Quem está em condições de dizer quais imagens merecem ou não circular? Quais imagens terão, no futuro, algum valor histórico?

Vivemos rodeados por imagens. A escala é realmente assustadora: cerca de 300 milhões de fotos postadas por dia, apenas no Facebook. Mas o sentimento de excesso e banalidade não é novo: Platão imaginava que o mundo seria melhor sem os produtores de simulacros; Baudelaire, que viu nascer a fotografia no século XIX, condenava a que se lançava à contemplação de “sua imagem trivial”; muitos autores definiam o século XX como o “século das imagens”. Seguindo essa tradição, continuamos aguardando um colapso. A crítica é pertinente, mas quem está em condições de dizer quais imagens merecem ou não circular? Quais imagens terão, no futuro, algum valor histórico? Não é raro encontrar pesquisas importantes sustentadas por fotografias achadas em arquivos esquecidos. A solução não passa pela imposição de limites, mas pela formação de um olhar capaz de reivindicar um sentido. A grande maioria permanecerá esquecida, mas, enquanto houver olhares efetivamente disponíveis, cada imagem será potencialmente parte de uma história que está por ser contada.

Ronaldo Entler é professor do curso de Comunicação e Marketing e do curso de Artes Plásticas