Com o projeto Hafura, a designer de moda Giovana Montosa ensina o ofício da costura para mulheres da Vila Ali Boru, no Quênia

Foi uma máquina de costura quebrada que fez Giovana Montosa, 24 anos, descobrir uma forma de unir sua profissão ao olhar para o próximo. No fim de 2018, a paranaense formada em Moda pela FAAP resolveu deixar a rotina de ateliês e fazer uma viagem de um mês com a organização missionária Miaf para a Vila Ali Boru, no Quênia. O lugar, com condições de vida precárias, fica a 15 horas da capital, Nairóbi, e é povoado pelos povos Gabbras e Boranas. Lá, Giovana conheceu Nasibu, uma das moradoras da comunidade. Nas conversas entre as duas, descobriu que Nasibu desejava aprender a costurar– e tinha, inclusive, uma máquina quebrada. Foi aí que Giovana, junto à missionária Solange Oge, teve uma ideia. “Pensei em começar a ensinar o ofício para essas mulheres e, com o tempo, vender a produção e gerar renda para a comunidade.”

Foi assim que surgiu o projeto Hafura, que, além de estimular a autoestima das mulheres, é um negócio social. “Nós queremos desenvolver produtos cuja renda seja revertida para algo que elas precisem, como água, saúde e educação”, diz. Mesmo morando em
São Paulo, ela realiza semanalmente reuniões por Skype com o grupo, que varia de 12 a 30 participantes.

Este ano, Giovanna criou um novo braço do projeto em Londrina, sua cidade natal, montando cursos de capacitação das técnicas de costura e oferecendo também atendimento psicológico e assistência social para mulheres em situação de risco ou terminando um processo de reabilitação. “É muito bom poder levar algo para alguém, ver a pessoa descobrindo que é capaz de aprender coisas novas e a alegria que isso desperta. Nessa troca, eu também recebi muitos ensinamentos”, finaliza.

Mesa de trabalho

01_Lenço

“É algo cultural, ao qual aderimos por respeito. Além disso, lá venta muito e essa é uma forma de nos protegermos da poeira.”

02_Fita Métrica

“A gente carrega em todas as aulas. Nos cortes e moldes, sempre tem uma fita junto.”

03_passaporte

“Como o projeto está acontecendo em dois países diferentes, e ainda vou começar um mestradoem Londres, é algo que está sempre me acompanhando.”

04_caderno

“Faço muitas anotações de ideias e de sentimentos. Também escrevo como foram as interações e desenho ideias de bordados.”

05_Máquina de Costura

“No Quênia, nós usamos máquina de pedal, porque não temos energia, o que torna a experiência muito diferente.”

06_laptop

“Mesmo não tendo internet na aldeia, usamos para preparar as aulas, gerar material de estudo e divulgar o projeto.”