Das compras à selfie pós-sexo, tudo, literalmente tudo, tem que ser tornado público

Já faz algum tempo que entramos na chamada “era da exposição”. Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, elegeu como data para a mudança de paradigma das relações entre o público e o privado um evento ocorrido na década de 80. Durante um programa de talk shows, uma mulher declarou, na frente de milhões de espectadores, que seu casamento havia naufragado em decorrência de “problemas sexuais”.

De lá para cá, com o surgimento das mídias sociais e dos smartphones, o processo se intensificou a ponto de não deixarmos de “compartilhar” nada de nossas vidinhas: das compras à selfie pós-sexo, tudo, literalmente tudo, tem que ser tornado público. Somos como crianças que pedem a atenção constante e têm a necessidade do reconhecimento permanente. Se não cabe somente a mim dizer quem sou ou o que sou, se minha identidade é definida em relação ao olhar dos outros, temos agora mecanismos tecnológicos para nos auxiliar nessa tarefa homérica, ao contrário dos nossos pobres antepassados que dependiam, quiçá, de um espelho.

Gabriela Tessitore é professora do curso de Comunicação e Marketing e coordenadora da Revista FAAP