A felicidade real o indivíduo deixou passar pelos dedos, porque estava buscando algo similar ao prazer artificial e perpétuo

Uma das metas da sociedade contemporânea é a de buscar a felicidade incessantemente. Os padrões estabelecidos por esse modelo de vida ditam que o homem tem por obrigação se manter em um estado de prazer pleno e constante. Sua principal necessidade é a garantia da aceitação alheia para que, assim, ele possa se sentir parcialmente amado. Como afirma Christopher Lash, o sujeito contemporâneo relaciona-se diretamente com o narcisismo. A selfie é uma das principais ferramentas que caracterizam a sociedade atual, no estilo adaptado da famosa frase de Descartes: “Faço uma selfie, logo existo”. Cada vez mais, pensa-se imageticamente e, com isso, as reflexões e as leituras são deixadas de lado. Isso implica comportamentos e relações superficiais justamente porque os indivíduos não se aprofundam em suas emoções e sentimentos. Diante de dores que parecem sem fim, o bem-estar se torna banalizado e exteriorizado. A felicidade real o indivíduo deixou passar pelos dedos, porque estava buscando algo similar ao prazer artificial e perpétuo.

Nathalie Hornhardt é professora do curso de Comunicação e Marketing