Para Machado de Assis, “a língua humana há de ser sempre impotente para exprimir certos afetos da alma”

Para Drummond, “cada palavra tem mil faces secretas sob a face neutra”. Cabe ao escritor usar a sua magia e explorar a riqueza das palavras. “Elas não nascem amarradas, elas saltam, se beijam, se dissolvem. São puras, largas, autênticas, indevassáveis.” Caetano Veloso, em sua canção “Língua”, cita Fernando Pessoa quando diz: “Minha pátria é minha língua”, ratificando que a língua é a maior identidade de um povo. Através dela, manifestam-se a cultura, a arte, a música, a poesia, a prosa, enfim, a alma. E pergunta: “O que pode esta língua?”. Pode muito. Para um casal apaixonado, o que pode esta língua? A explosão dos sentimentos, traduzida na frase de amor: “Eu te amo”. Para um fanático torcedor, o que pode esta língua? O extravasar de um grito contido: “É campeão!”. Mas, paradoxalmente, para Machado de Assis, “a língua humana há de ser sempre impotente para exprimir certos afetos da alma”.

E para você, caro leitor: “O que pode esta língua?”.

Marinez Félix Rafaldini é coordenadora pedagógica do Colégio FAAP