Nada se compara à magia de uma sala de aula: útero secundário da humanidade

Altar, palco, picadeiro, espaços que se revestem, sem dúvida, de místicas especiais. Mas nada se compara à magia de uma sala de aula: útero secundário da humanidade, multifacetado e intemporal, que se eterniza como invólucro de uma parte preciosa de nossas histórias. Chega a ser desconcertante – nesta era do espetáculo, de luzes artificiais com brilho solar e de sons inimagináveis – o quanto a singeleza do espaço didático ainda polariza vidas e seu imaginário: a escola sempre será o pano de fundo em seus momentos mais significativos. Um fenômeno singular comprova esse encantamento: sente um grupo de provectos anciãos em carteiras escolares e, em minutos, o poder do espaço provocará a metamorfose juvenil, fazendo soprar uma sutil e poderosa brisa brincalhona, infantilizando o respeitável ajuntamento. Como o retorno a esse idílico tempo é apenas um exercício imaginário, nunca é demais lembrar aos colegas professores o quanto eles devem preservar e valorizar essa mística; é essencial enfatizar aos alunos a importância de bem viver esses momentos e é vital advertir todos os riscos da perda dessa sacralidade para o processo civilizatório.

Henrique Vailati Neto é Diretor do Colégio FAAP