Vivo atormentado pela impressão de que estamos desenvolvendo centenas de perninhas para que possamos correr mais rápido em direção à felicidade

Existem muitos marcadores (como se fala em jargão científico, “markers”) para identificar uma pessoa boba no mundo contemporâneo. Claro, pessoas educadas não dizem coisas assim, mas, como tenho por mania estudar, acabei perdendo a boa educação com o tempo. Um dos efeitos colaterais da boa leitura é arruinar a paciência, muitas vezes. Por exemplo, hoje em dia, acabo por olhar mulheres bonitas, deixando claro que essa é sua principal qualidade mundana. Não minto mais sobre a inteligência. Mudando de assunto, vivo atormentado pela impressão de que estamos desenvolvendo centenas de perninhas para que possamos correr mais rápido em direção à felicidade. Quando ouço alguém falar em “palestra motivacional”, sinto um sem-número de perninhas começarem a se mexer em meio aos nossos corpos. Criados em baias, sonhando com o fim de semana que nunca chega, obcecados pela qualidade de uma vida que não existe, abraçamos a causa das baratas.

Luiz Felipe Pondé é vice-diretor e coordenador do curso de Comunicação e Marketing