Um discurso criativo e fluente se constrói pela condução ao autoconhecimento

Quando olho à minha volta, posso ver como as nossas vidas são cada vez mais fragmentadas. A instabilidade de cada momento deixa-nos perdidos na nossa existencialidade. A frase do prefácio da obra A voz interior, de José Pais de Carvalho, leva-nos a uma reflexão sobre a dificuldade de expressão do que sentimos. Diante do caos emocional da cultura, em nossas emoções, ficamos à deriva de circunstâncias que afetam a nossa segurança e acabamos por criar uma imagem de nós próprios e do mundo, baseados numa construção mental de como nos vemos, equivocada. Deambulamos entre conhecimentos e emoções que não expressam a nossa identidade e passamos a reproduzir emoções e conceitos preestabelecidos por outras vozes. Acabamos por tomar como nosso todo um mapa conceitual exterior de uma sociedade que, aparentemente, faz um discurso apelativo à capacidade criativa, mas que, na verdade, somente reforça a falta de discernimento e o discurso repetitivo, sustentando assim a massificação do indivíduo. Um discurso criativo e fluente se constrói pela condução ao autoconhecimento.

Sandra Raposo Tenório é professora de Língua Portuguesa e Literatura do Colégio FAAP