A reflexão perdeu espaço para a velocidade. Com isso, o ritmo da natureza humana se acelerou

Entre os gregos antigos, duas figuras eram utilizadas para se referir ao tempo. A primeira era Cronos, um titã, pai de Zeus, que, por medo de ser destronado por um dos filhos, devorava-os assim que nasciam. De Cronos surge a ideia de tempo cronológico, isto é, o tempo coletivo, ao qual estamos submetidos e pelo qual seremos fatalmente devorados. A segunda era Kairós, um dos filhos de Zeus, descrito como um jovem de franja muito ágil que só poderia ser parado se o agarrassem pelo cabelo, isto é, encarando-o de frente. De Kairós surge o tempo kairológico, um tempo individual e oportuno para a realização dos múltiplos projetos que se apresentam na vida. Nesta modernidade nos desconectamos do tempo kairológico e nos dedicamos muito ao tempo cronológico. A reflexão perdeu espaço para a velocidade. Com isso, o ritmo da natureza humana se acelerou. Apressamos tanto, que agora tudo nos entedia; desejamos algo novo a todo momento. Não é por acaso que hoje deparamos com tantas crises emocionais. Mas se buscamos nesta vida um aprimoramento da nossa existência, então devemos reaprender a respeitar o ritmo de nossa natureza. Apressar este ritmo, ironicamente, é uma grande perda de tempo.

Igor Alves é professor do curso de Economia e Relações Internacionais