O colégio FAAP de Ribeirão Preto é marcado por um ensino puxado. As aulas têm 75 minutos, existem tarefas diárias valendo nota – mas os alunos adoram. Muitos deles não vêem a hora de se formar, para fazer Faculdade no campus de São Paulo

O estudante Rodrigo Claro, 17 anos, fica mais que animado quando fala do seu futuro ao caminhar apressadamente no corredor, durante um pequeno intervalo entre as aulas no final do semestre passado. Aluno do terceiro ano do ensino médio do Colégio FAAP em Ribeirão Preto, ele diz que ainda não bateu o martelo se vai prestar o vestibular para Arquitetura e Urbanismo ou Administração de Empresas. Mas isso nem tem tanta importância assim, porque ele tem certeza de uma coisa: quer continuar a ser um aluno da Fundação. “Adoro estudar aqui. Mas será bem bacana deixar o interior para continuar na FAAP em São Paulo”, diz Rodrigo, um dos 800 alunos da unidade de Ribeirão Preto.

Fachada do prédio do Colégio

Inaugurado em 2011 em uma área de 6 mil metros quadrados, o Colégio FAAP Ribeirão começou com 400 alunos matriculados e distribuídos nas três séries do ensino médio e no curso pré-vestibular oferecidos pela escola. Hoje, tem o dobro de estudantes. Além das salas de aula, o colégio comporta laboratório de física, química e biologia, salas de estudo, centro de informática, biblioteca, ginásio de esportes e um refeitório para 200 pessoas equipado com uma lanchonete onde são oferecidas refeições e lanches. “A infraestrutura do nosso colégio é muito legal e o ensino é puxado desde o primeiro ano. Os professores incentivam a gente a estudar o tempo todo. Tudo isso é muito bom, nos prepara para a nova fase que teremos pela frente”, diz Rodrigo, que no período da tarde passa grande parte do tempo em um dos seus lugares preferidos da escola: o Centro de Informática.

Alunos durante aula no laboratório de química

Para desenvolver e pilotar o projeto educacional, foi escalado o diretor Lafayette da Costa Tourinho, 56 anos, que há quase quatro décadas atua no setor da educação, como professor de História e diretor de colégios e cursinhos pré-vestibulares na capital paulista e em cidades do interior do estado. O método de ensino foi desenvolvido pela própria equipe do FAAP Ribeirão. A começar pela formatação das aulas da primeira e segunda séries: no lugar das tradicionais seis aulas de 50 minutos, são quatro aulas de 75 minutos, com três intervalos entre elas (dois de 20 minutos e um de 15 minutos). “Trata-se de um modelo que permite uma nova dinâmica, na qual o aluno encontra, durante a aula, tempo para refletir e exercitar o que está aprendendo”, afirma Lafayette.

Refeitório onde os alunos almoçam à espera das atividades extracurriculares que acontecem à tarde

O saguão do prédio principal

Outro diferencial é o projeto de tarefas. Diariamente, os alunos da primeira série entregam 8 tarefas obrigatórias e os da segunda série devolvem 12 tarefas diárias. Todas elas são questões dissertativas apresentadas em fichários, onde se encontram o roteiro das aulas. “Com isso, além de ajudar a reforçar ou criar uma rotina de estudos, incentiva-se a produção de textos. Todas as tarefas são corrigidas e elas fazem parte dos componentes previstos no sistema de avaliação”, explica o diretor Lafayette.

Grupo de alunos na biblioteca, que abriga mais de 11 mil livros

Aula de Biologia do 3o ano, com o professor Daniel Amado Marconato

Laboratório de informática

Os alunos reconhecem que o ritmo é forte, mas aprovam. “Eu não era muito boa aluna na escola onde eu estudava antes. Aqui no FAAP eu mudei e passei a estudar mais. As aulas são bem legais e os plantões de dúvidas me ajudam muito. Me sinto muito melhor aqui”, diz, entusiasmada, a aluna do primeiro ano do ensino médio Natália Branco, 15 anos, após sair de sua aula de 75 minutos. Todas as tardes, os professores ficam à disposição dos alunos para auxiliá-los diante de alguma dificuldade.

Quadra poliesportiva, com padrão internacional para jogos de vôlei

Colega de Natália, Verena Coraucci, 14 anos, também é frequentadora assídua desses plantões. “Fica mais fácil fazer as tarefas, mesmo as mais difíceis. É uma escola que tem um ritmo puxado, mas adoro aqui. Porque também temos muitos momentos de descontração e cursos extras bacanas”, afirma.

BIOLOGIA MARINHA E ESTRELAS
Apesar de o ensino não ser integral no colégio FAAP – para a primeira e segunda séries as aulas começam às 7h15 e terminam às 12h55 –, muitos alunos ficam no colégio boa parte da tarde e só vão embora no fim do dia, por volta das 18 horas. Mas ninguém reclama, pelo contrário. Além das disciplinas obrigatórias cursadas no período da tarde (educação física e inglês) e dos plantões de dúvidas, o colégio oferece várias atividades extracurriculares – e gratuitas –, que vão desde curso de Biologia Marinha até Astronomia, passando por aulas de xadrez, teatro e geopolítica. No final de cada semestre, os professores oferecem atividades extracurriculares especiais.

Em visita à sede da Fundação, os alunos de Ribeirão são recepcionados pelo diretor do Colégio FAAP São Paulo, Henrique Vailati Neto (à dir.)

Grupo de visitantes na Praça do Sol

Em junho passado, por exemplo, foram criadas programações inéditas que envolveram culinária e história da arte. Em culinária, os participantes do curso Mão na Massa aprenderam a fazer massa de macarrão com molho à bolonhesa. “As atividades extracurriculares não fazem parte do conteúdo formal aprendido em sala de aula, mas favorecem muito o desenvolvimento do aluno para a vida”, diz o psicólogo Luiz Toledo, 41 anos, orientador vocacional do FAAP Ribeirão. Além disso, o colégio possui uma unidade do Instituto Confúcio, que aos sábados oferece aulas de mandarim e cultura chinesa, tanto para a comunidade acadêmica como para pessoas de fora da FAAP. “É importante despertar o anseio por coisas novas”, diz Toledo.

As alunas do 3o ano Mirella Precinotto e Carolina Souza Pinto, que desejam fazer faculdade na FAAP

É por tudo isso que os alunos de Ribeirão não querem deixar a instituição ao final do terceiro ano do ensino médio e planejam alçar voos mais altos dentro da própria FAAP. Assim como Rodrigo, citado no início desta reportagem, vários outros querem fazer faculdade na Fundação. “Pretendo fazer Jornalismo na FAAP. O curso tem uma grade curricular inovadora e está adaptada aos novos tempos da profissão, com ênfase na internet”, diz Júlia Gabriello, 17 anos. “Gosto muito do meu colégio e acho que São Paulo será uma continuidade do que vivi aqui, mas de um jeito diferente. Será maravilhoso”, diz Júlia, animada com seu futuro.

FALA, DIRETOR
TRÊS PERGUNTAS PARA O PROFESSOR LAFAYETTE, HÁ 37 ANOS NA ÁREA DA EDUCAÇÃO

Qual a importância de escolher um bom colégio?
É o maior sinal de respeito que um pai pode ter em relação ao seu filho. O que ele será no futuro enquanto cidadão não depende exclusivamente da escola, mas depende muito dela. Em um contexto maior, a educação é o maior patrimônio de uma nação.

Quais os destaques do colégio FAAP Ribeirão?
O primeiro grande diferencial é seu corpo docente, esse elenco admirável de professores e educadores que, em conjunto, elaborou a proposta pedagógica. Aqui está o segundo diferencial: um projeto pedagógico inovador, entendido com algo em construção permanente e capaz de enxergar o aluno como um ser humano dotado de plenas potencialidades e estimulá-las. Em consequência, destaco o perfil dos alunos da escola, em geral, muito comprometidos com as estratégias adotadas e cientes da importância da boa formação acadêmica. São jovens bastante criativos que, fortalecidos intelectual e emocionalmente, são preparados para os desafios do mundo adulto.

Com tantas inovações tecnológicas, o mundo muda a cada minuto. Mas o que não pode mudar na escola?
O ambiente escolar pautado pela ética e solidariedade entre professores, funcionários e alunos. Como nos ensinou Hannah Arendt, aqui está o maior desafio de hoje: humanizar o ser humano.