Residência artística promove imersão na sua área de interesse e também oferece ao artista-visitante a condição de morador temporário, mas implica a criação de vínculos e laços efetivos com o traçado urbano

As residências artísticas podem ser identificadas como espaços específicos de produção artística, que se convertem em lugares de troca e reconhecimento, nos quais os artistas, com os seus trabalhos, possam recuperar a complexidade e a diversidade, o significado e o valor das relações entre arte e vida. Nesse sentido, é preciso pensar sobre esses processos de criação, em deslocamento, como um modo contemporâneo de produção no qual conceitos como experiência, participação, intercâmbio e vida coletiva se tornam fundamentais. A residência é um elemento de transformação ao promover o estabelecimento de relações mais amplas do que aquelas que se oferecem no ambiente acadêmico e também em determinados circuitos de atuação, ao mesmo tempo que permite apontar alguns dos conflitos e contradições da relação entre a arte e os seus espaços, incluindo a escola. Ela promove ainda uma imersão do artista na sua área de interesse e atividade, também oferece ao artista-visitante a condição de morador temporário, mas implica a criação de vínculos e laços efetivos com o traçado urbano, e cria a condição de inserção no seu entorno.

Marcos Moraes é coordenador dos cursos de Artes Visuais e Produção Cultural e dos programas de Residência Artística da FAAP