritmo seleciona o que o usuário verá a partir de métricas próprias. Em linhas gerais, a escolha do que vai aparecer é feita, em primeiro lugar, a partir do conjunto de posts produzidos ou circulados entre os seus amigos. O algoritmo então analisa essas informações e faz uma primeira triagem, descartando conteúdo violento ou impróprio, ou ainda os chamados “caça-cliques”. Depois, atribui uma nota para cada uma das publicações de acordo com o histórico de atividades do usuário, tentando supor o quanto ele seria suscetível a curtir ou compartilhar aquela informação.

A tecnologia que está por trás da construção desses algoritmos é o machine learning. O machine learning é um subcampo da Inteligência Artificial, e sua principal forma de operar é a partir do reconhecimento de padrões. É uma tecnologia que constrói a si própria, e para isso necessita ter a sua disposição oceanos de dados. O que possibilitou a disseminação de seu uso foi o barateamento da coleta e do armazenamento de quantidades gigantescas de informação.

A grande sacada, para o bem e para o mal, está no fato de que o algoritmo é como um mestre-artesão: cada uma de suas produções é diferente e adaptada primorosamente às necessidades do cliente, capaz de oferecer aos usuários de serviços uma experiência altamente customizada. Os algoritmos de machine learning transformam dados em algoritmos, e nesse sentido, quanto mais dados eles têm, mais complexos e poderosos são. Por esse motivo as redes sociais e os sites de compra são suas principais fontes de abastecimento. Daí o poderio atribuído às empresas de tecnologia atualmente: “os dados são o novo petróleo”.

O machine learning foi adotado como principal tecnologia por empresas como Google e Facebook por ser em grande medida a solução para o problema da abundância de possibilidades disponíveis no universo da internet. Em meio à quantidade avassaladora de produtos e serviços, como encontrar o que se procura? Na era da Informação, os algoritmos entram em cena para ajudar na tomada de decisão de sujeitos quando consomem e de empresas quando vendem. E isso é feito a partir da montanha de dados acumulados. Com eles, algoritmo adivinha o que os clientes querem. No melhor dos mundos, o algoritmo oferecerá uma ampla gama de opções, o baixo custo da larga escala, com o toque da customização. E no pior?

Gabriela Corbisier Tessitore, Núcleo Interdisciplinar de Professores da FAAP.