Em 2010, a FAAP recebeu a visita do norte-americano Francis Ford Coppola, diretor de O poderoso chefão e Apocalypse now. Na ocasião, ele fez questão de conversar exclusivamente com os alunos e se emocionou ao falar sobre sua família

O ano era 2010, mês de novembro, e o cineasta norte-americano Francis Ford Coppola chegava ao Brasil para divulgar Tetro, filme que roteirizou, produziu e dirigiu. Entre entrevistas e eventos em que participaria no país, o diretor visitou a FAAP e fez questão de palestrar para os alunos do curso de Cinema. Vestindo uma meia de cada cor por conta de uma superstição de anos, ele chegou à Fundação, onde falou exclusivamente com os estudantes. “Foi uma exigência dele. Coppola não queria a imprensa por perto”, lembra a professora Gabriela Corbisier Tessitore, na época recém-integrante do grupo Jovens Professores da FAAP, no curso de Comunicação e Marketing da FAAP, e uma das responsáveis por recebê-lo na Fundação. “Aproveitei e levei os cartazes da Filmoteca da Faculdade para que ele assinasse. Peguei um deles para mim, tenho esse cartaz enquadrado até hoje.”

Os alunos lotaram a plateia do Teatro FAAP e assistiram a uma exibição do longa-metragem do diretor. Filmado na Argentina e na Espanha, o filme conta a história de Bennie (Alden Ehreinreich), que parte para Buenos Aires em busca de seu irmão Tetro (Vincent Gallo), desaparecido há uma década. Embora não seja autobiográfica, a obra foi inspirada na relação de Coppola com seu irmão mais velho. Ele contou detalhes de suas referências para criar o roteiro do filme, explicando que o fez para, de alguma maneira, acertar as contas com o irmão que morreu antes de o longa ficar pronto. “Ao contar isso, ele se emocionou, chegou a chorar. Não me segurei e também chorei. Pensei: se o Coppola chorou, também posso”, diz Gabriela.

A família foi um tema marcante durante a conversa do diretor com os alunos. Coppola comentou sobre Sophia, a filha que seguiu seus passos e se tornou cineasta. “Ele contou que quando Sophia começou a escrever o roteiro do filme Virgens suicidas [um dos maiores sucessos da diretora], ela nem ao menos entrou em contato com o dono dos direitos autorais do livro. Na época, o pai achou que era loucura, mas depois passou a ter orgulho da coragem dela”, relata Gabriela. “O encontro foi uma conversa aberta e afetuosa sobre sua profissão e suas histórias de vida.”

O encontro foi uma conversa aberta e afetuosa sobre sua profissão e suas histórias de vida

Professora Gabriela Tessitore Corbisier